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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
fg114218
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Paciente do sexo masculino, de 36 anos, com hipertensão resistente ao tratamento e hipocalemia persistente. Aldosterona plasmática elevada, renina suprimida. Uma tomografia computadorizada mostra nódulo adrenal unilateral de 2,5 cm.A melhor conduta cirúrgica para esse paciente será
  1. Aadrenalectomia unilateral laparoscópica.
  2. Badrenalectomia bilateral obrigatória.
  3. Capenas espironolactona contínua, sem cirurgia.
  4. Dradioterapia adrenal.
  5. Ealta hospitalar com observação.
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GabaritoA — adrenalectomia unilateral laparoscópica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hiperaldosteronismo primário: adenoma unilateral e conduta cirúrgica

Gabarito: letra A. O paciente apresenta o quadro clássico de hiperaldosteronismo primário por adenoma produtor de aldosterona unilateral — hipertensão resistente, hipocalemia, aldosterona elevada com renina suprimida e nódulo adrenal unilateral de 2,5 cm na tomografia. Nesse cenário, a conduta cirúrgica de escolha é a adrenalectomia unilateral laparoscópica, pois a remoção do adenoma corrige o hiperaldosteronismo e melhora o controle pressórico. O tratamento clínico com antagonistas mineralocorticoides (espironolactona/eplerenona) é reservado para a hiperplasia adrenal bilateral, e não para o adenoma unilateral.

O hiperaldosteronismo primário é uma causa secundária de hipertensão arterial, caracterizada pela produção autônoma e excessiva de aldosterona pela glândula adrenal, independente do sistema renina-angiotensina. Essa produção excessiva leva ao aumento da reabsorção de sódio e excreção de potássio no néfron distal, resultando em expansão volêmica, hipertensão e hipocalemia. As duas causas mais comuns são o adenoma produtor de aldosterona unilateral (síndrome de Conn) e a hiperplasia adrenal bilateral (hiperaldosteronismo idiopático). A distinção entre essas duas entidades é crucial, pois o tratamento é completamente diferente: o adenoma unilateral é tratado cirurgicamente, enquanto a hiperplasia bilateral é tratada clinicamente com antagonistas dos receptores mineralocorticoides.

O diagnóstico é suspeitado em pacientes com hipertensão resistente, hipocalemia espontânea ou hipocalemia induzida por diuréticos. A triagem inicial consiste na dosagem da razão aldosterona/renina (ou atividade de renina plasmática), que, quando elevada, sugere o diagnóstico. A confirmação é feita por testes de supressão, como a infusão de solução salina ou o teste da fludrocortisona. Após a confirmação bioquímica, a tomografia computadorizada das adrenais é realizada para localizar o adenoma. No entanto, a TC pode não distinguir com segurança um adenoma unilateral de uma hiperplasia bilateral, especialmente em nódulos pequenos. Por isso, a amostragem venosa adrenal (cateterismo das veias adrenais) é o padrão-ouro para lateralizar a produção de aldosterona, sendo recomendada antes da cirurgia, principalmente em pacientes com menos de 40 anos, nódulos < 1 cm ou quando a TC é inconclusiva.

No caso apresentado, o paciente tem 36 anos, nódulo adrenal unilateral de 2,5 cm e bioquímica compatível com hiperaldosteronismo primário. A conduta cirúrgica indicada é a adrenalectomia unilateral laparoscópica, que é o tratamento de escolha para o adenoma produtor de aldosterona unilateral. A via laparoscópica é preferida por ser minimamente invasiva, com menor morbidade, menor tempo de internação e recuperação mais rápida. A adrenalectomia bilateral não é indicada, pois levaria à insuficiência adrenal permanente, exigindo reposição hormonal vitalícia. O tratamento clínico com espironolactona é reservado para a hiperplasia bilateral ou para pacientes que não são candidatos à cirurgia. A radioterapia não tem papel no tratamento do hiperaldosteronismo primário, e a alta com observação seria inadequada diante de um diagnóstico definido e de uma conduta curativa disponível.

A pegadinha da questão está em confundir o tratamento do adenoma unilateral com o da hiperplasia bilateral. A banca explora exatamente essa distinção: enquanto o adenoma unilateral é tratado com cirurgia, a hiperplasia bilateral é tratada clinicamente. O candidato que não domina essa diferença pode marcar a alternativa C (espironolactona), que seria correta apenas para a hiperplasia bilateral. Além disso, a alternativa B (adrenalectomia bilateral) é um erro grave, pois a remoção bilateral das adrenais causa insuficiência adrenal definitiva, uma condição grave que exige reposição hormonal para o resto da vida.

Guarde a fronteira entre adenoma unilateral e hiperplasia bilateral: é exatamente nela que as alternativas se dividem. O adenoma unilateral → cirurgia (adrenalectomia unilateral); a hiperplasia bilateral → tratamento clínico (antagonistas mineralocorticoides).

Hiperaldosteronismo primário
  • 1Adenoma unilateral (Síndrome de Conn)
    • Adrenalectomia unilateral laparoscópica
  • 2Hiperplasia adrenal bilateral
    • Antagonistas mineralocorticoides (espironolactona)
  • 3Diagnóstico
    • Triagem: razão aldosterona/renina
    • Confirmação: teste de supressão
    • Lateralização: amostragem venosa adrenal (padrão-ouro)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A adrenalectomia unilateral laparoscópica é o tratamento de escolha para o adenoma produtor de aldosterona unilateral. O paciente tem nódulo adrenal unilateral de 2,5 cm, com bioquímica compatível com hiperaldosteronismo primário (aldosterona elevada, renina suprimida). A cirurgia remove a fonte de produção excessiva de aldosterona, corrigindo a hipocalemia e melhorando o controle pressórico. A via laparoscópica é preferida por ser minimamente invasiva, com menor morbidade e recuperação mais rápida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A adrenalectomia bilateral obrigatória é um erro grave. A remoção bilateral das adrenais causaria insuficiência adrenal permanente, exigindo reposição hormonal vitalícia com glicocorticoides e mineralocorticoides. Essa conduta só seria considerada em casos extremamente raros, como hiperaldosteronismo bilateral grave refratário ao tratamento clínico, o que não é o caso do paciente, que tem nódulo unilateral.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A espironolactona contínua, sem cirurgia, é o tratamento de escolha para a hiperplasia adrenal bilateral, não para o adenoma unilateral. No adenoma produtor de aldosterona, a cirurgia é curativa e preferível ao tratamento clínico, que exigiria uso contínuo de medicação e não eliminaria a causa. A alternativa confunde as duas principais causas de hiperaldosteronismo primário.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A radioterapia adrenal não tem papel no tratamento do hiperaldosteronismo primário. Essa modalidade é utilizada em alguns tumores adrenais malignos, como o carcinoma adrenocortical, mas não no adenoma produtor de aldosterona, que é um tumor benigno e responde à cirurgia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alta hospitalar com observação é inadequada. O paciente tem um diagnóstico definido de hiperaldosteronismo primário com nódulo adrenal unilateral, uma condição tratável e potencialmente curável. A observação sem tratamento deixaria o paciente exposto aos riscos da hipertensão resistente e da hipocalemia, como eventos cardiovasculares e arritmias.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o tratamento do adenoma unilateral e o da hiperplasia bilateral. O candidato que não domina essa distinção pode marcar a alternativa C (espironolactona), que seria correta apenas para a hiperplasia bilateral. Lembre-se: adenoma unilateral → cirurgia; hiperplasia bilateral → clínico.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao se deparar com um caso de hiperaldosteronismo primário, identifique primeiro se o nódulo é unilateral ou se há hiperplasia bilateral. Se unilateral, a conduta é cirúrgica (adrenalectomia laparoscópica). Se bilateral, o tratamento é clínico com antagonistas mineralocorticoides. Essa distinção é a chave para acertar questões sobre o tema.

Gabarito: letra A

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