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Questão de Medicina — Dermatologia — FGV 2025

MedicinaDermatologia
Código
fg114212
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Um homem de 72 anos, agricultor, apresenta lesão nodular perolada, com telangiectasias, na asa do nariz, de crescimento lento, sem linfonodomegalias palpáveis.Nesse caso, a melhor conduta inicial é
  1. Aradioterapia exclusiva.
  2. Bressecção cirúrgica com margens de 4 mm.
  3. Cquimioterapia sistêmica com cisplatina.
  4. Dobservação clínica, já que a lesão é indolente.
  5. Ecrioterapia ambulatorial sem biópsia prévia.
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GabaritoB — ressecção cirúrgica com margens de 4 mm.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma basocelular: conduta inicial

Gabarito: letra B. O quadro descrito — lesão nodular perolada com telangiectasias na asa do nariz, de crescimento lento, em paciente idoso — é a apresentação clássica do carcinoma basocelular (CBC), o câncer de pele mais comum. Para lesões de baixo risco, como esta, a ressecção cirúrgica com margens de 4 mm é o tratamento de escolha, conforme as diretrizes de dermatologia. As demais opções são inadequadas: radioterapia não é primeira linha para lesões primárias ressecáveis, quimioterapia sistêmica não se aplica a CBC localizado, observação é inaceitável diante de neoplasia maligna, e crioterapia sem biópsia prévia não é conduta recomendada.

O carcinoma basocelular é uma neoplasia maligna de origem nos queratinócitos da camada basal da epiderme. Sua importância clínica reside na alta prevalência e no potencial de destruição local, embora raramente metastatize. O diagnóstico é eminentemente clínico, mas a confirmação histopatológica é obrigatória antes de qualquer tratamento definitivo. A biópsia (incisional ou excisional) é o padrão-ouro e deve ser realizada sempre que houver suspeita, pois permite confirmar o diagnóstico e avaliar características prognósticas.

A escolha do tratamento depende da classificação de risco da lesão. Lesões de baixo risco — pequenas, bem delimitadas, em áreas de baixa recorrência, sem características histológicas agressivas — podem ser tratadas com técnicas como curetagem e eletrodissecção, criocirurgia ou excisão cirúrgica simples. Lesões de alto risco — grandes (>2 cm), em áreas de alto risco (como o nariz, que é uma zona H), com bordas mal definidas, histologia infiltrativa ou recorrentes — exigem cirurgia micrográfica de Mohs ou excisão com margens maiores e controle histológico.

A ressecção cirúrgica com margens de 4 mm é o tratamento padrão para CBC de baixo risco, com taxas de cura em torno de 95%. A margem de 4 mm é baseada em estudos que mostram que, para lesões bem delimitadas, essa margem é suficiente para erradicar o tumor na maioria dos casos. A cirurgia tem a vantagem de permitir o exame histopatológico da peça, confirmando a excisão completa. A radioterapia é uma opção para pacientes que não podem ser submetidos à cirurgia ou para lesões em áreas de difícil reconstrução, mas não é a primeira escolha para lesões primárias ressecáveis. A quimioterapia sistêmica é reservada para casos avançados ou metastáticos, que não se aplicam a este paciente. A observação clínica é inaceitável, pois o CBC é uma neoplasia maligna com crescimento progressivo e potencial de invasão local. A crioterapia sem biópsia prévia é inadequada, pois não permite confirmação diagnóstica e pode resultar em tratamento incompleto de lesões com histologia mais agressiva.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar de o CBC ser uma neoplasia de crescimento lento e baixo potencial metastático, ele é maligno e exige tratamento. O candidato pode ser tentado a escolher a observação clínica (letra D) por pensar que a lesão é indolente, mas isso seria um erro grave. Da mesma forma, a crioterapia (letra E) pode parecer atraente por ser um procedimento ambulatorial, mas a ausência de biópsia prévia é um erro técnico inaceitável. A chave é lembrar que todo CBC deve ser biopsiado e tratado, e a cirurgia com margens adequadas é o padrão-ouro.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A radioterapia exclusiva não é a conduta inicial de escolha para um CBC primário de baixo risco e ressecável. Embora seja uma opção terapêutica válida para pacientes inoperáveis ou para lesões em áreas de difícil tratamento cirúrgico, a cirurgia oferece taxas de cura superiores e permite a confirmação histológica da excisão completa. A radioterapia também tem desvantagens como o custo, a necessidade de múltiplas sessões e os efeitos tardios sobre a pele.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ressecção cirúrgica com margens de 4 mm é o tratamento de escolha para CBC de baixo risco, como o descrito no enunciado. A margem de 4 mm é baseada em evidências que mostram taxas de cura de aproximadamente 95% para lesões bem delimitadas. A cirurgia permite o exame histopatológico da peça, confirmando a excisão completa e reduzindo o risco de recorrência. Esta é a conduta inicial mais adequada e segura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A quimioterapia sistêmica com cisplatina é um tratamento reservado para CBC avançado, metastático ou irressecável. Não há indicação para quimioterapia sistêmica em um CBC localizado e ressecável, como o do paciente. O uso de quimioterapia sistêmica neste contexto seria um erro terapêutico grave, expondo o paciente a toxicidade desnecessária sem benefício.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A observação clínica é inaceitável diante de uma neoplasia maligna confirmada clinicamente. Embora o CBC tenha crescimento lento e baixo potencial metastático, ele é progressivo e pode causar destruição local significativa, especialmente em áreas como o nariz. A conduta correta é sempre tratar a lesão, nunca apenas observá-la. A letra D é uma armadilha clássica para o candidato que subestima a malignidade do CBC.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A crioterapia ambulatorial sem biópsia prévia é inadequada por dois motivos: primeiro, a biópsia é obrigatória para confirmar o diagnóstico antes de qualquer tratamento definitivo; segundo, a crioterapia é uma técnica que não permite o exame histopatológico da lesão, o que pode resultar em tratamento incompleto de tumores com histologia mais agressiva. A crioterapia pode ser uma opção para CBC de baixo risco, mas somente após biópsia confirmatória e em lesões selecionadas.

Gabarito: letra B

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