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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
fg114204
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Um cirurgião realiza uma colectomia laparoscópica em um paciente com adenocarcinoma de cólon. Durante o procedimento, utiliza um instrumento de energia para dissecção e selagem vascular. Após o caso, o residente pergunta sobre as diferenças entre os dispositivos de energia disponíveis e os cuidados necessários no seu uso.Assinale a afirmativa correta, a respeito do princípio e da aplicação clínica dos principais instrumentos de energia em cirurgia.
  1. AO bisturi harmônico utiliza corrente elétrica de alta frequência que causa desnaturação proteica por calor direto, com temperaturas superiores a 400 oC.
  2. BO bisturi elétrico monopolar é mais seguro em cavidades fechadas do que o bipolar, pois a corrente elétrica percorre menor distância entre os eletrodos.
  3. COs dispositivos de energia bipolar avançada (como LigaSure®) selam vasos de até 7 mm por meio de desidratação do colágeno e elastina com controle automático de energia.
  4. DO laser de CO₂ é frequentemente utilizado para selagem de vasos profundos em laparoscopia devido à sua alta penetração tecidual.
  5. EO uso de energia ultrassônica não causa liberação de fumaça cirúrgica, pois não há vaporização tecidual.
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GabaritoC — Os dispositivos de energia bipolar avançada (como LigaSure®) selam vasos de até 7 mm por meio de desidratação do colágeno e elastina com controle automático de energia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Instrumentos de energia em cirurgia: princípios e aplicação clínica

Gabarito: letra C. Os dispositivos de energia bipolar avançada, como o LigaSure®, selam vasos de até 7 mm por meio da desidratação do colágeno e elastina, com controle automático de energia — essa é a descrição fiel do mecanismo de ação desses instrumentos. As demais alternativas distorcem o princípio físico de funcionamento de cada dispositivo, trocando o mecanismo de ação, a temperatura, a segurança ou a aplicação clínica.

A questão cobra o conhecimento dos principais instrumentos de energia utilizados em cirurgia, especialmente em procedimentos laparoscópicos como a colectomia. Cada dispositivo — bisturi elétrico (monopolar e bipolar), bisturi harmônico (ultrassônico), energia bipolar avançada e laser — opera por um princípio físico distinto, e é exatamente essa distinção que a banca explora. Vamos entender cada um.

O bisturi elétrico (eletrocirurgia) utiliza corrente elétrica de alta frequência para gerar calor. No modo monopolar, a corrente flui do eletrodo ativo (a ponta do instrumento) através do corpo do paciente até um eletrodo de dispersão (placa) colocado na pele. No modo bipolar, a corrente flui apenas entre as duas pontas do instrumento, que ficam próximas uma da outra, sem passar pelo corpo do paciente. Essa diferença é crucial para a segurança: o monopolar tem maior risco de queimaduras em locais distantes do sítio cirúrgico (por exemplo, em cavidades fechadas, onde a corrente pode se dispersar), enquanto o bipolar é mais seguro por confinar a corrente a uma área pequena.

O bisturi harmônico (energia ultrassônica) não utiliza corrente elétrica. Ele vibra em alta frequência (cerca de 55.000 Hz), gerando calor por fricção mecânica entre as moléculas de água do tecido. Essa vibração causa desnaturação proteica e coagulação, mas a temperatura atingida é relativamente baixa (entre 50°C e 100°C), muito inferior aos 400°C citados na alternativa A. Além disso, por não passar corrente elétrica pelo paciente, o risco de lesão térmica lateral é menor.

A energia bipolar avançada (LigaSure®, Enseal®, etc.) combina a corrente bipolar com pressão mecânica. O instrumento comprime o vaso entre suas garras e aplica energia de forma controlada, desidratando o colágeno e a elastina da parede vascular, que se fundem e formam uma selagem permanente. O controle automático de energia interrompe a aplicação quando a selagem está completa, evitando dano térmico excessivo. Esses dispositivos são capazes de selar vasos de até 7 mm de diâmetro, o que os torna extremamente úteis em cirurgias como a colectomia, onde é necessário ligar vasos de médio calibre.

O laser de CO₂, por sua vez, tem alta precisão e é utilizado para corte e vaporização de tecidos superficiais, mas tem baixa penetração tecidual (cerca de 0,1 mm). Por isso, não é adequado para selagem de vasos profundos, como afirma a alternativa D. Na laparoscopia, o laser de CO₂ é pouco utilizado, sendo mais comum em procedimentos de superfície (dermatológicos, ginecológicos, etc.).

Por fim, é importante destacar que todos os dispositivos de energia que vaporizam tecido — incluindo o ultrassônico — produzem fumaça cirúrgica (aerossol). Essa fumaça contém partículas, gases tóxicos e até material biológico, e deve ser evacuada do campo cirúrgico. A alternativa E, que nega a produção de fumaça pelo bisturi harmônico, está incorreta.

A pegadinha central desta questão é a troca de mecanismos de ação entre os dispositivos. A banca mistura as características de um com as de outro, e o candidato que não domina o princípio físico de cada um acaba caindo em uma das alternativas incorretas. Guarde a tabela abaixo:

Dispositivo

Princípio físico

Temperatura

Selagem de vasos

Fumaça cirúrgica

Bisturi elétrico monopolar

Corrente elétrica de alta frequência

> 100°C (até 400°C)

Sim, mas com dano térmico lateral

Sim

Bisturi elétrico bipolar

Corrente elétrica entre duas pontas

> 100°C

Sim, mais seguro que monopolar

Sim

Bisturi harmônico (ultrassônico)

Vibração mecânica de alta frequência

50–100°C

Sim, vasos até 5 mm

Sim

Energia bipolar avançada (LigaSure®)

Corrente bipolar + pressão

< 100°C

Sim, vasos até 7 mm

Sim

Laser de CO₂

Luz de alta energia

Muito alta

Não (baixa penetração)

Sim

Agora, vamos analisar cada alternativa em detalhe.

Instrumentos de energia
  • 1Bisturi elétrico
    • Monopolar
      • corrente passa pelo corpo
      • risco de queimadura à distância
    • Bipolar
      • corrente entre duas pontas
      • mais seguro em cavidade fechada
  • 2Bisturi harmônico
    • vibração mecânica (55 kHz)
    • temperatura 50–100°C
    • menor dano térmico lateral
  • 3Bipolar avançada (LigaSure®)
    • corrente + pressão mecânica
    • selagem de vasos até 7 mm
    • controle automático de energia
  • 4Laser de CO₂
    • baixa penetração (0,1 mm)
    • uso superficial
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O bisturi harmônico não utiliza corrente elétrica de alta frequência. Ele utiliza vibração mecânica (ultrassônica) que gera calor por fricção. A temperatura atingida é de 50–100°C, não superior a 400°C. A descrição de "corrente elétrica de alta frequência" e "temperaturas superiores a 400°C" se aplica ao bisturi elétrico monopolar, não ao harmônico. A banca trocou o mecanismo de ação de um dispositivo pelo outro.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação está invertida. O bisturi elétrico bipolar é mais seguro em cavidades fechadas do que o monopolar, pois a corrente elétrica percorre uma distância menor entre os eletrodos (apenas entre as duas pontas do instrumento), sem passar pelo corpo do paciente. No monopolar, a corrente percorre uma distância maior (do eletrodo ativo até a placa de dispersão), o que aumenta o risco de queimaduras em locais distantes. A alternativa troca a segurança do monopolar pela do bipolar.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a descrição correta dos dispositivos de energia bipolar avançada, como o LigaSure®. Eles selam vasos de até 7 mm por meio da desidratação do colágeno e elastina da parede vascular, com controle automático de energia que interrompe a aplicação quando a selagem está completa. Esse mecanismo permite uma selagem eficaz e segura, com mínimo dano térmico lateral, sendo amplamente utilizado em cirurgias laparoscópicas como a colectomia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O laser de CO₂ tem baixa penetração tecidual (cerca de 0,1 mm), o que o torna inadequado para selagem de vasos profundos. Ele é utilizado para corte e vaporização de tecidos superficiais, com alta precisão, mas não para hemostasia de vasos profundos. Na laparoscopia, seu uso é limitado. A alternativa atribui ao laser uma característica (alta penetração) que ele não possui.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O uso de energia ultrassônica causa sim liberação de fumaça cirúrgica. A vibração mecânica vaporiza o tecido, produzindo um aerossol (fumaça) que contém partículas, gases tóxicos e material biológico. Essa fumaça precisa ser evacuada do campo cirúrgico para evitar riscos à equipe e ao paciente. A alternativa nega um fenômeno que ocorre em todos os dispositivos de energia que vaporizam tecido.

Gabarito: letra C — a única alternativa que descreve corretamente o princípio e a aplicação clínica de um dispositivo de energia cirúrgica.

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