Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FGV 2025
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
fg114208
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Paciente, sexo masculino, 46 anos, saudável, é encaminhado para retirada ambulatorial de um lipoma de 4 cm de diâmetro, na região dorsal superior. A decisão foi realizar o procedimento sob anestesia local.Durante o preparo, o residente pergunta ao cirurgião qual seria a melhor escolha e a concentração do anestésico local, considerando eficácia, segurança e duração adequadas para o porte do procedimento.Nesse caso, a escolha adequada para o procedimento é
Alidocaína 1% com adrenalina 1:100.000, respeitando dose máxima de 7 mg/kg, permite bloqueio rápido, boa hemostasia e duração adequada para exérese simples.
Bbupivacaína 0,5% sem vasoconstritor, por ter menor risco de toxicidade sistêmica e início mais rápido do que a lidocaína.
Cprocaína 2% sem adrenalina, indicada por ser amida estável, de longa duração e baixa alergogenicidade.
Dropivacaína 1% com adrenalina, indicada por promover bloqueio superficial de curta duração e baixa cardiotoxicidade.
Elidocaína 2% sem vasoconstritor, por proporcionar vasodilatação local e maior difusão tecidual, reduzindo o risco de necrose.
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GabaritoA — lidocaína 1% com adrenalina 1:100.000, respeitando dose máxima de 7 mg/kg, permite bloqueio rápido, boa hemostasia e duração adequada para exérese simples.
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Anestésicos locais: escolha para exérese de lipoma
Gabarito: letra A. Para a retirada ambulatorial de um lipoma de 4 cm na região dorsal, a lidocaína 1% com adrenalina 1:100.000 é a escolha adequada: oferece início de ação rápido, boa hemostasia e duração suficiente para o procedimento, respeitando a dose máxima de 7 mg/kg quando associada a vasoconstritor. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre as propriedades dos anestésicos locais, como potência, duração, toxicidade e indicação.
A anestesia local para procedimentos ambulatoriais simples, como a exérese de pequenos tumores cutâneos, exige um anestésico com perfil equilibrado: início de ação rápido, duração adequada e baixo risco de toxicidade. A lidocaína é o anestésico local mais utilizado na prática clínica, sendo uma amida com excelente perfil de segurança e eficácia. Sua apresentação em concentrações de 0,5% a 2% permite flexibilidade conforme o procedimento, e a associação com adrenalina (vasoconstritor) é uma ferramenta clínica valiosa: reduz a absorção sistêmica do anestésico, prolonga a duração do bloqueio e proporciona hemostasia local, o que é particularmente útil em regiões vascularizadas como a pele.
A dose máxima de lidocaína é um ponto crítico de segurança. Sem vasoconstritor, a dose máxima recomendada é de 5 mg/kg; com vasoconstritor, pode-se chegar a 7 mg/kg, pois a adrenalina retarda a absorção e reduz o pico plasmático. Para um paciente de 46 anos, saudável, com peso presumível de 70 kg, a dose máxima com adrenalina seria de 490 mg. Uma solução de lidocaína 1% contém 10 mg/mL, portanto, o volume máximo seria de 49 mL — muito acima do necessário para infiltrar um lipoma de 4 cm, o que confere ampla margem de segurança.
A bupivacaína, embora seja uma amida de longa duração e quatro vezes mais potente que a lidocaína, tem início de ação mais lento (latência duas vezes maior) e maior cardiotoxicidade. Seu uso é mais restrito a bloqueios de nervos e raízes, não sendo a primeira escolha para infiltração local simples. A procaína é um éster, não uma amida, e tem curta duração de ação, além de maior potencial alergênico. A ropivacaína é uma amida de longa duração com menor cardiotoxicidade que a bupivacaína, mas não é indicada para bloqueio superficial de curta duração — seu uso é mais comum em bloqueios regionais e analgesia contínua. A lidocaína 2% sem vasoconstritor, por fim, tem duração mais curta (30 a 60 minutos) e não proporciona hemostasia, o que pode ser insuficiente para o procedimento.
A pegadinha central desta questão está na associação entre a classe química do anestésico e suas propriedades farmacológicas. A banca explora a confusão entre ésteres e amidas, entre potência e início de ação, e entre duração e toxicidade. O candidato que domina as características individuais de cada fármaco — potência, latência, duração, metabolismo e toxicidade — consegue identificar a alternativa correta com segurança.
Anestésicos locais: Lidocaína (amida) (Início rápido, Duração curta/média, Com adrenalina: hemostasia e até 7 mg/kg); Bupivacaína (amida) (Início lento, Longa duração, Alta cardiotoxicidade); Ropivacaína (amida) (Longa duração, Menor cardiotoxicidade que bupivacaína); Procaína (éster) (Curta duração, Alto potencial alergênico)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A lidocaína 1% com adrenalina 1:100.000 é a escolha clássica para infiltração local em procedimentos ambulatoriais. A concentração de 1% (10 mg/mL) é adequada para anestesia infiltrativa, e a adrenalina proporciona vasoconstrição, reduzindo o sangramento e prolongando a duração do bloqueio para até 120 minutos. A dose máxima de 7 mg/kg com vasoconstritor é corretamente citada, e o início de ação rápido (5 a 15 minutos) é uma característica da lidocaína. Todos os elementos da alternativa estão corretos e alinhados com a prática clínica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A bupivacaína 0,5% sem vasoconstritor não é a escolha adequada. Embora seja uma amida de longa duração, seu início de ação é mais lento que o da lidocaína (latência duas vezes maior), e sua cardiotoxicidade é significativamente maior. A ausência de vasoconstritor também reduz a duração do bloqueio e não proporciona hemostasia. A alternativa inverte as propriedades: a bupivacaína tem início mais lento, não mais rápido, e maior risco de toxicidade sistêmica, não menor.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A procaína é um éster, não uma amida. Ésteres são metabolizados por hidrólise plasmática e têm maior potencial alergênico. A procaína tem curta duração de ação, não longa, e sua potência é menor que a da lidocaína. A alternativa erra ao classificá-la como amida estável de longa duração e baixa alergogenicidade — características que não lhe pertencem.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ropivacaína é uma amida de longa duração, não de curta duração. Embora tenha menor cardiotoxicidade que a bupivacaína, seu uso é mais comum em bloqueios regionais e analgesia contínua, não em bloqueio superficial de curta duração. A alternativa erra ao descrever a ropivacaína como de curta duração, quando na verdade seu efeito é prolongado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A lidocaína 2% sem vasoconstritor tem duração mais curta (30 a 60 minutos) e não proporciona hemostasia. Embora a lidocaína cause alguma vasodilatação, a ausência de vasoconstritor reduz a duração do bloqueio e aumenta o sangramento local, o que não é ideal para a exérese de um lipoma. A alternativa erra ao sugerir que a vasodilatação e a maior difusão tecidual seriam vantagens, quando na prática a associação com adrenalina é preferível para procedimentos que exigem hemostasia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as classes químicas dos anestésicos locais (ésteres × amidas) e entre suas propriedades farmacológicas. A procaína é um éster, não uma amida; a bupivacaína tem início mais lento, não mais rápido; e a ropivacaína é de longa duração, não de curta. Identificar essas inversões é a chave para acertar a questão.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de anestésicos locais, monte uma tabela mental com as principais características de cada fármaco: classe química, potência, início de ação, duração, metabolismo e toxicidade. A lidocaína é o padrão-ouro para infiltração; a bupivacaína e a ropivacaína são para bloqueios de longa duração; e os ésteres (procaína, tetracaína) têm maior potencial alergênico.