Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Paciente de 54 anos, IMC 39 kg/m², portador de Diabetes Mellitus tipo 2 grave, em uso de múltiplos fármacos, apresenta também doença do refluxo gastroesofágico severa e esôfago de Barrett confirmados por endoscopia. Está em avaliação para cirurgia bariátrica.A melhor técnica cirúrgica indicada será
Agastrectomia vertical (sleeve).
Bby-pass gástrico em Y de Roux.
Cbanda gástrica ajustável.
Dbalão intragástrico endoscópico.
Eswitch duodenal com derivação biliopancreática.
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GabaritoB — by-pass gástrico em Y de Roux.
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Cirurgia bariátrica: escolha da técnica em paciente com DRGE e esôfago de Barrett
Gabarito: letra B. Em paciente com obesidade grave (IMC 39 kg/m²), diabetes mellitus tipo 2 de difícil controle e doença do refluxo gastroesofágico severa com esôfago de Barrett, o by-pass gástrico em Y de Roux é a técnica de escolha, pois combina excelente controle metabólico com tratamento efetivo do refluxo — a gastrectomia vertical (sleeve), ao contrário, pode piorar o refluxo. Essa é a lógica que decide a questão.
A cirurgia bariátrica moderna não é apenas um procedimento de perda de peso: é uma ferramenta de tratamento de comorbidades. As técnicas dividem-se em três grandes grupos: restritivas (reduzem a capacidade gástrica), disabsortivas (reduzem a absorção de nutrientes) e mistas (combinam restrição e má absorção). O by-pass gástrico em Y de Roux (BGYR) é o representante clássico das mistas: cria-se uma pequena bolsa gástrica (restrição) e um desvio do trânsito alimentar para uma alça jejunal em Y (componente disabsortivo). A gastrectomia vertical (sleeve) é puramente restritiva — remove-se cerca de 80% do estômago, deixando um tubo estreito. A banda gástrica ajustável é um anel que estrangula o estômago, também restritiva. O balão intragástrico é um dispositivo endoscópico temporário. O switch duodenal é uma técnica mista mais agressiva, com componente disabsortivo maior.
A escolha entre as técnicas depende do perfil do paciente. No caso apresentado, dois fatores pesam fortemente: o diabetes mellitus tipo 2 grave (em uso de múltiplos fármacos) e a DRGE severa com esôfago de Barrett. Para o DM2, as técnicas mistas (BGYR e switch duodenal) são superiores às restritivas puras na indução de remissão — o BGYR, após 5 anos, reduz a HbA1c em cerca de 2,1 pontos percentuais e leva à remissão do diabetes em 31 a 37% dos casos, enquanto a sleeve alcança remissão de apenas 23%. Para a DRGE, o BGYR é o grande trunfo: a pequena bolsa gástrica produz menos ácido e o desvio em Y reduz o refluxo, sendo inclusive indicado como tratamento cirúrgico da DRGE em obesos. A sleeve, por outro lado, ao ressecar a curvatura maior e reduzir a complacência gástrica, aumenta a pressão intragástrica e pode piorar ou até induzir refluxo — contraindicação relativa em pacientes com DRGE severa e esôfago de Barrett, que já têm risco aumentado de adenocarcinoma esofágico.
A banda gástrica ajustável, embora reversível, tem perda de peso menor (13% do peso original em 1 ano) e não trata o refluxo de forma eficaz. O balão intragástrico é temporário e não é indicado como tratamento definitivo da obesidade grave com comorbidades. O switch duodenal, apesar de excelente para DM2, é uma cirurgia mais complexa, com maior morbidade e risco de desnutrição, e não é a primeira escolha quando o BGYR atende às necessidades — além de não ser a técnica padrão para o manejo da DRGE.
A pegadinha da questão está em reconhecer que, embora a sleeve seja uma técnica popular e eficaz para perda de peso, ela é desfavorável na presença de DRGE severa. O candidato que pensa apenas no DM2 pode escolher a sleeve; o que pensa apenas na DRGE pode escolher a fundoplicatura (que não é opção aqui). A resposta correta exige integrar as duas comorbidades e saber que o BGYR é a técnica que trata ambas simultaneamente.
Cirurgia bariátrica
1Técnicas restritivas
Gastrectomia vertical (sleeve)
Piora DRGE
Banda gástrica ajustável
Menor perda de peso
Balão intragástrico
Temporário
2Técnicas mistas
By-pass gástrico em Y de Roux
Trata DM2
Trata DRGE
Switch duodenal
Maior morbidade
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A gastrectomia vertical (sleeve) é uma técnica restritiva eficaz para perda de peso e melhora do DM2, mas é contraindicada ou desaconselhada em pacientes com DRGE severa e esôfago de Barrett. A ressecção da curvatura maior reduz a complacência gástrica e aumenta a pressão intragástrica, o que pode piorar o refluxo e expor o esôfago de Barrett a mais dano ácido, aumentando o risco de progressão para displasia e adenocarcinoma. A banca explora exatamente essa confusão: o aluno que foca apenas no DM2 escolhe a sleeve, ignorando o refluxo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O by-pass gástrico em Y de Roux é a técnica de escolha neste caso por dois motivos: (1) é superior às técnicas restritivas na remissão do DM2 — reduz a HbA1c em cerca de 2,1 pontos percentuais e remite o diabetes em 31 a 37% dos casos em 5 anos; (2) é eficaz no tratamento da DRGE, pois a pequena bolsa gástrica produz menos ácido e o desvio em Y reduz o refluxo gastroesofágico, protegendo o esôfago de Barrett. É a técnica que trata simultaneamente as duas comorbidades principais do paciente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A banda gástrica ajustável é uma técnica puramente restritiva, reversível, mas com perda de peso menor (13% do peso original em 1 ano, 11% em 5 anos) e eficácia limitada no tratamento da DRGE. Não é a melhor opção para um paciente com DM2 grave e esôfago de Barrett, pois não oferece o controle metabólico nem o efeito antirrefluxo do BGYR.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O balão intragástrico endoscópico é um dispositivo temporário (permanece cerca de 6 meses) e de caráter restritivo, indicado para perda de peso moderada em pacientes com IMC menor ou como ponte para cirurgia definitiva. Não é tratamento definitivo para obesidade grave (IMC 39) com comorbidades como DM2 e DRGE severa, e não tem efeito sobre o refluxo ou o esôfago de Barrett.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O switch duodenal com derivação biliopancreática é uma técnica mista com grande componente disabsortivo, excelente para DM2, mas é uma cirurgia mais complexa e com maior morbidade (risco de desnutrição, deficiências vitamínicas, diarreia). Não é a primeira escolha quando o BGYR atende às necessidades do paciente, e não é a técnica padrão para o manejo da DRGE. A relação risco-benefício favorece o BGYR.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a sleeve e o BGYR. O candidato que foca apenas no DM2 escolhe a sleeve (que também melhora o diabetes), mas esquece que a sleeve piora a DRGE — e o paciente tem DRGE severa com esôfago de Barrett, que é uma contraindicação relativa. A chave é integrar as duas comorbidades: o BGYR trata ambas, a sleeve trata só uma e agrava a outra.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando a questão de cirurgia bariátrica mencionar DRGE ou esôfago de Barrett, desconfie imediatamente da sleeve e procure o by-pass gástrico. Quando mencionar DM2 grave, priorize as técnicas mistas (BGYR ou switch duodenal). A combinação das duas pistas aponta diretamente para o BGYR.