Assinale a afirmativa correta em relação ao exame hemoglobina glicada (HbA₁C ou A1C) na abordagem do diabetes mellitus.
AA hemoglobina glicada é útil somente na avaliação do controle glicêmico no paciente diabético. O diagnóstico de diabetes somente é possível pela dosagem da glicose de jejum e pós prandial.
BA frequência da dosagem da hemoglobina glicada no controle do paciente diabético é de uma vez ao ano.
CAs presenças de processos hemolíticos e hemoglobinas anormais podem falsear os resultados da hemoglobina glicada.
DOs níveis de hemoglobina glicada e a glicemia pós prandial apresentam uma correlação inversa. Níveis elevados de hemoglobina glicada indicam baixa concentração da glicemia pós-prandial.
EA hemoglobina glicada fornece uma avaliação do controle glicêmico médio no período de 360 dias antes do exame.
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GabaritoC — As presenças de processos hemolíticos e hemoglobinas anormais podem falsear os resultados da hemoglobina glicada.
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Hemoglobina glicada (HbA1c) no diabetes mellitus
Gabarito: letra C. A hemoglobina glicada (HbA1c) reflete a glicemia média dos últimos 2 a 3 meses, e seus resultados podem ser falseados por condições que alteram a vida média dos eritrócitos ou a estrutura da hemoglobina, como processos hemolíticos e hemoglobinas anormais (hemoglobinopatias/variantes). É exatamente isso que a alternativa C afirma, tornando-a a correta. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre o uso, a frequência e a interpretação do exame.
A HbA1c é formada pela glicação não enzimática da hemoglobina, um processo contínuo e diretamente proporcional à concentração média de glicose no sangue durante a vida do eritrócito (cerca de 120 dias). Por isso, ela é o padrão-ouro para avaliar o controle glicêmico de médio e longo prazo, refletindo aproximadamente os últimos 3 meses (2 a 3 meses), e não apenas o momento da coleta, como a glicemia de jejum. Esse é o motivo de ela ser menos suscetível a variações agudas (estresse, alimentação do dia) e não exigir jejum para sua dosagem.
A utilidade da HbA1c vai além do monitoramento: ela é também um critério diagnóstico de diabetes. Segundo as diretrizes atuais (Sociedade Brasileira de Diabetes e American Diabetes Association), o diagnóstico de DM pode ser estabelecido com HbA1c ≥ 6,5%, além da glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, glicemia aleatória ≥ 200 mg/dL com sintomas, ou TTGO-2h ≥ 200 mg/dL. Portanto, a afirmativa A, que restringe o diagnóstico apenas à glicemia de jejum e pós-prandial, está incorreta.
A frequência da dosagem da HbA1c no acompanhamento do paciente diabético é, em regra, a cada 3 meses (trimestral), podendo ser semestral em pacientes com controle glicêmico estável e ótimo. A alternativa B, que afirma ser anual, subestima a necessidade de monitoramento frequente para ajuste terapêutico e prevenção de complicações.
A relação entre HbA1c e glicemia é diretamente proporcional: quanto maior a glicemia média, maior a HbA1c. A alternativa D inverte essa relação, afirmando uma correlação inversa, o que é um erro conceitual grave. A alternativa E também erra ao afirmar que a HbA1c reflete 360 dias (1 ano) de controle; o período correto é de 2 a 3 meses.
A pegadinha central desta questão está na alternativa C: ela aborda um ponto técnico e específico — as interferências na dosagem da HbA1c. O candidato que decora apenas os valores de corte e a frequência de dosagem pode não reconhecer a importância das condições que alteram a correspondência entre HbA1c e glicemia real. É fundamental lembrar que, em situações como anemias hemolíticas, hemoglobinopatias (ex.: traço falciforme, talassemias), transfusões recentes, insuficiência renal crônica e gestação, o resultado da HbA1c pode não refletir fielmente o controle glicêmico, exigindo cautela na interpretação e, em alguns casos, o uso de outros marcadores (como glicemia de jejum, frutosamina ou glicemia pós-prandial).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão da correlação entre HbA1c e glicemia na alternativa D, e a subestimação da frequência na alternativa B. Mas a armadilha mais sutil está na alternativa A: muitos candidatos acreditam que a HbA1c serve apenas para controle, esquecendo que ela também é um critério diagnóstico válido (≥ 6,5%). Fique atento: a HbA1c é usada tanto para diagnóstico quanto para monitoramento.
Afirmação
Correto?
Justificativa
A: HbA1c só para controle; diagnóstico só por glicemia de jejum/pós-prandial
❌
HbA1c também é critério diagnóstico (≥ 6,5%)
B: Frequência da HbA1c é anual
❌
Recomenda-se a cada 3 meses (trimestral)
C: Hemólise e hemoglobinas anormais falseiam a HbA1c
✅
Reduzem a vida média das hemácias ou interferem na dosagem
D: Correlação inversa entre HbA1c e glicemia pós-prandial
❌
Correlação é diretamente proporcional
E: HbA1c reflete 360 dias de controle
❌
Reflete 2 a 3 meses (vida média das hemácias)
HbA1c no diabetes: Diagnóstico (HbA1c ≥ 6,5%, Glicemia de jejum ≥ 126, TTGO-2h ≥ 200); Monitoramento (A cada 3 meses, Semestral se estável); Reflete 2 a 3 meses; Interferências (Hemólise (subestima), Hemoglobinopatias, Transfusão recente, IRC e gestação)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a HbA1c é útil somente para avaliar o controle glicêmico e que o diagnóstico de diabetes só é possível pela glicemia de jejum e pós-prandial. Erro: a HbA1c é também um critério diagnóstico estabelecido (≥ 6,5%), conforme as diretrizes da SBD e ADA. O diagnóstico pode ser feito por qualquer um dos quatro métodos: glicemia de jejum, glicemia aleatória com sintomas, TTGO ou HbA1c.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a frequência da dosagem da HbA1c é anual. Erro: a recomendação é realizar a dosagem a cada 3 meses (trimestral) para avaliar o controle glicêmico, podendo ser semestral apenas em pacientes com controle ótimo e estável. A frequência anual é insuficiente para ajustes terapêuticos adequados.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que processos hemolíticos e hemoglobinas anormais podem falsear os resultados da HbA1c. Correto: a HbA1c depende da vida média dos eritrócitos e da estrutura da hemoglobina. Na hemólise, a vida média dos eritrócitos é reduzida, diminuindo o tempo de exposição à glicose e, consequentemente, subestimando a HbA1c. Hemoglobinas anormais (hemoglobinopatias como HbS, HbC, talassemias) podem interferir na glicação ou nos métodos de dosagem, gerando resultados falsamente baixos ou altos. Essas condições estão listadas como situações que alteram a correspondência entre HbA1c e glicemia real.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que há correlação inversa entre HbA1c e glicemia pós-prandial. Erro: a correlação é diretamente proporcional. Níveis elevados de HbA1c indicam alta concentração de glicemia média, incluindo a pós-prandial. A alternativa inverte completamente a relação fisiológica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a HbA1c reflete o controle glicêmico médio dos últimos 360 dias. Erro: o período correto é de 2 a 3 meses (aproximadamente 90 dias), correspondente à vida média dos eritrócitos. A afirmativa superestima em muito o período de avaliação.
Gabarito: letra C — a única afirmativa correta é a que reconhece as interferências (hemólise e hemoglobinas anormais) na dosagem da HbA1c.