Com relação ao câncer da laringe e da hipofaringe, assinale a afirmativa correta.
AOs cânceres de hipofaringe são, em sua maioria, carcinomas não epidermoides, seguidos pelos adenocarcinomas e pelos sarcomas.
BA rede linfática da laringe é muito rica, especialmente na região glótica e supraglótica facilitando as metástases linfonodais.
CNos cânceres de hipofaringe é baixo o índice de metástases linfonodais pois a drenagem linfática é débil.
DCerca de 2/3 dos tumores surgem na região supraglótica, de 1/3 na glótica e 10% surgem na subglótica.
EA comissura anterior é um ponto frágil para a invasão da cartilagem tireoidea e do espaço pré-epiglótico.
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GabaritoE — A comissura anterior é um ponto frágil para a invasão da cartilagem tireoidea e do espaço pré-epiglótico.
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Câncer de laringe e hipofaringe: anatomia, drenagem linfática e padrão de disseminação
Gabarito: letra E. A comissura anterior é, de fato, um ponto frágil para a invasão da cartilagem tireoidea e do espaço pré-epiglótico, pois nessa região a cartilagem tireoidea é desprovida de pericôndrio, o que facilita a penetração tumoral. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a histologia, a drenagem linfática e a distribuição dos tumores nessas localizações.
O câncer de laringe e o de hipofaringe são neoplasias malignas que acometem o trato aerodigestivo superior, com forte associação ao tabagismo e ao etilismo. A laringe é dividida em três regiões anatômicas — supraglote, glote e subglote —, cada uma com características próprias de drenagem linfática e, consequentemente, de comportamento metastático. A hipofaringe, por sua vez, é uma região anatômica contígua à laringe, localizada posteriormente a ela, e apresenta uma drenagem linfática bastante rica, o que explica o alto índice de metástases linfonodais ao diagnóstico.
A compreensão da drenagem linfática é essencial para entender o padrão de disseminação desses tumores. A região supraglótica possui uma rede linfática muito desenvolvida, drenando para os linfonodos cervicais bilaterais, o que justifica a alta taxa de metástases linfonodais nesses tumores. Já a região glótica é pobre em vasos linfáticos, o que torna as metástases linfonodais menos frequentes nos tumores glóticos iniciais. A subglote também possui drenagem linfática, embora menos rica que a supraglote, drenando para os linfonodos paratraqueais e cervicais inferiores.
A hipofaringe, por sua vez, tem uma drenagem linfática extremamente rica, com alta incidência de metástases linfonodais, frequentemente bilaterais. Isso contrasta com a afirmação de que a drenagem linfática seria débil nessa região. A maioria dos tumores de hipofaringe são carcinomas epidermoides (carcinoma de células escamosas), e não carcinomas não epidermoides, como afirma uma das alternativas.
Quanto à distribuição dos tumores na laringe, a região glótica é a mais acometida, correspondendo a cerca de 60-65% dos casos, seguida pela supraglote (30-35%) e pela subglote (menos de 5%). A afirmação de que 2/3 dos tumores surgem na supraglote está incorreta, pois inverte a frequência entre glote e supraglote.
A comissura anterior é uma região anatômica crítica na laringe, localizada na porção anterior da glote, onde as pregas vocais se encontram. Nesse ponto, a cartilagem tireoidea é desprovida de pericôndrio, o que a torna vulnerável à invasão tumoral. Além disso, a comissura anterior está em estreita relação com o espaço pré-epiglótico, facilitando a disseminação do tumor para essa região. Essa é uma característica bem estabelecida na literatura e um ponto importante para o estadiamento e planejamento cirúrgico.
Região
Distribuição dos tumores
Drenagem linfática
Glote
~60–65% (mais comum)
Pobre (baixa taxa de metástases linfonodais)
Supraglote
~30–35%
Rica (alta taxa de metástases linfonodais)
Subglote
<5%
Intermediária (drena para paratraqueais e cervicais inferiores)
Hipofaringe
—
Muito rica (alta incidência de metástases, frequentemente bilaterais)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta ao afirmar que os cânceres de hipofaringe são, em sua maioria, carcinomas não epidermoides. Na realidade, a grande maioria (mais de 90%) dos tumores de hipofaringe são carcinomas epidermoides (carcinoma de células escamosas). Os adenocarcinomas e sarcomas são extremamente raros nessa localização. A banca troca o tipo histológico predominante, que é o carcinoma epidermoide, por outros tipos menos comuns.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta ao afirmar que a rede linfática da laringe é muito rica, especialmente na região glótica e supraglótica. Na verdade, a região glótica é pobre em vasos linfáticos, o que explica a menor incidência de metástases linfonodais nos tumores glóticos iniciais. A região supraglótica, sim, possui uma rede linfática rica, mas a glótica não. A banca generaliza a riqueza da rede linfática para toda a laringe, quando na verdade há diferenças regionais importantes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta ao afirmar que nos cânceres de hipofaringe é baixo o índice de metástases linfonodais devido à drenagem linfática débil. Na realidade, a hipofaringe possui uma drenagem linfática muito rica, o que resulta em alta incidência de metástases linfonodais, frequentemente bilaterais. A banca inverte o padrão de drenagem linfática da hipofaringe, que é rica, e não débil.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmativa está incorreta ao afirmar que cerca de 2/3 dos tumores surgem na região supraglótica, 1/3 na glótica e 10% na subglótica. Na realidade, a distribuição é diferente: a região glótica é a mais acometida (cerca de 60-65%), seguida pela supraglote (30-35%) e pela subglote (menos de 5%). A banca inverte a frequência entre glote e supraglote, apresentando a supraglote como a mais comum, quando na verdade é a glote.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta ao afirmar que a comissura anterior é um ponto frágil para a invasão da cartilagem tireoidea e do espaço pré-epiglótico. Isso ocorre porque, na comissura anterior, a cartilagem tireoidea é desprovida de pericôndrio, o que facilita a penetração tumoral. Além disso, a comissura anterior está em estreita relação com o espaço pré-epiglótico, permitindo a disseminação do tumor para essa região. Essa é uma característica anatômica bem estabelecida e relevante para o estadiamento e tratamento cirúrgico do câncer de laringe.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a riqueza da drenagem linfática da supraglote e a pobreza da glote. O candidato que memoriza que "a laringe tem rica drenagem linfática" sem diferenciar as regiões cai na alternativa B. Lembre-se: supraglote é rica, glote é pobre. Essa distinção é clássica em provas de oncologia de cabeça e pescoço.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar a distribuição dos tumores de laringe, use a regra do "60-30-5": glote (60%), supraglote (30%), subglote (5%). E para a drenagem linfática, lembre-se: supraglote rica, glote pobre, hipofaringe rica. Esses números e padrões são recorrentes em questões de oncologia.