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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
fg114217
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Homem de 62 anos foi submetido a uma tomografia computadorizada por dor lombar.Achado incidental: massa adrenal direita de 3,5 cm, homogênea, densidade < 10 UH. Exames hormonais para as adrenais são normais.A melhor conduta para o caso é
  1. Aressecção cirúrgica imediata.
  2. Balta sem qualquer seguimento.
  3. Cradioterapia profilática da adrenal.
  4. Dquimioterapia preventiva.
  5. Eacompanhamento clínico e radiológico periódico.
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GabaritoE — acompanhamento clínico e radiológico periódico.

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Incidentaloma adrenal: conduta baseada em imagem e função

Gabarito: letra E. A massa adrenal incidental de 3,5 cm, homogênea, com densidade < 10 UH na tomografia e exames hormonais normais caracteriza um incidentaloma adrenal de baixo risco, cuja conduta é o acompanhamento clínico e radiológico periódico — não há indicação de ressecção, radioterapia ou quimioterapia, e a alta sem seguimento é inadequada. A conduta se baseia na probabilidade de malignidade, que é muito baixa nesse cenário, e na necessidade de reavaliação periódica para detectar crescimento ou surgimento de hiperfunção.

O incidentaloma adrenal é uma massa adrenal descoberta incidentalmente em exame de imagem realizado por outra indicação. A conduta é definida por dois eixos: avaliação hormonal (para excluir feocromocitoma, síndrome de Cushing e hiperaldosteronismo primário) e avaliação de risco de malignidade pela imagem. A densidade na tomografia é o principal preditor: massas com densidade ≤ 10 UH na fase sem contraste são quase sempre adenomas benignos (ricos em lipídios), enquanto massas com densidade > 10 UH ou com washout inadequado têm maior risco de malignidade e podem exigir biópsia ou ressecção. No caso, a densidade < 10 UH e a homogeneidade indicam adenoma, e os exames hormonais normais afastam hiperfunção — portanto, o risco de malignidade e de síndrome hormonal é baixo.

A conduta recomendada pelas diretrizes (como as da Endocrine Society e do American College of Radiology) para incidentalomas < 4 cm, com densidade ≤ 10 UH e sem hiperfunção é o acompanhamento clínico e radiológico periódico, geralmente com nova tomografia em 6–12 meses e depois com intervalos maiores, além de reavaliação hormonal se houver mudança clínica. A ressecção cirúrgica fica reservada para massas com características suspeitas (tamanho > 4 cm, densidade > 10 UH, washout inadequado, crescimento em seguimento) ou com hiperfunção hormonal. Radioterapia e quimioterapia não têm papel no tratamento de adenomas adrenais benignos — são modalidades para neoplasias malignas, como carcinoma adrenocortical metastático, que não é o caso. A alta sem seguimento é inadequada porque, embora o risco seja baixo, há possibilidade de crescimento ou de desenvolvimento de hiperfunção ao longo do tempo, e o acompanhamento permite intervenção precoce se necessário.

A pegadinha da questão está em reconhecer que a densidade < 10 UH é o dado decisivo: muitos candidatos podem considerar o tamanho de 3,5 cm como indicação cirúrgica, mas o critério de tamanho isolado não é suficiente — a densidade e a homogeneidade apontam para benignidade, e a conduta conservadora é a correta. Além disso, a ausência de sintomas e de alterações hormonais reforça a conduta expectante.

Guarde o critério que separa as alternativas: densidade ≤ 10 UH + homogeneidade + função normal = acompanhamento; densidade > 10 UH, tamanho > 4 cm, washout inadequado ou hiperfunção = considerar cirurgia. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A ressecção cirúrgica imediata é indicada para massas com suspeita de malignidade (densidade > 10 UH, tamanho > 4 cm, washout inadequado, crescimento) ou com hiperfunção hormonal. No caso, a densidade < 10 UH e a homogeneidade indicam adenoma benigno, e os exames hormonais são normais — não há indicação cirúrgica. A cirurgia seria um overtreatment com riscos desnecessários.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alta sem qualquer seguimento é inadequada porque, embora o risco de malignidade seja baixo, há possibilidade de crescimento ou de desenvolvimento de hiperfunção ao longo do tempo. O acompanhamento periódico é recomendado para detectar essas mudanças precocemente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A radioterapia profilática da adrenal não tem indicação em adenomas benignos. Radioterapia é uma modalidade para neoplasias malignas, como carcinoma adrenocortical, e não é utilizada profilaticamente em massas adrenais incidentais benignas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A quimioterapia preventiva não tem papel no tratamento de adenomas adrenais benignos. Quimioterapia é indicada para neoplasias malignas sistêmicas, e não há evidência de benefício em incidentalomas adrenais benignos.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O acompanhamento clínico e radiológico periódico é a conduta recomendada para incidentalomas adrenais com características benignas (densidade ≤ 10 UH, homogêneo, < 4 cm) e sem hiperfunção hormonal. O seguimento permite detectar crescimento ou surgimento de hiperfunção, com intervenção precoce se necessário.

A regra de ouro para a prova: incidentaloma adrenal com densidade ≤ 10 UH e função normal = acompanhar; densidade > 10 UH, tamanho > 4 cm ou hiperfunção = considerar cirurgia. Essa é a fronteira que separa a conduta conservadora da intervencionista.

Gabarito: letra E

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