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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
fg111379
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Multiprofissional - Biomedicina
Além das alterações hormonais observadas na Síndrome de Klinefelter, como hipogonadismo e disfunção testicular, também são descritas alterações metabólicas e bioquímicas secundárias associadas ao distúrbio.Assinale a opção que indica, corretamente, uma dessas alterações.
  1. AA redução da adiposidade visceral devido à baixa testosterona.
  2. BO perfil lipídico com redução de LDL e de triglicerídeos e o aumento de HDL.
  3. CO aumento da resistência à insulina e o maior risco de síndrome metabólica.
  4. DO estímulo aumentado da formação óssea como consequência do hipogonadismo.
  5. EA degeneração progressiva dos túbulos seminíferos, associada à disgenesia testicular.
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GabaritoC — O aumento da resistência à insulina e o maior risco de síndrome metabólica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Klinefelter: alterações metabólicas e bioquímicas

Gabarito: letra C. A Síndrome de Klinefelter (cariótipo 47,XXY) cursa com hipogonadismo hipergonadotrófico e está associada a um estado de resistência à insulina e maior risco de síndrome metabólica, condição caracterizada por obesidade central, dislipidemia, hipertensão e glicemia elevada. As demais alternativas invertem ou distorcem as alterações metabólicas e bioquímicas descritas na síndrome.

A Síndrome de Klinefelter é a causa mais comum de hipogonadismo primário (hipergonadotrófico) no homem, resultante da não disjunção cromossômica que gera o cariótipo 47,XXY. Clinicamente, manifesta-se com testículos pequenos e firmes, ginecomastia, azoospermia, proporções eunucoides e elevação de FSH e LH. Além das alterações hormonais clássicas, o paciente com Klinefelter apresenta um conjunto de comorbidades metabólicas que elevam a morbimortalidade cardiovascular.

O ponto central da questão é reconhecer que o hipogonadismo na Síndrome de Klinefelter não se restringe ao eixo reprodutor. A deficiência de testosterona, associada a fatores genéticos e à composição corporal alterada (maior adiposidade, especialmente visceral), contribui para um estado de resistência à insulina. Isso explica a maior prevalência de diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia (com aumento de triglicerídeos e LDL, e redução de HDL) e síndrome metabólica nesses pacientes. A resistência à insulina é definida como a ineficiência da insulina plasmática, em concentrações normais, em promover adequada captação periférica de glicose, suprimir a gliconeogênese hepática e inibir a produção de lipoproteína de muito baixa densidade.

A síndrome metabólica, por sua vez, é uma condição complexa caracterizada pela presença de múltiplos e inter-relacionados fatores de risco para doenças cardiovasculares e diabetes, incluindo glicemia de jejum e triglicerídeos elevados, pressão arterial elevada, HDL baixo e adiposidade central. A Federação Internacional de Diabetes define a síndrome metabólica como a presença de aumento da circunferência da cintura associada a mais dois dos quatro critérios: hipertensão arterial, triglicerídeos e glicose de jejum elevados e diminuição do HDL. É exatamente esse quadro que a alternativa C descreve, tornando-a a correta.

A banca explora a associação automática entre hipogonadismo e baixa testosterona com efeitos que, na verdade, são opostos aos descritos. O candidato que não domina as comorbidades metabólicas da Síndrome de Klinefelter tende a marcar a alternativa A, que inverte o efeito da testosterona sobre a adiposidade. A chave para acertar é lembrar que a baixa testosterona está associada a aumento da adiposidade visceral, e não redução, e que o perfil lipídico típico é aterogênico (LDL e triglicerídeos aumentados, HDL reduzido), não o contrário. Além disso, o hipogonadismo leva a redução da formação óssea (maior risco de osteoporose), e a degeneração dos túbulos seminíferos é uma alteração testicular primária, não uma alteração metabólica ou bioquímica secundária.

Síndrome de Klinefelter (47,XXY)
  • 1Alterações hormonais
    • Hipogonadismo hipergonadotrófico
    • FSH e LH elevados
    • Testosterona baixa
  • 2Alterações metabólicas
    • Resistência à insulina
    • Síndrome metabólica
    • Perfil lipídico aterogênico
      • LDL e triglicerídeos aumentados
      • HDL reduzido
    • Adiposidade visceral aumentada
  • 3Alterações ósseas
    • Redução da formação óssea
    • Osteoporose
  • 4Alterações testiculares
    • Túbulos seminíferos degenerados
    • Azoospermia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que há redução da adiposidade visceral devido à baixa testosterona. O efeito é o oposto: a deficiência de testosterona está associada ao aumento da adiposidade, especialmente a visceral, contribuindo para o risco metabólico. A testosterona tem papel na manutenção da massa magra e na inibição da adipogênese visceral; sua deficiência favorece o acúmulo de gordura central.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Descreve um perfil lipídico protetor: redução de LDL e triglicerídeos e aumento de HDL. Na Síndrome de Klinefelter, o perfil é aterogênico: há tendência a aumento de LDL e triglicerídeos e redução de HDL, em associação com a resistência à insulina e a síndrome metabólica. A alternativa inverte completamente o padrão lipídico esperado.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. A Síndrome de Klinefelter está associada a aumento da resistência à insulina e maior risco de síndrome metabólica. A deficiência de testosterona, a composição corporal alterada (maior adiposidade visceral) e fatores genéticos contribuem para esse estado. A resistência à insulina é um componente central da síndrome metabólica, que reúne obesidade central, dislipidemia, hipertensão e glicemia elevada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que há estímulo aumentado da formação óssea como consequência do hipogonadismo. O efeito é o contrário: a deficiência de testosterona leva à redução da formação óssea e ao aumento da reabsorção, resultando em menor densidade mineral óssea e maior risco de osteoporose. O hipogonadismo é um fator de risco conhecido para osteoporose no homem.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Descreve a degeneração progressiva dos túbulos seminíferos associada à disgenesia testicular. Embora a degeneração dos túbulos seminíferos (hialinização) seja uma alteração testicular característica da Síndrome de Klinefelter, ela é uma alteração estrutural/histológica primária do testículo, não uma alteração metabólica ou bioquímica secundária como pede o enunciado. A questão busca especificamente as alterações metabólicas e bioquímicas associadas ao distúrbio, e não as alterações gonadais diretas.

Gabarito: letra C

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