Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — FGV 2025
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
fg112500
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação - Alergia e Imunologia Pediátrica
De acordo com a Diretriz Internacional de Urticária de 2022, o anticorpo monoclonal anti-IgE omalizumabe é indicado como forma de tratamento de
Aprimeira linha para urticárias agudas.
Bprimeira linha para urticárias crônicas espontâneas, sem falha prévia a anti-histamínicos.
Csegunda linha para urticárias crônicas espontâneas refratárias a doses altas de anti-histamínicos H1 por pelo menos 2-4 semanas.
Dterceira linha para urticárias crônicas espontâneas após falha de anti-histamínicos e ciclosporina.
Emanutenção de longo prazo para todos os tipos de urticária, independentemente da resposta a anti-histamínicos.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — segunda linha para urticárias crônicas espontâneas refratárias a doses altas de anti-histamínicos H1 por pelo menos 2-4 semanas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Urticária crônica espontânea: escalonamento terapêutico e papel do omalizumabe
Gabarito: letra C. Conforme a Diretriz Internacional de Urticária de 2022 (EAACI/GA²LEN/EDF/WAO), o omalizumabe — anticorpo monoclonal anti-IgE — é indicado como segunda linha para urticária crônica espontânea (UCE) refratária a doses altas de anti-histamínicos H1 por pelo menos 2–4 semanas. A alternativa correta espelha exatamente essa posição no algoritmo terapêutico, que começa com anti-histamínicos H1 não sedativos em dose padrão, evolui para dose aumentada (até 4x) e só então acrescenta o omalizumabe.
A urticária é uma doença mastocitária cutânea caracterizada por urticas (pápulas pruriginosas, evanescentes, com halo eritematoso) e/ou angioedema. A classificação temporal é o primeiro passo para guiar a conduta: considera-se aguda a urticária com duração inferior a 6 semanas, e crônica aquela com duração superior a 6 semanas. Essa distinção é crucial porque, na forma aguda, um fator desencadeante presuntivo (fármaco, alimento, infecção, picada de inseto) é frequentemente identificado, e a eliminação da exposição costuma resolver o quadro. Já na forma crônica, em até 80% dos casos não se identifica gatilho — é a chamada urticária crônica espontânea (UCE), cujo manejo é mais complexo e exige escalonamento terapêutico.
O tratamento da UCE segue uma escada bem definida pela diretriz internacional. A primeira linha é o anti-histamínico H1 não sedativo em dose padrão (ex.: cetirizina, loratadina, desloratadina, fexofenadina). Se não houver controle em 2–4 semanas, aumenta-se a dose do mesmo anti-histamínico em até 4 vezes a dose padrão — essa é a segunda etapa, ainda dentro da primeira linha. Persistindo a refratariedade, entra o omalizumabe (anti-IgE) como segunda linha, na dose de 300 mg a cada 4 semanas. A terceira linha é a ciclosporina, reservada para os casos que não respondem ao omalizumabe. Esse escalonamento é progressivo e depende da falha da etapa anterior — não se pula degraus.
A lógica por trás do omalizumabe na UCE é elegante: o anticorpo monoclonal se liga à IgE livre (não ligada ao mastócito), impedindo sua interação com o receptor de alta afinidade FcεRI na superfície dos mastócitos e basófilos. Isso reduz a degranulação dessas células e, consequentemente, a liberação de histamina e outros mediadores vasoativos responsáveis pelas urticas. É um tratamento alvo, que atua na via final comum da doença, independentemente do gatilho inicial — por isso é tão eficaz mesmo na UCE sem causa identificada.
A pegadinha central desta questão é a posição do omalizumabe no algoritmo: muitos candidatos associam "anticorpo monoclonal" a "tratamento avançado" e marcam terceira linha, ou confundem a sequência com a da asma grave (onde o omalizumabe também é usado). Mas na urticária a ordem é: anti-histamínico H1 → dose aumentada → omalizumabe → ciclosporina. O omalizumabe é segunda linha, e a ciclosporina é terceira. Guarde essa escada — é exatamente nela que as alternativas se dividem.
1Anti-histamínico H1 dose padrão
2Dose aumentada (até 4x)
3Omalizumabe (2ª linha)
4Ciclosporina (3ª linha)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o omalizumabe é primeira linha para urticárias agudas. Duplo erro: (1) na urticária aguda, o tratamento de primeira linha é o anti-histamínico H1 não sedativo, e a evitação do fator desencadeante costuma ser suficiente — não há indicação de imunobiológico; (2) o omalizumabe é reservado para a forma crônica espontânea refratária, nunca para a aguda. A banca explora a associação automática entre "anti-IgE" e "primeira linha" para confundir.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o omalizumabe é primeira linha para UCE sem falha prévia a anti-histamínicos. Isso contraria o escalonamento: a diretriz exige que o paciente tenha falhado a anti-histamínicos H1 em dose aumentada (até 4x a dose padrão) por pelo menos 2–4 semanas antes de iniciar o omalizumabe. Usar o imunobiológico como primeira linha, sem tentar a terapia convencional, é conduta inadequada e não prevista. A alternativa inverte a ordem do algoritmo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a posição exata do omalizumabe na Diretriz Internacional de Urticária de 2022: segunda linha para UCE refratária a doses altas de anti-histamínicos H1 por pelo menos 2–4 semanas. O texto da alternativa reproduz fielmente o critério de elegibilidade — refratariedade comprovada à etapa anterior — e a posição no escalonamento. É a única que acerta simultaneamente a linha (segunda) e a condição (falha prévia a anti-histamínicos em dose alta por 2–4 semanas).
Alternativa D — ❌ Incorreta
Coloca o omalizumabe como terceira linha, após falha de anti-histamínicos e ciclosporina. A ordem está invertida: o omalizumabe vem antes da ciclosporina. A sequência correta é anti-histamínico H1 (dose padrão → dose aumentada) → omalizumabe → ciclosporina. A ciclosporina é a terceira linha, reservada para os casos refratários ao omalizumabe. A banca troca a posição dos dois imunossupressores/imunobiológicos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o omalizumabe é manutenção de longo prazo para todos os tipos de urticária, independentemente da resposta a anti-histamínicos. Erro em dois pontos: (1) o omalizumabe não é indicado para "todos os tipos" — é específico para UCE refratária; urticárias induzidas (físicas, colinérgicas etc.) são tratadas prioritariamente com evitação do desencadeante e anti-histamínicos; (2) a indicação depende sim da resposta a anti-histamínicos — é justamente a falha a eles que define a elegibilidade. A generalização "todos os tipos" e "independentemente" torna a alternativa incorreta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter a escada terapêutica da UCE. O candidato que decora "omalizumabe = anti-IgE = tratamento moderno" tende a marcá-lo como terceira linha (letra D) ou como primeira (letra B). Mas a ordem é rígida: anti-histamínico H1 → dose aumentada → omalizumabe (2ª linha) → ciclosporina (3ª linha). Na dúvida, pergunte-se: "o paciente já falhou a quê?" — se não falhou a anti-histamínico em dose alta por 2–4 semanas, o omalizumabe não entra. Com treino, você enxerga essa troca de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar a escada, monte mentalmente a sequência com os prazos: anti-histamínico H1 dose padrão → se falhar em 2–4 semanas, aumentar até 4x → se ainda refratário, omalizumabe 300 mg SC a cada 4 semanas → se falhar, ciclosporina. Decore a ordem e o prazo de 2–4 semanas — são os dois detalhes que a FGV mais cobra. E lembre: urticária aguda nunca recebe imunobiológico; é anti-histamínico + evitação do gatilho.