Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — FGV 2025
- Código
- fg111446
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Residência Multiprofissional - Ciências Biológicas
- Abasófilos.
- Bneutrófilos.
- Clinfócitos B.
- Dmacrófagos.
- Ecélulas dendríticas.
GabaritoE — células dendríticas.
Gabarito: letra E. A resposta imunológica adaptativa à vacina inicia-se quando as células dendríticas — as mais eficientes células apresentadoras de antígenos (APCs) — capturam os antígenos vacinais, processam-nos e os apresentam aos linfócitos T, desencadeando a ativação da imunidade específica. Essa é a função central das células dendríticas, que as distingue das demais células listadas.
A vacina contém antígenos (proteínas virais, no caso da influenza) que, ao serem injetados, são reconhecidos pelo sistema imunológico inato. As células dendríticas, presentes na pele e nas mucosas, são as sentinelas desse sistema: capturam o antígeno, migram para os linfonodos e o apresentam aos linfócitos T virgens, iniciando a resposta adaptativa. Esse processo é chamado de apresentação de antígeno e é o passo crucial para a geração de anticorpos e células de memória — o objetivo final da vacinação.
As células dendríticas são consideradas as APCs mais potentes, pois expressam altos níveis de moléculas do complexo principal de histocompatibilidade (MHC) de classe II e moléculas coestimuladoras, essenciais para a ativação completa dos linfócitos T. Os macrófagos também são APCs, mas sua função principal é a fagocitose e destruição de patógenos; a apresentação de antígeno é secundária. Já os linfócitos B podem apresentar antígenos, mas apenas aqueles que reconhecem especificamente por seus receptores de membrana, e sua função primordial é a produção de anticorpos.
Na prática, quando a criança recebe a vacina contra a gripe, as células dendríticas do tecido subcutâneo capturam os antígenos virais, migram para os linfonodos regionais e apresentam esses antígenos aos linfócitos T CD4+ (auxiliares). Esses, por sua vez, ativam os linfócitos B, que se diferenciam em plasmócitos produtores de anticorpos e em células B de memória. A febre baixa e a irritabilidade observadas são efeitos colaterais comuns da ativação imunológica, mediados por citocinas como a interleucina-1 (IL-1) e o fator de necrose tumoral (TNF), que agem no centro termorregulador hipotalâmico.
A distinção crucial é entre as células que apresentam antígeno (células dendríticas, macrófagos, linfócitos B) e as que respondem ao antígeno apresentado (linfócitos T e B). A questão pergunta especificamente qual célula inicia a resposta pelo reconhecimento e apresentação do antígeno — e essa é a função clássica das células dendríticas, as APCs profissionais por excelência. Basófilos e neutrófilos são células da imunidade inata que atuam na defesa imediata, mas não têm papel relevante na iniciação da resposta adaptativa específica.
Guarde este critério: a célula que captura, processa e apresenta o antígeno para iniciar a resposta adaptativa é a célula dendrítica. É exatamente essa função que as alternativas tentam confundir com outras células do sistema imune.
Os basófilos são granulócitos da imunidade inata envolvidos principalmente em reações alérgicas e na defesa contra parasitas, liberando histamina e outras substâncias vasoativas. Não atuam como células apresentadoras de antígenos e não têm papel na iniciação da resposta adaptativa à vacina.
Os neutrófilos são fagócitos da imunidade inata, a primeira linha de defesa contra bactérias e fungos. Embora fagocitem patógenos, não apresentam antígenos aos linfócitos T de forma eficiente e não são considerados APCs profissionais. Sua função é a destruição direta do invasor, não a iniciação da resposta adaptativa.
Os linfócitos B são células da imunidade adaptativa responsáveis pela produção de anticorpos. Embora possam apresentar antígenos que reconhecem especificamente, essa não é sua função primária, e eles não são as células que iniciam a resposta ao capturar antígenos vacinais. A apresentação de antígeno pelos linfócitos B ocorre após a ativação, como mecanismo de amplificação, não como passo inicial.
Os macrófagos são fagócitos da imunidade inata que também atuam como APCs, mas sua função principal é a destruição intracelular de patógenos. Eles apresentam antígenos de forma menos eficiente que as células dendríticas e não são as células mais importantes na iniciação da resposta adaptativa à vacina. A alternativa confunde a capacidade de apresentar antígeno com a função de iniciar a resposta — papel que cabe às células dendríticas.
As células dendríticas são as APCs mais eficientes e especializadas na captura, processamento e apresentação de antígenos aos linfócitos T, sendo as responsáveis por iniciar a resposta imunológica adaptativa após a vacinação. Elas expressam altos níveis de MHC classe II e moléculas coestimuladoras, o que as torna únicas na ativação de linfócitos T virgens. É exatamente o que o enunciado descreve: o reconhecimento dos antígenos da vacina pelas células dendríticas inicia a resposta imunológica da criança.
A banca explora a confusão entre as células que apresentam antígeno (dendríticas, macrófagos, linfócitos B) e as que respondem a ele (linfócitos T e B). O candidato pode marcar macrófagos por serem fagócitos conhecidos, mas a questão pergunta quem inicia a resposta pelo reconhecimento — e essa é a função clássica das células dendríticas, as APCs profissionais. Lembre-se: macrófago fagocita e destrói; célula dendrítica captura, processa e apresenta para iniciar a resposta adaptativa.
Para questões de imunologia, monte um mapa mental das células do sistema imune: inatas (neutrófilos, macrófagos, células dendríticas, NK, basófilos, eosinófilos) × adaptativas (linfócitos T e B). Dentro das inatas, destaque as APCs (dendríticas, macrófagos, linfócitos B) e, entre elas, a célula dendrítica como a mais potente na iniciação da resposta adaptativa. Esse esquema resolve a maioria das questões sobre o papel das células na vacinação.
Gabarito: letra E — células dendríticas.
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