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Questão de Medicina — Nefrologia — FGV 2025

MedicinaNefrologia
Código
fg112595
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Área de Atuação - Cardiologia Pediátrica
Paciente masculino, 5 anos de idade, história de hidronefrose bilateral detectada no pré‑natal. Realizou ablação endoscópica de válvula de uretra posterior (VUP) com 10 dias de vida. Evoluiu com infecções urinárias de repetição no 1º ano, tratadas ambulatorialmente. Está em seguimento nefrológico.Nas últimas consultas, os pais relatam poliúria (4,2 L/m²/dia), noctúria, atraso de crescimento (P < p3) e episódios de urgência miccional. Exame físico: PA 112/70 mmHg (p95 para idade/estatura), peso 14 kg, estatura 96 cm. Abdome sem massas; bexiga não palpável pós‑micção. Laboratório: creatinina 1,2 mg/dL (eTFG 42 mL/min/1,73 m²), ureia 58 mg/dL, bicarbonato 18 mEq/L, potássio 4,9 mEq/L. Urina de 24 h: proteinúria 240 mg/m²/dia. US recente: rins diminuídos (comprimento 6,5 cm; z‑score –2), córtico‑medular hiperecogênica; bexiga com parede espessada (6 mm) e volume residual 50 mL. O paciente utilizava sulfametoxazol‑trimetoprima profilática desde o primeiro ano, suspensa há 4 meses. Não faz cateterismo intermitente.Com base no quadro atual e visando retardar a progressão da insuficiência renal crônica, a conduta imediata a ser tomada é
  1. Arealizar estudo urodinâmico e iniciar terapia de baixa pressão vesical (antimuscarínico + cateterismo vesical intermitente), além de alcalinização oral.
  2. Baumentar ingestão proteica para 2,5 g/kg/dia e suplementar creatina para otimizar ganho ponderal.
  3. Cintroduzir furosemida em altas doses para reduzir poliúria e prevenir sobrecarga de volume.
  4. Dencaminhar para hemodiálise imediata, pois a taxa de filtração glomerular < 45 mL/min/1,73 m² é indicação absoluta.
  5. Emanter observação expectante até que eTFG caia abaixo de 30 mL/min/1,73 m² e então listar para transplante renal.
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GabaritoA — realizar estudo urodinâmico e iniciar terapia de baixa pressão vesical (antimuscarínico + cateterismo vesical intermitente), além de alcalinização oral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Válvula de uretra posterior e doença renal crônica: manejo da bexiga de alta pressão

Gabarito: letra A. O paciente apresenta doença renal crônica (DRC) estágio 4 (eTFG 42 mL/min/1,73 m²) secundária a válvula de uretra posterior (VUP), com sinais de bexiga de alta pressão (poliúria, urgência, parede espessada, volume residual) e acidose metabólica. A conduta imediata para retardar a progressão da DRC é realizar estudo urodinâmico e iniciar terapia de baixa pressão vesical (antimuscarínico + cateterismo vesical intermitente), além de alcalinização oral — essa é a abordagem que ataca diretamente o mecanismo fisiopatológico da lesão renal progressiva nesses pacientes.

A válvula de uretra posterior é uma obstrução congênita do trato urinário inferior que, mesmo após ablação endoscópica, deixa sequelas funcionais na bexiga — a chamada "bexiga de válvula". O problema central não é mais a obstrução anatômica, mas a disfunção vesical de alta pressão: a bexiga torna-se pouco complacente, com paredes espessadas e capacidade reduzida, gerando pressões elevadas durante o enchimento e o esvaziamento. Essas altas pressões são transmitidas retrogradamente ao trato urinário superior, causando dano renal progressivo mesmo sem obstrução mecânica residual. É exatamente isso que o caso demonstra: rins diminuídos (z-score –2), córtico-medular hiperecogênica, bexiga com parede espessada (6 mm) e volume residual de 50 mL — o conjunto clássico de bexiga de alta pressão com refluxo e deterioração renal.

A poliúria de 4,2 L/m²/dia nesse contexto não é um problema de "excesso de água" a ser tratado com diurético, mas sim a consequência da perda da capacidade de concentração urinária — os túbulos renais danificados pela pressão retrógrada não conseguem reabsorver água adequadamente. O tratamento com furosemida (alternativa C) seria não apenas ineficaz, mas potencialmente prejudicial, pois reduziria ainda mais o volume intravascular e poderia agravar a hipoperfusão renal. Da mesma forma, a suplementação de creatina (alternativa B) é contraindicada em DRC por ser nefrotóxica, e o aumento proteico para 2,5 g/kg/dia excede as recomendações para DRC (que preconizam restrição proteica moderada, em torno de 0,8–1,0 g/kg/dia em estágios avançados).

A acidose metabólica (bicarbonato 18 mEq/L) é uma complicação frequente da DRC e contribui para a progressão da doença — daí a necessidade de alcalinização oral com bicarbonato de sódio ou citrato, mantendo o bicarbonato sérico acima de 22 mEq/L. O estudo urodinâmico é essencial para caracterizar o padrão de disfunção vesical (complacência, pressão de enchimento, capacidade) e guiar a terapia: antimuscarínicos (como oxibutinina) reduzem a pressão vesical durante o enchimento, e o cateterismo vesical intermitente limpo garante esvaziamento completo em intervalos regulares, evitando o acúmulo de urina e a elevação pressórica. Essa combinação — "terapia de baixa pressão vesical" — é a pedra angular do manejo da bexiga de válvula para proteger o trato urinário superior.

A alternativa D (hemodiálise imediata) é um erro grave: eTFG de 42 mL/min/1,73 m² corresponde a DRC estágio 4, mas a indicação de terapia renal substitutiva não é automática nesse nível — ela depende de sintomas urêmicos, hipercalemia refratária, sobrecarga de volume ou desnutrição, que não estão presentes. A alternativa E (observação expectante até eTFG < 30) também está incorreta, pois a conduta ativa de proteção vesical deve ser iniciada imediatamente, independentemente do estágio da DRC — esperar passivamente permitiria a progressão do dano renal. A chave da questão é reconhecer que, em pacientes com VUP, a proteção do trato urinário superior é a prioridade máxima, e isso se faz com manejo urológico agressivo da bexiga, não com medidas paliativas ou expectantes.

  1. 1Estudo urodinâmico
  2. 2Antimuscarínico + cateterismo
  3. 3Alcalinização oral
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta correta e completa. O estudo urodinâmico é o exame que define o padrão de disfunção vesical (complacência, pressão de enchimento, capacidade cistométrica) e orienta a terapia. A combinação de antimuscarínico + cateterismo vesical intermitente constitui a "terapia de baixa pressão vesical", que visa reduzir a pressão intravesical durante o enchimento e garantir esvaziamento completo, prevenindo a transmissão retrógrada de pressão aos rins. A alcalinização oral trata a acidose metabólica (bicarbonato 18 mEq/L), que é um fator independente de progressão da DRC. Todos os elementos da alternativa são necessários e complementares para retardar a progressão da insuficiência renal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Aumentar a ingestão proteica para 2,5 g/kg/dia é contraindicado em DRC — as diretrizes recomendam restrição proteica moderada (0,8–1,0 g/kg/dia em estágios 3–5) para reduzir a carga de filtração glomerular e retardar a progressão. Além disso, a suplementação de creatina é nefrotóxica e absolutamente proibida em pacientes com DRC, pois pode acelerar a deterioração da função renal. O ganho ponderal deve ser buscado com aporte calórico adequado (carboidratos e lipídios), não com excesso proteico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A furosemida em altas doses é um erro fisiopatológico. A poliúria nesse paciente é consequência da perda da capacidade de concentração urinária pelos túbulos danificados, não de sobrecarga de volume. Administrar diurético de alça reduziria o volume intravascular, podendo causar hipoperfusão renal e agravar a DRC. Além disso, o paciente não apresenta sinais de hipervolemia (PA no p95, sem edema descrito). A furosemida não trata a causa da poliúria e pode ser prejudicial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A eTFG de 42 mL/min/1,73 m² (DRC estágio 4) não é indicação absoluta de hemodiálise. A terapia renal substitutiva é indicada quando há sintomas urêmicos (pericardite, encefalopatia, náuseas refratárias), hipercalemia refratária, acidose refratária, sobrecarga de volume não controlada ou desnutrição — nenhum desses está presente. O paciente está assintomático do ponto de vista urêmico, com potássio 4,9 mEq/L (limítrofe, mas não crítico) e acidose leve (bicarbonato 18 mEq/L) que pode ser corrigida com alcalinização oral. Iniciar hemodiálise nesse momento seria precipitado e privaria o paciente de medidas conservadoras eficazes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A observação expectante é inadequada. O paciente já apresenta sinais claros de bexiga de alta pressão (parede espessada, volume residual, urgência) e DRC estabelecida — esperar passivamente até eTFG < 30 permitiria a progressão do dano renal, possivelmente irreversível. A conduta ativa de proteção vesical (estudo urodinâmico + terapia de baixa pressão) deve ser iniciada imediatamente, independentemente do estágio da DRC, pois é a única forma de retardar a progressão. Listar para transplante renal precocemente também não é indicado sem antes otimizar o manejo clínico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre "poliúria" e "diurético" (alternativa C) e entre "eTFG baixa" e "hemodiálise" (alternativa D). O candidato que não reconhece que a poliúria aqui é por perda de concentração (não por excesso de volume) e que DRC estágio 4 não é indicação automática de diálise cai nas armadilhas. A chave é pensar sempre na fisiopatologia: a lesão renal progressiva na VUP é causada pela alta pressão vesical retrógrada — tratar a bexiga é proteger o rim.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de VUP com DRC, memorize a tríade de manejo: (1) estudo urodinâmico para caracterizar a disfunção vesical; (2) terapia de baixa pressão (antimuscarínico + cateterismo intermitente); (3) alcalinização oral para acidose. Essa combinação é a resposta clássica da banca. E lembre: poliúria em DRC = perda de concentração, nunca indica diurético.

Gabarito: letra A

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