Questão de Medicina — Oftalmologia — FGV 2025
- Código
- fg110566
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Grupo Oftalmologia
- A2,7∆ de base nasal.
- B7,2∆ de base nasal.
- C2,7∆ de base temporal.
- D7,2∆ de base temporal.
- E72∆ de base temporal.
GabaritoB — 7,2∆ de base nasal.
Gabarito: letra B. O efeito prismático induzido é de 7,2∆ de base nasal. O cálculo usa a fórmula de Prentice (, onde é o efeito prismático em dioptrias prismáticas, é o descentramento em centímetros e é o poder da lente em dioptrias), e a orientação da base é determinada pela direção do descentramento em relação ao centro óptico da lente.
O efeito prismático induzido ocorre quando o centro óptico da lente não está alinhado com o eixo visual do paciente. No caso, o paciente tem uma distância interpupilar (DIP) de 60 mm, mas os óculos foram montados com 69 mm. Isso significa que cada lente está descentrada em relação ao olho correspondente. O descentramento total é de 9 mm (69 mm - 60 mm), mas como cada olho tem sua própria lente, o descentramento por olho é de 4,5 mm (9 mm / 2).
A fórmula de Prentice é a ferramenta padrão para calcular o efeito prismático induzido por descentramento. Ela estabelece que o efeito prismático (em dioptrias prismáticas, ∆) é igual ao produto do descentramento (em centímetros) pelo poder da lente (em dioptrias). No caso de lentes esféricas, o poder é o mesmo em todos os meridianos, então usamos o valor esférico diretamente.
Vamos aplicar a fórmula: . O descentramento por olho é de 4,5 mm, que convertido para centímetros é 0,45 cm. O poder da lente é de 8,00 D. Portanto, por olho. Como o erro de centragem é simétrico (ambos os olhos estão descentrados na mesma direção), o efeito prismático total induzido é a soma dos efeitos de cada olho: .
A orientação da base é determinada pela direção do descentramento. Quando a distância interpupilar dos óculos é maior que a DIP do paciente, cada lente está deslocada para fora (temporalmente) em relação ao olho. Para uma lente positiva (convergente), o deslocamento temporal do centro óptico faz com que o prisma resultante tenha a base voltada para o mesmo lado do deslocamento, ou seja, base temporal. No entanto, para uma lente negativa (divergente), como é o caso da miopia, o prisma resultante tem a base voltada para o lado oposto ao deslocamento, ou seja, base nasal. Como o paciente é míope (usa lentes negativas), o efeito prismático induzido tem base nasal.
A pegadinha desta questão está em dois pontos: primeiro, a conversão de unidades (mm para cm) e a divisão do descentramento total por dois (já que o erro é por olho); segundo, a orientação da base, que depende do sinal da lente. Muitos candidatos calculam o efeito prismático usando o descentramento total (9 mm) em vez do descentramento por olho (4,5 mm), obtendo 7,2∆ por olho e depois somando, chegando a 14,4∆, que não está nas alternativas. Outros erram a orientação da base, marcando base temporal, que seria o caso de lentes positivas.
Guarde a relação: lente negativa (miopia) + descentramento temporal = base nasal; lente positiva (hipermetropia) + descentramento temporal = base temporal. É exatamente essa distinção que separa as alternativas B e D.
O valor de 2,7∆ é incorreto. Esse número não corresponde a nenhum cálculo direto com os dados fornecidos. Se o candidato usasse o descentramento total (9 mm = 0,9 cm) e o poder da lente (8 D), obteria por olho, mas isso seria o efeito por olho, não o total. O valor 2,7∆ não tem relação com os dados da questão.
O efeito prismático induzido é de 7,2∆ de base nasal. O cálculo correto é: descentramento por olho = (69 mm - 60 mm) / 2 = 4,5 mm = 0,45 cm. Aplicando a fórmula de Prentice: por olho. Como o erro é simétrico, o efeito total é . A base é nasal porque o paciente é míope (lente negativa) e o centro óptico está deslocado temporalmente.
O valor de 2,7∆ é incorreto, como explicado na alternativa A. Além disso, a orientação da base temporal seria correta apenas para lentes positivas (hipermetropia), não para lentes negativas (miopia).
O valor de 7,2∆ está correto, mas a orientação da base está errada. A base temporal seria o caso de lentes positivas (hipermetropia) com descentramento temporal. Para lentes negativas (miopia), a base é nasal.
O valor de 72∆ é incorreto. Esse número resultaria de um erro de conversão de unidades: se o candidato usasse o descentramento em milímetros (4,5 mm) em vez de centímetros (0,45 cm) na fórmula de Prentice, obteria por olho, e somando os dois olhos, 72∆. A fórmula exige que o descentramento esteja em centímetros.
A banca explora duas armadilhas clássicas: (1) a conversão de unidades — o descentramento deve ser em centímetros, não em milímetros, e o erro de centragem é por olho, não total; (2) a orientação da base — para lentes negativas (miopia), o deslocamento temporal do centro óptico gera base nasal, não temporal. Quem erra a conversão chega a 72∆ (alternativa E), e quem erra a orientação da base marca base temporal (alternativa D).
Para questões de efeito prismático induzido, siga sempre estes passos: 1) calcule o descentramento por olho (diferença entre a DIP dos óculos e a DIP do paciente, dividida por 2); 2) converta o descentramento de mm para cm (divida por 10); 3) aplique a fórmula de Prentice (); 4) determine a base: para lentes negativas, base no lado oposto ao deslocamento; para lentes positivas, base no mesmo lado do deslocamento. Memorize: lente negativa + deslocamento temporal = base nasal.
Gabarito: letra B
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