Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Uma mulher de 64 anos, obesa, apresenta dor abdominal súbita e abaulamento irreduzível em região inguinal esquerda. Há náuseas e vômitos, abdome distendido e doloroso difusamente.A melhor conduta imediata a ser instituída é
Asolicitar tomografia para avaliar conteúdo herniário.
Btentar redução manual prolongada em pronto-socorro.
Ciniciar antibioticoterapia e observação clínica.
Dindicar observação hospitalar com analgesia.
Eindicar laparotomia/laparoscopia imediata para herniorrafia e possível ressecção intestinal.
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GabaritoE — indicar laparotomia/laparoscopia imediata para herniorrafia e possível ressecção intestinal.
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Hérnia inguinal encarcerada com estrangulamento: conduta de emergência
Gabarito: letra E. O quadro descrito — mulher idosa, obesa, com dor abdominal súbita, abaulamento inguinal irreduzível, náuseas, vômitos e abdome distendido e doloroso — é de hérnia inguinal encarcerada com sinais de estrangulamento, uma emergência cirúrgica. A conduta imediata é a laparotomia/laparoscopia de urgência para herniorrafia e possível ressecção intestinal, pois o atraso leva à isquemia irreversível, perfuração e sepse. As demais condutas (tomografia, redução manual prolongada, antibioticoterapia isolada ou observação) retardam o tratamento definitivo e aumentam a morbimortalidade.
A hérnia da parede abdominal é a protrusão de um órgão ou tecido através de um defeito na parede que o contém. Na região inguinal, é a mais comum. O grande risco não é a hérnia em si, mas suas complicações: encarceramento (quando o conteúdo não retorna espontaneamente à cavidade) e estrangulamento (quando há comprometimento vascular do conteúdo, levando à isquemia). O estrangulamento é uma emergência: o intestino estrangulado sofre necrose em poucas horas, podendo perfurar e causar peritonite e sepse. A clínica clássica de estrangulamento inclui dor súbita e intensa, hérnia irreduzível e tensa, sinais de obstrução intestinal (náuseas, vômitos, distensão, parada de eliminação de gases e fezes) e, nos casos avançados, toxemia e flogose local. A obesidade é fator de risco para hérnias e também para complicações, pois dificulta o diagnóstico e a redução.
A conduta diante de uma hérnia encarcerada depende da presença ou não de estrangulamento. Se não há sinais de sofrimento vascular, pode-se tentar a redução manual (taxa) com o paciente em posição de Trendelenburg e sedação, seguida de cirurgia eletiva. Porém, quando há suspeita de estrangulamento — dor súbita, toxemia, sinais de obstrução ou peritonite —, a redução manual é contraindicada, pois pode reduzir um intestino já necrótico para dentro da cavidade, mascarando o quadro e levando a peritonite. Nesse cenário, a conduta é cirúrgica imediata. A tomografia pode ser útil em casos duvidosos, mas nunca deve atrasar a cirurgia quando há sinais claros de estrangulamento. A antibioticoterapia é adjuvante, não substitui a cirurgia. A observação com analgesia é perigosa, pois o quadro pode evoluir para perfuração e sepse.
A distinção central que decide esta questão é entre hérnia encarcerada redutível (conduta: tentativa de redução e cirurgia eletiva) e hérnia estrangulada (conduta: cirurgia de emergência). Os sinais de estrangulamento no enunciado — dor súbita, irreducibilidade, vômitos, distensão e dor abdominal difusa — são inequívocos. A banca explora exatamente essa fronteira: o aluno que não reconhece o estrangulamento opta por condutas conservadoras ou diagnósticas, que são inadequadas. A regra de ouro é: hérnia encarcerada + sinais de estrangulamento = cirurgia imediata, sem exames que atrasem o tratamento.
Hérnia inguinal complicada
1Encarcerada (irredutível)
Sem sofrimento vascular
Redução manual
Cirurgia eletiva
Com estrangulamento
Redução manual contraindicada
Observação/analgesia
Tomografia que atrase
Cirurgia imediata
Herniorrafia
Possível ressecção intestinal
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Solicitar tomografia para avaliar o conteúdo herniário é um erro porque, na vigência de sinais claros de estrangulamento, a cirurgia não deve ser adiada para exames de imagem. A tomografia pode ser útil em casos duvidosos (por exemplo, para diferenciar de outras causas de abdome agudo), mas aqui o diagnóstico é clínico e a conduta é cirúrgica imediata. O exame de imagem apenas retardaria o tratamento, aumentando o risco de necrose intestinal e sepse.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A redução manual prolongada é contraindicada quando há suspeita de estrangulamento. Reduzir um intestino já isquêmico ou necrótico para a cavidade abdominal pode mascarar a peritonite e levar a complicações graves. A redução manual só é aceitável em hérnias encarceradas sem sinais de sofrimento vascular, e mesmo assim deve ser feita com cuidado e seguida de cirurgia eletiva. No caso descrito, com dor súbita, vômitos e abdome distendido, a tentativa de redução é perigosa e inadequada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Iniciar antibioticoterapia e observação clínica é conduta insuficiente e perigosa. A antibioticoterapia é um adjuvante no tratamento da sepse abdominal, mas não trata a causa — o intestino estrangulado. A observação clínica, sem intervenção, permite a progressão da isquemia para necrose, perfuração e peritonite. Em uma hérnia estrangulada, a única conduta que resolve é a cirurgia de emergência. Antibióticos não revertem a isquemia intestinal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Indicar observação hospitalar com analgesia é igualmente inadequado. A analgesia pode mascarar a evolução do quadro, e a observação sem tratamento cirúrgico permite a progressão da isquemia. O paciente apresenta sinais de estrangulamento e obstrução intestinal, que são indicações formais de cirurgia de emergência. A observação é reservada para casos de hérnia encarcerada redutível, sem sinais de sofrimento vascular, e mesmo assim com planejamento cirúrgico eletivo.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A laparotomia/laparoscopia imediata para herniorrafia e possível ressecção intestinal é a conduta correta. O quadro clínico — dor súbita, hérnia irreduzível, vômitos, distensão e dor abdominal difusa — indica estrangulamento, uma emergência cirúrgica. A cirurgia deve ser realizada o quanto antes para: (1) reduzir o conteúdo herniário, (2) avaliar a viabilidade do intestino, (3) ressecar o segmento necrótico se necessário, e (4) corrigir o defeito da parede (herniorrafia). O atraso aumenta a morbimortalidade, com risco de perfuração, peritonite e sepse. A via laparoscópica ou aberta depende da experiência do cirurgião e da estabilidade do paciente, mas a urgência é a mesma.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre hérnia encarcerada (redutível, sem sofrimento vascular — pode-se tentar redução e cirurgia eletiva) e hérnia estrangulada (irredutível, com dor súbita, vômitos e distensão — cirurgia imediata). O enunciado traz todos os sinais de estrangulamento, mas o candidato desatento pode optar por condutas conservadoras ou diagnósticas, como tomografia ou redução manual. A palavra-chave é irreduzível associada a dor súbita e vômitos: isso é estrangulamento até prova em contrário, e a conduta é cirúrgica imediata. Fique atento: em cirurgia de emergência, o tratamento não espera o exame de imagem quando o diagnóstico clínico é claro.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de hérnia complicada, monte um fluxo mental rápido: (1) a hérnia é redutível? Se sim, cirurgia eletiva. (2) É encarcerada (irredutível) mas sem sinais de estrangulamento? Tentativa de redução manual + cirurgia eletiva. (3) Há sinais de estrangulamento (dor súbita, toxemia, obstrução, peritonite)? Cirurgia de emergência imediata, sem exames que atrasem. Essa sequência resolve a maioria das questões sobre o tema.