Questão de Medicina — Alergia e Imunologia — FGV 2025
Medicina›Alergia e Imunologia
Código
fg112501
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação - Alergia e Imunologia Pediátrica
Na hanseníase multibacilar, a reação reversa (também chamada reação tipo 1) resulta de uma mudança do perfil de resposta imune, caracterizada principalmente pela ativação das seguintes células:
Alinfócitos Th0, Th2 e plasmócitos.
Blinfócitos Th1, Th2 e plasmócitos.
Clinfócitos Th2, Th17 e plasmócitos.
Dlinfócitos Th1, Th17 e células T citotóxicas.
Elinfócitos Th2, plasmócitos e células T citotóxicas.
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GabaritoD — linfócitos Th1, Th17 e células T citotóxicas.
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Hanseníase multibacilar: imunopatologia da reação reversa (tipo 1)
Gabarito: letra D. A reação reversa (tipo 1) na hanseníase multibacilar é uma resposta de hipersensibilidade tardia (tipo IV) mediada por células, caracterizada pela ativação de linfócitos Th1, Th17 e células T citotóxicas (CD8+). Essa mudança no perfil imune — de uma resposta predominantemente Th2 (associada à forma multibacilar não reacional) para uma resposta Th1/Th17 — é o que desencadeia a inflamação aguda nos nervos e na pele.
A hanseníase é uma doença de espectro imunológico: no polo tuberculoide (paucibacilar), predomina a resposta Th1 (IL-2, IFN-γ), que ativa macrófagos M1 e controla a proliferação bacilar; no polo virchowiano (multibacilar), predomina a resposta Th2 (IL-4, IL-5, IL-10), que inibe a atividade microbicida dos macrófagos e favorece a multiplicação do M. leprae. A reação reversa ocorre quando há uma inversão desse equilíbrio — o paciente multibacilar, que estava em estado de energia relativa (Th2), passa a montar uma resposta inflamatória celular intensa (Th1/Th17), com participação de linfócitos T citotóxicos. Essa resposta é direcionada contra antígenos do bacilo presentes nos nervos periféricos e na pele, causando as manifestações clínicas da reação.
O contexto imunológico da doença é descrito da seguinte forma: enquanto as citocinas IL-2 e IFN-γ (Th1) promovem a diferenciação de macrófagos para o fenótipo microbicida (M1), as citocinas IL-4, IL-5 e IL-10 (Th2) inibem essa função. Mais recentemente, destacou-se também a importância da ativação de células T do tipo Th17 na indução da resposta inflamatória e ativação dos macrófagos. A reação reversa, portanto, representa uma mudança do perfil de resposta imune — exatamente o que o enunciado descreve — com ativação de células efetoras da imunidade celular.
A distinção crucial é entre a resposta imune basal da forma multibacilar (Th2, com produção de anticorpos ineficazes) e a resposta imune da reação reversa (Th1/Th17, com inflamação celular). As alternativas que incluem plasmócitos ou linfócitos Th2 descrevem o perfil da doença multibacilar sem reação, não o perfil da reação tipo 1. A pegadinha da banca está em confundir o perfil imune da doença de base com o perfil da reação — são momentos imunológicos distintos do mesmo paciente.
Guarde a fronteira: reação tipo 1 = imunidade celular (Th1/Th17/CTL); reação tipo 2 (eritema nodoso hansênico) = imunidade humoral (Th2, com deposição de imunocomplexos). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Hanseníase: espectro imunológico: Paucibacilar (tuberculoide) (Resposta Th1 (IL-2, IFN-γ), Controle bacilar); Multibacilar (virchowiano) (Resposta Th2 (IL-4, IL-5, IL-10), Multiplicação do M. leprae); Reação reversa (tipo 1) (Mudança Th2 → Th1/Th17, Ativação de células T citotóxicas (CD8+), Hipersensibilidade tardia (tipo IV)); Reação tipo 2 (eritema nodoso) (Imunidade humoral (Th2), Deposição de imunocomplexos)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Inclui linfócitos Th0, Th2 e plasmócitos. O perfil Th2/plasmócitos é característico da forma multibacilar sem reação — a resposta humoral com produção de anticorpos não é eficaz contra o M. leprae e não participa da reação reversa. A reação tipo 1 é mediada por células, não por anticorpos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Inclui linfócitos Th1, Th2 e plasmócitos. Embora a reação reversa envolva Th1, a presença de Th2 e plasmócitos remete ao perfil humoral da doença de base, não à resposta inflamatória celular da reação. A reação tipo 1 é caracterizada pela ativação de células T efetoras (Th1, Th17 e CTL), não pela resposta humoral.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Inclui linfócitos Th2, Th17 e plasmócitos. A presença de Th2 e plasmócitos descreve o perfil da hanseníase multibacilar não reacional. Embora Th17 participe da reação, a alternativa omite as células Th1 e as células T citotóxicas, que são componentes essenciais da resposta imune celular na reação tipo 1.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A reação reversa (tipo 1) é uma hipersensibilidade tardia (tipo IV), mediada por células, com ativação de linfócitos Th1 (produtores de IFN-γ, que ativam macrófagos M1), linfócitos Th17 (indutores de resposta inflamatória) e células T citotóxicas (CD8+). Essa combinação reflete a mudança do perfil imune de Th2 para Th1/Th17, que é a base fisiopatológica da reação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Inclui linfócitos Th2, plasmócitos e células T citotóxicas. A presença de Th2 e plasmócitos remete à resposta humoral da doença de base, não à reação celular. Embora as células T citotóxicas participem da reação, a alternativa descreve um perfil misto que não corresponde à reação tipo 1, que é predominantemente Th1/Th17.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o perfil imune da hanseníase multibacilar sem reação (Th2, com plasmócitos e anticorpos ineficazes) e o perfil da reação reversa (Th1/Th17, com células T citotóxicas). O candidato que associa "multibacilar" automaticamente a Th2 cai nas alternativas A, B, C ou E. Lembre-se: a reação tipo 1 é uma virada para a imunidade celular — é isso que causa a inflamação aguda nos nervos.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as reações na hanseníase, use o critério do tipo de resposta imune: reação tipo 1 (reversa) = celular (Th1/Th17/CTL); reação tipo 2 (eritema nodoso) = humoral (Th2/imunocomplexos). Na prova, se a alternativa trouxer plasmócitos ou Th2, ela descreve a doença de base, não a reação reversa.