Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2025
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
fg114203
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Durante uma colecistectomia laparoscópica eletiva, o residente responsável pela checagem pré-operatória nota que o prontuário não contém informações sobre alergias medicamentosas, e o paciente menciona, já na sala de cirurgia, ter tido, em situação anterior, uma reação à penicilina. O anestesiologista também observa que a profilaxia antibiótica foi prescrita com cefazolina.Diante dessa situação, a conduta mais apropriada, dentro dos princípios de segurança do paciente em cirurgia, é
Aprosseguir com o antibiótico prescrito, pois a cefazolina raramente causa reação cruzada com penicilina.
Bsubstituir a cefazolina por clindamicina, sem necessidade de notificação formal, pois o problema foi identificado antes da administração.
Cadministrar um anti-histamínico profilático e manter o antibiótico conforme prescrição.
Dinterromper o procedimento até que seja realizada a verificação completa da alergia, e registrar formalmente o evento como desvio de segurança.
Esolicitar que o residente anote a alergia no prontuário e prossiga com o antibiótico, pois a profilaxia deve ser administrada antes da indução anestésica.
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GabaritoB — substituir a cefazolina por clindamicina, sem necessidade de notificação formal, pois o problema foi identificado antes da administração.
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Segurança do paciente em cirurgia: alergia à penicilina e profilaxia antibiótica
Gabarito: letra B. Diante de uma alergia à penicilina identificada tardiamente, a conduta mais apropriada é substituir a cefazolina por clindamicina, sem necessidade de notificação formal, pois o problema foi identificado antes da administração. Isso porque a cefazolina, uma cefalosporina, pode causar reação cruzada com penicilina, especialmente em reações de hipersensibilidade imediata, e a segurança do paciente exige a confirmação da alergia antes de prosseguir com o antibiótico.
A situação descrita envolve um dos pilares da segurança do paciente: a identificação correta de alergias medicamentosas antes da administração de qualquer fármaco. O prontuário incompleto e a informação tardia do paciente sobre a reação à penicilina configuram um desvio de segurança que precisa ser tratado com rigor. A conduta não pode ser simplesmente prosseguir com o antibiótico prescrito, pois a cefazolina pertence à classe das cefalosporinas, que compartilham o anel betalactâmico com as penicilinas. Embora a reação cruzada seja rara, ela é possível e pode ser grave, especialmente em pacientes com histórico de reação imediata (urticária, angioedema ou anafilaxia).
A profilaxia antibiótica em cirurgia é uma medida importante para prevenir infecção do sítio cirúrgico, mas a escolha do antibiótico deve considerar o histórico de alergia do paciente. No caso de alergia à penicilina, as diretrizes recomendam a substituição por um antibiótico de outra classe, como a clindamicina, que não apresenta reação cruzada com penicilinas. A clindamicina é uma lincosamida, com mecanismo de ação distinto dos betalactâmicos, e é uma opção segura e eficaz para profilaxia em pacientes alérgicos à penicilina.
A identificação da alergia antes da administração do antibiótico é crucial. Neste caso, o problema foi identificado antes da administração, o que permite a substituição do antibiótico sem a necessidade de notificação formal como desvio de segurança. A notificação formal seria necessária se o antibiótico tivesse sido administrado e causado uma reação adversa. Como a identificação foi precoce, a conduta correta é substituir o antibiótico e prosseguir com o procedimento, garantindo a segurança do paciente.
A banca explora a confusão entre a necessidade de notificação formal e a conduta clínica adequada. A notificação formal é um processo administrativo para registrar eventos adversos ou desvios de segurança que já ocorreram. Neste caso, como o problema foi identificado antes da administração, não há evento adverso a ser notificado. A conduta correta é a substituição do antibiótico, que resolve o problema de forma imediata e segura.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a escolher a alternativa D, que sugere interromper o procedimento e registrar formalmente o evento como desvio de segurança. No entanto, a interrupção do procedimento é desnecessária, pois o problema foi identificado antes da administração do antibiótico. A notificação formal é um processo administrativo para registrar eventos adversos que já ocorreram, não para prevenir a administração de um medicamento. A conduta correta é substituir o antibiótico e prosseguir com o procedimento, garantindo a segurança do paciente.
Alergia à penicilina em cirurgia: Cefazolina (cefalosporina) (Reação cruzada possível, Pode ser grave); Conduta correta (Substituir por clindamicina, Identificação precoce → sem notificação formal); Condutas incorretas (Manter cefazolina, Anti-histamínico profilático, Interromper procedimento, Anotar e prosseguir)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que se deve prosseguir com o antibiótico prescrito, pois a cefazolina raramente causa reação cruzada com penicilina. Embora a reação cruzada seja rara, ela é possível e pode ser grave, especialmente em pacientes com histórico de reação imediata. A conduta correta é substituir o antibiótico, não prosseguir com o mesmo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta correta é substituir a cefazolina por clindamicina, sem necessidade de notificação formal, pois o problema foi identificado antes da administração. A clindamicina é uma opção segura e eficaz para profilaxia em pacientes alérgicos à penicilina, e a identificação precoce do problema permite a substituição sem a necessidade de notificação formal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Administrar um anti-histamínico profilático e manter o antibiótico conforme prescrição não é a conduta correta. O anti-histamínico não previne a reação cruzada entre cefazolina e penicilina, e a manutenção do antibiótico prescrito pode causar uma reação adversa grave. A conduta correta é substituir o antibiótico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Interromper o procedimento até que seja realizada a verificação completa da alergia e registrar formalmente o evento como desvio de segurança é uma conduta excessiva. O problema foi identificado antes da administração, e a substituição do antibiótico é suficiente para garantir a segurança do paciente. A interrupção do procedimento é desnecessária e a notificação formal não é necessária, pois não houve evento adverso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Solicitar que o residente anote a alergia no prontuário e prossiga com o antibiótico, pois a profilaxia deve ser administrada antes da indução anestésica, não é a conduta correta. A anotação da alergia no prontuário é importante, mas não é suficiente para garantir a segurança do paciente. A cefazolina pode causar reação cruzada com penicilina, e a conduta correta é substituir o antibiótico.