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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
fg114215
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Homem de 58 anos, portador de cirrose alcoólica, apresenta esplenomegalia, ascite moderada e plaquetopenia. A endoscopia digestiva alta mostra varizes esofágicas calibrosas.O exame considerado padrão-ouro para diagnóstico hemodinâmico de hipertensão portal é a(o)
  1. Aultrassonografia com Doppler.
  2. Btomografia de abdome com contraste.
  3. Ccateterismo venoso hepático com medida do gradiente de pressão portossistêmica (HVPG).
  4. Dendoscopia digestiva alta.
  5. Eressonância magnética do fígado.
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GabaritoC — cateterismo venoso hepático com medida do gradiente de pressão portossistêmica (HVPG).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertensão portal: diagnóstico hemodinâmico

Gabarito: letra C. O padrão-ouro para o diagnóstico hemodinâmico da hipertensão portal é o cateterismo venoso hepático com medida do gradiente de pressão portossistêmica (HVPG), pois quantifica diretamente a pressão no sistema portal, diferenciando a hipertensão portal clinicamente significativa (HVPG ≥ 10 mmHg) daquela sem risco de complicações. Os demais métodos (ultrassom com Doppler, tomografia, endoscopia e ressonância) são excelentes para detectar sinais indiretos ou complicações, mas não medem a pressão portal de forma direta e padronizada.

A hipertensão portal é definida como o aumento patológico da pressão no sistema venoso portal, geralmente acima de 5 mmHg, e é a principal complicação hemodinâmica da cirrose. No paciente do enunciado — cirrose alcoólica com esplenomegalia, ascite e varizes esofágicas — o quadro clássico de hipertensão portal já está estabelecido. O que a questão pede é o método que mede a pressão e não apenas aquele que mostra as consequências.

O HVPG (Hepatic Venous Pressure Gradient) é obtido por cateterismo da veia hepática, medindo a diferença entre a pressão venosa hepática livre (PVHL) e a pressão venosa hepática ocluída (PVHO). Essa diferença reflete o gradiente de pressão entre a veia porta e a veia cava inferior. Valores de HVPG ≥ 10 mmHg indicam hipertensão portal clinicamente significativa, com risco aumentado de varizes e descompensação; valores ≥ 12 mmHg estão associados a risco de sangramento varicoso. O HVPG é o único método que permite essa avaliação quantitativa e é considerado o padrão-ouro, sendo também utilizado para monitorar a resposta ao tratamento com betabloqueadores não seletivos.

Os exames de imagem — ultrassonografia com Doppler, tomografia e ressonância magnética — são métodos não invasivos que identificam sinais indiretos de hipertensão portal, como aumento do calibre da veia porta, esplenomegalia, ascite e circulação colateral. No entanto, não medem diretamente a pressão portal e podem subestimar ou superestimar o grau de hipertensão. A endoscopia digestiva alta, por sua vez, é o exame de escolha para detectar e tratar varizes esofágicas, mas não avalia a hemodinâmica portal — ela mostra a consequência, não a pressão.

A distinção crucial que a banca explora é entre diagnóstico de hipertensão portal (que pode ser feito por imagem ou endoscopia) e diagnóstico hemodinâmico (que exige a medida do gradiente de pressão). O termo "hemodinâmico" no enunciado é a chave: ele direciona para o método que avalia a pressão diretamente, excluindo os métodos que apenas visualizam as alterações anatômicas ou as complicações.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o conceito de "diagnóstico hemodinâmico" por "diagnóstico de complicações". O candidato que associa varizes esofágicas à endoscopia (letra D) ou sinais de imagem à ultrassonografia (letra A) cai na armadilha. O termo "hemodinâmico" exige a medida da pressão, não a visualização das consequências. Fique atento: quando a questão pede "diagnóstico hemodinâmico", ela quer o método que mede a pressão, não o que mostra o efeito.

  1. 1Cateterismo da veia hepática
  2. 2Mede PVHL (livre)
  3. 3Mede PVHO (ocl uída)
  4. 4Gradiente = PVHO − PVHL
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A ultrassonografia com Doppler é um método não invasivo que avalia o fluxo e o calibre da veia porta, podendo sugerir hipertensão portal (diâmetro > 13 mm, fluxo hepatofugal). No entanto, não mede diretamente a pressão portal e não é considerada padrão-ouro para diagnóstico hemodinâmico. Ela é útil como método de rastreio e acompanhamento, mas não substitui o HVPG.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A tomografia de abdome com contraste identifica sinais indiretos de hipertensão portal, como varizes, esplenomegalia, ascite e circulação colateral. É excelente para avaliar a anatomia e excluir trombose portal, mas não fornece a medida do gradiente de pressão portossistêmica. Portanto, não é o padrão-ouro para diagnóstico hemodinâmico.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O cateterismo venoso hepático com medida do gradiente de pressão portossistêmica (HVPG) é o padrão-ouro. Ele mede diretamente a diferença entre a pressão venosa hepática ocluída e a livre, refletindo o gradiente de pressão portal. Valores ≥ 10 mmHg definem hipertensão portal clinicamente significativa, e ≥ 12 mmHg indicam risco de sangramento varicoso. É o único método que permite diagnóstico hemodinâmico preciso e monitoramento terapêutico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A endoscopia digestiva alta é o exame de escolha para detectar e tratar varizes esofágicas, sendo fundamental na profilaxia primária e secundária de sangramento. No entanto, ela não avalia a hemodinâmica portal — mostra a consequência da hipertensão portal (varizes), não a pressão em si. Portanto, não é o padrão-ouro para diagnóstico hemodinâmico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A ressonância magnética do fígado, assim como a tomografia, identifica sinais indiretos de hipertensão portal (esplenomegalia, ascite, varizes, circulação colateral) e pode avaliar a morfologia hepática. No entanto, não mede o gradiente de pressão portossistêmica e não é considerada padrão-ouro para diagnóstico hemodinâmico. É um método complementar, não o definitivo.

Gabarito: letra C — o cateterismo venoso hepático com HVPG é o padrão-ouro para diagnóstico hemodinâmico da hipertensão portal.

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