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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
fg114214
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Um homem de 22 anos, praticante de musculação, procura o pronto-socorro relatando abaulamento na região inguinal direita há 6 meses, que aumenta ao esforço e desaparece em repouso. Ao exame, nota-se tumoração mole, redutível, que protrui ao anel inguinal profundo durante a manobra de Valsalva.O diagnóstico mais provável e a conduta cirúrgica indicada são, respectivamente,
  1. Ahérnia femoral – correção com técnica de McVay.
  2. Bhérnia inguinal direta – observação clínica.
  3. Chérnia epigástrica – ressecção com sutura primária.
  4. Dhérnia inguinal indireta – hernioplastia com tela de Lichtenstein.
  5. Ehérnia incisional – correção laparoscópica por TAPP.
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GabaritoD — hérnia inguinal indireta – hernioplastia com tela de Lichtenstein.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hérnia inguinal indireta: diagnóstico e conduta cirúrgica

Gabarito: letra D. O quadro clínico descrito — abaulamento inguinal que aumenta ao esforço, reduz à palpação e protrui pelo anel inguinal profundo à manobra de Valsalva — é clássico de hérnia inguinal indireta, e a conduta cirúrgica indicada em adulto sintomático é a hernioplastia com tela de Lichtenstein, técnica aberta sem tensão que reduz a recorrência para cerca de 1%. A alternativa D é a única que associa corretamente o tipo de hérnia à técnica cirúrgica padrão.

A hérnia inguinal é a mais comum das hérnias da parede abdominal, e sua classificação em direta ou indireta depende da relação com os vasos epigástricos inferiores. A hérnia indireta é a mais frequente em jovens e ocorre pela persistência do conduto peritoneovaginal, fazendo o saco herniário protruir pelo anel inguinal profundo, lateralmente aos vasos epigástricos, acompanhando o trajeto do funículo espermático. Já a hérnia direta é adquirida, mais comum em adultos mais velhos, e protrui pela fáscia transversalis na região do triângulo de Hesselbach, medialmente aos vasos epigástricos, sem passar pelo anel profundo. Essa distinção anatômica é o que explica o achado do exame físico: na indireta, a protrusão ocorre exatamente no anel inguinal profundo durante a manobra de Valsalva, como descrito no enunciado.

O tratamento cirúrgico é indicado para homens sintomáticos e para mulheres, sintomáticas ou não, conforme diretrizes da Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal. A observação clínica pode ser considerada apenas em homens assintomáticos ou com poucos sintomas e comorbidades que aumentem o risco cirúrgico — não é o caso do paciente do enunciado, que é jovem, praticante de musculação e sintomático. As técnicas com tela (prótese) são preferíveis por apresentarem recorrência próxima de 1%, contra 10 a 15% dos reparos primários sem tela. A técnica de Lichtenstein é o reparo aberto com tela mais consagrado para hérnias inguinais primárias, sendo a conduta padrão na maioria dos serviços.

As demais alternativas confundem o tipo de hérnia ou indicam condutas inadequadas. A hérnia femoral, por exemplo, é mais comum em mulheres, apresenta-se abaixo do ligamento inguinal e tem maior risco de estrangulamento, devendo ser operada com urgência — não corresponde ao quadro. A hérnia epigástrica ocorre na linha alba acima do umbigo, e a incisional, em cicatriz de cirurgia prévia. A técnica de McVay, citada na alternativa A, é um reparo primário (sem tela) utilizado para hérnias femorais e inguinais, mas não é a conduta de primeira escolha para hérnia inguinal indireta em adulto, sendo superada pela hernioplastia com tela.

A pegadinha central desta questão está em reconhecer, pelo exame físico, o tipo de hérnia e associá-lo à técnica cirúrgica correta. O candidato que decora apenas os nomes das técnicas, sem entender a anatomia e a indicação de cada uma, tende a errar. Guarde a relação: hérnia indireta em jovem → protrusão no anel inguinal profundo → Lichtenstein com tela.

1Indireta (jovem)
Anel inguinal profundo
Lateral aos vasos epigástricos
Lichtenstein com tela
2Direta (idoso)
Triângulo de Hesselbach
Medial aos vasos epigástricos
Observação se assintomático
3Femoral (mulher)
Abaixo do ligamento inguinal
Alto risco de estrangulamento
Hérnia inguinal
LEVELsoulevel.com.br
Hérnia inguinal: Indireta (jovem) (Anel inguinal profundo, Lateral aos vasos epigástricos, Lichtenstein com tela); Direta (idoso) (Triângulo de Hesselbach, Medial aos vasos epigástricos, Observação se assintomático); Femoral (mulher) (Abaixo do ligamento inguinal, Alto risco de estrangulamento)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hérnia femoral é mais comum em mulheres, localiza-se abaixo do ligamento inguinal e apresenta maior risco de estrangulamento, devendo ser operada com urgência. O quadro descrito — protrusão no anel inguinal profundo em homem jovem — é de hérnia inguinal indireta, não femoral. Além disso, a técnica de McVay é um reparo primário (sem tela), historicamente usado para hérnias femorais e inguinais, mas não é a conduta de primeira escolha para hérnia inguinal indireta em adulto, sendo superada pela hernioplastia com tela de Lichtenstein.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hérnia inguinal direta é adquirida, mais comum em adultos mais velhos, e protrui medialmente aos vasos epigástricos, sem passar pelo anel inguinal profundo — o que não corresponde ao exame descrito. Além disso, a observação clínica não é indicada para homem jovem e sintomático, praticante de musculação; a diretriz indica tratamento cirúrgico para homens sintomáticos, reservando a observação para casos assintomáticos ou com risco cirúrgico elevado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hérnia epigástrica ocorre na linha alba, acima da cicatriz umbilical, e não na região inguinal. O quadro descrito é de hérnia inguinal, não epigástrica. Embora a sutura primária possa ser suficiente para hérnias epigástricas de pequeno volume, essa técnica não se aplica ao caso, que exige hernioplastia com tela para hérnia inguinal.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A hérnia inguinal indireta é a mais comum em jovens e caracteriza-se pela protrusão do saco herniário pelo anel inguinal profundo, lateralmente aos vasos epigástricos — exatamente o que o exame físico demonstra. A conduta indicada é a hernioplastia com tela de Lichtenstein, técnica aberta sem tensão, que apresenta recorrência próxima de 1% e é o padrão para hérnias inguinais primárias em adultos sintomáticos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hérnia incisional ocorre em cicatriz de cirurgia abdominal prévia, o que não é o caso do paciente. A correção laparoscópica por TAPP (transabdominal pré-peritoneal) é uma técnica válida para hérnias inguinais, mas não é a conduta de primeira escolha para uma hérnia inguinal primária unilateral em adulto jovem, sendo mais indicada para hérnias bilaterais ou recidivadas. A alternativa erra tanto no tipo de hérnia quanto na técnica cirúrgica.

Gabarito: letra D

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