Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
fg112436
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação - Administração em Saúde
A Federação Internacional de Diabetes publicou, em 7 de abril de 2025, um panorama mundial sobre a doença, no qual o Brasil ocupa o 6° lugar, com 16,6 milhões de casos, um dado bem preocupante. Avalie o caso clínico abaixo:Um paciente de 45 anos, com sobrepeso (IMC = 28kg/m2 ) e história familiar de Diabetes Mellitus tipo 2, apresenta glicemia de jejum de 110 mg/dL e HbA1c de 5,7% em uma avaliação de rotina.A conduta mais apropriada para esse paciente em termos de prevenção e manejo do diabetes é
  1. Ainiciar imediatamente metformina para prevenção do diabetes.
  2. Brecomendar mudanças no estilo de vida.
  3. Crealizar teste de tolerância à glicose de 2 horas (TTOG-2h).
  4. Dconsiderar repetição da glicemia e orientar sobre mudanças do estilo de vida.
  5. Eencaminhar para avaliação com endocrinologista imediatamente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — considerar repetição da glicemia e orientar sobre mudanças do estilo de vida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pré-diabetes: diagnóstico e conduta inicial

Gabarito: letra D. O paciente apresenta glicemia de jejum de 110 mg/dL e HbA1c de 5,7%, ambos dentro da faixa de pré-diabetes (glicemia de jejum 100–125 mg/dL e HbA1c 5,7–6,4%). A conduta apropriada é confirmar o diagnóstico com repetição do exame e orientar mudanças no estilo de vida, que são a intervenção de primeira linha para prevenir a progressão para diabetes mellitus tipo 2. A alternativa D é a única que combina esses dois elementos essenciais.

O pré-diabetes é uma condição intermediária entre a glicemia normal e o diabetes mellitus, caracterizada por níveis glicêmicos acima do normal, mas abaixo dos critérios diagnósticos de diabetes. É um estado de alto risco para progressão para diabetes tipo 2 e também está associado a maior risco cardiovascular. Os critérios diagnósticos atuais, baseados nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes e da American Diabetes Association, são:

Critério

Normal

Pré-diabetes

Diabetes

Glicemia de jejum

< 100 mg/dL

100–125 mg/dL

≥ 126 mg/dL

Glicemia 2h no TOTG

< 140 mg/dL

140–199 mg/dL

≥ 200 mg/dL

HbA1c

< 5,7%

5,7–6,4%

≥ 6,5%

No caso apresentado, o paciente tem glicemia de jejum de 110 mg/dL (pré-diabetes) e HbA1c de 5,7% (limite inferior da faixa de pré-diabetes). Ambos os valores são compatíveis com pré-diabetes, mas é importante confirmar o diagnóstico com a repetição dos exames, pois a glicemia de jejum tem baixa reprodutibilidade e pode sofrer interferências de condições agudas. A HbA1c, embora mais estável, também pode variar.

A conduta de primeira linha para pré-diabetes é a mudança do estilo de vida: dieta saudável, prática regular de atividade física (pelo menos 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada), perda de peso (5–10% do peso corporal) e cessação do tabagismo. Essas intervenções são mais eficazes que a metformina na prevenção do diabetes, como demonstrado em estudos como o Diabetes Prevention Program (DPP). A metformina pode ser considerada em casos selecionados, como pacientes com IMC ≥ 35 kg/m², idade < 60 anos, ou história de diabetes gestacional, mas não é a primeira escolha para todos os pacientes com pré-diabetes.

O teste de tolerância à glicose oral (TOTG-2h) é um exame complementar que pode ser usado para confirmar o diagnóstico de pré-diabetes ou diabetes, mas não é necessário de rotina em todos os pacientes com glicemia de jejum alterada. Ele é mais oneroso, desconfortável e consome mais tempo, e deve ser reservado para casos em que há dúvida diagnóstica ou para rastreamento de diabetes gestacional.

O encaminhamento imediato ao endocrinologista não é necessário para todos os pacientes com pré-diabetes. O manejo inicial pode ser feito na atenção primária, com orientações sobre estilo de vida e acompanhamento periódico. O encaminhamento é indicado em casos de dúvida diagnóstica, dificuldade de controle, ou presença de comorbidades que exijam avaliação especializada.

A pegadinha desta questão está em distinguir a conduta para pré-diabetes da conduta para diabetes estabelecido. No diabetes, a metformina é a primeira linha de tratamento farmacológico, mas no pré-diabetes, a mudança do estilo de vida é a intervenção inicial. Além disso, a alternativa B (apenas mudanças no estilo de vida) está incompleta, pois não menciona a necessidade de confirmar o diagnóstico com a repetição do exame. A alternativa D é a mais completa e apropriada, pois combina a confirmação diagnóstica com a orientação de mudanças no estilo de vida.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Iniciar metformina imediatamente para prevenção do diabetes é prematuro. A metformina é uma opção para prevenção em casos selecionados (IMC ≥ 35 kg/m², idade < 60 anos, história de diabetes gestacional), mas não é a conduta de primeira linha para todos os pacientes com pré-diabetes. A mudança do estilo de vida é a intervenção inicial recomendada, e a metformina só deve ser considerada após avaliação individualizada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Recomendar mudanças no estilo de vida é uma parte correta da conduta, mas a alternativa está incompleta. Antes de iniciar qualquer intervenção, é necessário confirmar o diagnóstico de pré-diabetes com a repetição da glicemia ou outro exame, pois a glicemia de jejum tem baixa reprodutibilidade. A alternativa D é mais completa, pois inclui tanto a confirmação diagnóstica quanto a orientação de mudanças no estilo de vida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Realizar teste de tolerância à glicose de 2 horas (TOTG-2h) é um exame complementar que pode ser útil em casos de dúvida diagnóstica, mas não é a conduta inicial obrigatória para todos os pacientes com glicemia de jejum alterada. O TOTG é mais oneroso, desconfortável e consome mais tempo, e deve ser reservado para situações específicas. A conduta inicial deve ser repetir a glicemia e orientar mudanças no estilo de vida.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta mais apropriada é considerar repetição da glicemia e orientar sobre mudanças do estilo de vida. O paciente tem pré-diabetes (glicemia de jejum 110 mg/dL e HbA1c 5,7%), e o diagnóstico deve ser confirmado com a repetição do exame. A mudança do estilo de vida é a intervenção de primeira linha para prevenir a progressão para diabetes tipo 2, sendo mais eficaz que a metformina. Esta alternativa combina os dois elementos essenciais da conduta correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Encaminhar para avaliação com endocrinologista imediatamente é desnecessário para a maioria dos pacientes com pré-diabetes. O manejo inicial pode ser feito na atenção primária, com orientações sobre estilo de vida e acompanhamento periódico. O encaminhamento é indicado em casos de dúvida diagnóstica, dificuldade de controle, ou presença de comorbidades que exijam avaliação especializada, o que não é o caso deste paciente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a conduta para pré-diabetes e a conduta para diabetes estabelecido. No diabetes, a metformina é a primeira linha de tratamento farmacológico; no pré-diabetes, a mudança do estilo de vida é a intervenção inicial. Além disso, a alternativa B parece correta, mas está incompleta, pois não menciona a necessidade de confirmar o diagnóstico com a repetição do exame. A alternativa D é a mais completa, pois combina a confirmação diagnóstica com a orientação de mudanças no estilo de vida.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de pré-diabetes, lembre-se da sequência: confirmar o diagnóstico (repetir o exame) → mudança do estilo de vida (dieta, atividade física, perda de peso) → considerar metformina em casos selecionados. A metformina nunca é a primeira escolha para todos os pacientes com pré-diabetes.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/fg112436