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Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2025

MedicinaNeurologia
Código
fg111240
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Neurocirurgia
Paciente de 75 anos, em uso de anticoagulantes devido a prótese valvar cardíaca, apresentou queda, trauma craniano e hematoma subdural crônico.O uso de anticoagulantes pode influir na evolução do hematoma e/ou sua terapêutica em caso de
  1. Areabsorção espontânea incompleta.
  2. Bempiema subdural.
  3. Ccrescimento do hematoma.
  4. Dhipertensão intracraniana com necessidade de craniotomia descompressiva.
  5. Ehidrocefalia pós-ressangramento.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — crescimento do hematoma.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hematoma subdural crônico e anticoagulação

Gabarito: letra C. O uso de anticoagulantes influi diretamente na evolução do hematoma subdural crônico ao aumentar o risco de crescimento/expansão do hematoma, pois a anticoagulação perpetua o sangramento e impede a hemostasia adequada. As demais alternativas representam complicações que não são diretamente influenciadas pelo uso de anticoagulantes, mas sim por outros mecanismos fisiopatológicos.

O hematoma subdural crônico (HSDC) é uma coleção de sangue entre a dura-máter e a aracnoide, geralmente decorrente de trauma craniano, mesmo leve, em pacientes idosos. A fisiopatologia envolve a formação de uma neomembrana vascularizada que sangra de forma recorrente, levando ao crescimento progressivo do hematoma. O uso de anticoagulantes, como a varfarina ou os anticoagulantes orais diretos (DOACs), interfere diretamente nesse processo, pois inibe a cascata de coagulação, favorecendo o sangramento contínuo e a expansão do hematoma.

A relação entre anticoagulação e crescimento do hematoma é bem documentada na literatura. Estudos demonstram que pacientes anticoagulados apresentam maior risco de expansão do hematoma e pior evolução clínica. O contexto fornecido reforça essa associação ao mencionar que "o risco de expansão é maior em pacientes que apresentaram sangramento secundário à anticoagulação", com um estudo mostrando expansão em 54% dos indivíduos com hemorragia associada à anticoagulação contra 16% dos casos espontâneos.

Na prática clínica, o manejo do HSDC em pacientes anticoagulados envolve a reversão da anticoagulação, quando possível, e a avaliação criteriosa da necessidade de drenagem cirúrgica. A decisão de reiniciar a anticoagulação após o tratamento é complexa e deve considerar o risco tromboembólico (prótese valvar mecânica, fibrilação atrial) versus o risco de recorrência do sangramento. O contexto menciona que, em pacientes com sangramento intracraniano que necessitam reiniciar anticoagulação, isso deve ser feito com extrema cautela e após 4 semanas do episódio hemorrágico, com consultoria neurológica.

A pegadinha desta questão está em associar o anticoagulante a complicações que não são diretamente influenciadas por ele. O anticoagulante não causa empiema subdural (infecção), não interfere na reabsorção espontânea de forma direta, não é o fator determinante para hipertensão intracraniana com necessidade de craniotomia descompressiva (embora possa contribuir indiretamente) e não causa hidrocefalia pós-ressangramento. O efeito direto e mais relevante é o crescimento do hematoma.

Guarde este critério: o anticoagulante influencia diretamente o sangramento ativo e a expansão do hematoma, não as complicações infecciosas, degenerativas ou mecânicas. É exatamente essa distinção que separa a alternativa correta das demais.

1Efeito direto
Crescimento/expansão do hematoma
Sangramento contínuo na neomembrana
2Efeitos indiretos
Hipertensão intracraniana (gravidade)
Necessidade de craniotomia
3Sem relação causal
Reabsorção espontânea
Empiema subdural
Hidrocefalia pós-ressangramento
Anticoagulante no hematoma subdural crônico
LEVELsoulevel.com.br
Anticoagulante no hematoma subdural crônico: Efeito direto (Crescimento/expansão do hematoma, Sangramento contínuo na neomembrana); Efeitos indiretos (Hipertensão intracraniana (gravidade), Necessidade de craniotomia); Sem relação causal (Reabsorção espontânea, Empiema subdural, Hidrocefalia pós-ressangramento)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A reabsorção espontânea incompleta é uma característica do hematoma subdural crônico, mas não é diretamente influenciada pelo uso de anticoagulantes. A reabsorção depende de fatores como a vascularização da neomembrana e a capacidade de reabsorção do espaço subdural, não da coagulação sanguínea. O anticoagulante não impede a reabsorção; ele favorece o sangramento contínuo, o que é diferente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O empiema subdural é uma infecção purulenta no espaço subdural, geralmente decorrente de sinusite, otite média ou complicação de cirurgia intracraniana. Não há relação direta entre o uso de anticoagulantes e o desenvolvimento de empiema subdural. A anticoagulação não aumenta o risco de infecção; pelo contrário, o risco de sangramento é a principal preocupação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O uso de anticoagulantes influencia diretamente o crescimento do hematoma subdural crônico. A anticoagulação perpetua o sangramento na neomembrana do hematoma, impedindo a hemostasia e favorecendo a expansão progressiva da coleção. O contexto fornecido confirma que "o risco de expansão é maior em pacientes que apresentaram sangramento secundário à anticoagulação", com um estudo mostrando expansão em 54% dos indivíduos anticoagulados versus 16% dos espontâneos. Essa é a complicação mais diretamente influenciada pelo uso de anticoagulantes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hipertensão intracraniana com necessidade de craniotomia descompressiva é uma complicação grave do hematoma subdural, mas não é diretamente influenciada pelo uso de anticoagulantes. A craniotomia descompressiva é indicada em casos de hipertensão intracraniana refratária, geralmente em hematomas subdurais agudos ou contusões graves, e não é uma consequência específica da anticoagulação. O anticoagulante pode contribuir indiretamente ao favorecer o crescimento do hematoma, mas a necessidade de craniotomia descompressiva é determinada pela gravidade do quadro neurológico, não pela anticoagulação em si.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hidrocefalia pós-ressangramento é uma complicação que pode ocorrer após hemorragia subaracnoide, não especificamente após hematoma subdural crônico. A hidrocefalia no contexto de HSDC é rara e não é diretamente influenciada pelo uso de anticoagulantes. A anticoagulação não aumenta o risco de hidrocefalia; o mecanismo de hidrocefalia está relacionado à obstrução da circulação do líquido cefalorraquidiano, não à coagulação.

Gabarito: letra C — o anticoagulante influencia diretamente o crescimento do hematoma subdural crônico, pois perpetua o sangramento e impede a hemostasia adequada.

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