Questão de Medicina — Nefrologia — FGV 2025
- Código
- fg113261
- Banca
- FGV
- Órgão
- EBSERH
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Área de Atuação - Medicina Intensiva Pediátrica
- Alinezolida.
- Bmoxifloxacina.
- Ccefazolina.
- Dclindamicina.
- Eceftriaxona.
GabaritoC — cefazolina.
Gabarito: letra C. Na fase 5 da doença renal crônica (DRC), a cefazolina — um antibiótico β-lactâmico de eliminação predominantemente renal — necessita de ajuste de dose, diferentemente da linezolida, moxifloxacina, clindamicina e ceftriaxona, que possuem eliminação hepática ou mista e não exigem ajuste na insuficiência renal. A regra geral é: antibióticos com excreção renal significativa (como cefalosporinas de primeira geração, penicilinas, carbapenêmicos, vancomicina, aminoglicosídeos) requerem redução de dose ou aumento do intervalo conforme a função renal, enquanto aqueles com metabolismo hepático predominante (linezolida, moxifloxacina, clindamicina) ou com dupla via de eliminação compensatória (ceftriaxona) podem ser usados em doses usuais.
A doença renal crônica é definida pela presença de alterações estruturais ou funcionais dos rins por mais de três meses, com implicações na depuração de fármacos. A fase 5 corresponde ao estágio mais avançado, com taxa de filtração glomerular (TFG) inferior a 15 mL/min/1,73 m², frequentemente em terapia renal substitutiva (diálise ou transplante). Nesse cenário, a farmacocinética dos medicamentos é profundamente alterada: a excreção renal de fármacos e metabólitos ativos fica comprometida, podendo levar ao acúmulo e à toxicidade se as doses não forem ajustadas. Por outro lado, a diálise pode remover parte do fármaco, exigindo reposição de dose após a sessão, dependendo das características do medicamento (peso molecular, volume de distribuição, ligação proteica).
A decisão de ajustar ou não a dose de um antibiótico na DRC depende fundamentalmente da via de eliminação predominante do fármaco. Antibióticos com excreção renal >50% da dose administrada, como a cefazolina, exigem ajuste proporcional à TFG. Já fármacos com eliminação hepática predominante, como a linezolida (metabolizada por oxidação hepática), a moxifloxacina (metabolização hepática e excreção biliar) e a clindamicina (metabolismo hepático com excreção biliar), não necessitam de ajuste de dose na insuficiência renal, embora a segurança em insuficiência hepática grave deva ser avaliada. A ceftriaxona, embora seja uma cefalosporina, possui dupla via de eliminação (renal e biliar), o que permite seu uso sem ajuste de dose mesmo em pacientes com DRC avançada, desde que não haja disfunção hepática concomitante.
Na prática clínica, o ajuste de dose pode ser feito de duas formas: reduzindo a dose individual mantendo o intervalo usual, ou mantendo a dose e aumentando o intervalo entre as administrações. Para a cefazolina, por exemplo, em pacientes com TFG <10 mL/min, a dose usual de 1-2 g a cada 8 horas pode ser ajustada para 1-2 g a cada 24-48 horas, ou reduzida conforme protocolos institucionais. É essencial monitorar a função renal e, quando possível, realizar dosagem sérica do fármaco (terapia farmacocinética monitorizada) para otimizar a eficácia e minimizar a toxicidade.
A pegadinha desta questão está em associar automaticamente "cefalosporina" a "ajuste renal obrigatório". Embora a maioria das cefalosporinas exija ajuste, a ceftriaxona é uma exceção notável devido à sua eliminação biliar compensatória. Da mesma forma, a linezolida, apesar de ser um antibiótico com boa penetração em tecidos e usado em infecções graves, não é eliminada significativamente pelos rins, dispensando ajuste na DRC. O candidato que memoriza apenas a classe farmacológica sem considerar a farmacocinética individual de cada fármaco tende a errar.
Guarde o critério decisivo: a via de eliminação predominante do fármaco. É exatamente essa distinção que separa a cefazolina (renal → ajuste) das demais alternativas (hepática ou mista → sem ajuste).
A linezolida é um antibiótico oxazolidinona com metabolismo hepático predominante (oxidação hepática) e excreção renal apenas de metabólitos inativos. Não requer ajuste de dose na insuficiência renal, mesmo na fase 5 da DRC. O erro da alternativa está em sugerir que ela precisaria de ajuste, quando na verdade sua eliminação independe da função renal.
A moxifloxacina é uma fluoroquinolona com metabolização hepática e excreção biliar, sendo eliminada principalmente pelas fezes. Não necessita de ajuste de dose na DRC, incluindo pacientes em diálise. A alternativa erra ao indicar ajuste para um fármaco de eliminação não renal.
A cefazolina é uma cefalosporina de primeira geração com excreção predominantemente renal (mais de 80% da dose é eliminada inalterada pelos rins). Na fase 5 da DRC, há acúmulo significativo do fármaco, com risco de toxicidade (neurotoxicidade, convulsões) se a dose não for ajustada. Portanto, é o antibiótico que necessita de ajuste de dose entre as opções listadas.
A clindamicina é uma lincosamida com metabolismo hepático e excreção biliar, não sendo eliminada significativamente pelos rins. Não requer ajuste de dose na insuficiência renal, mesmo na fase 5 da DRC. A alternativa erra ao sugerir ajuste para um fármaco de eliminação hepática.
A ceftriaxona é uma cefalosporina de terceira geração com dupla via de eliminação: renal (cerca de 33-67%) e biliar. Devido à compensação biliar, não necessita de ajuste de dose na DRC, mesmo em estágio avançado, desde que a função hepática esteja preservada. A alternativa erra ao ignorar essa via alternativa de eliminação.
Gabarito: letra C — a cefazolina é o único antibiótico entre as opções que exige ajuste de dose na fase 5 da doença renal crônica, por sua eliminação predominantemente renal.
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