Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — FGV 2025

MedicinaEnvenenamentos e Acidentes
Código
fg114219
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Homem de 40 anos, vítima de colisão automobilística, chega a emergência hipotenso (PA 70 x 40 mmHg), taquicárdico, com instabilidade pélvica ao exame físico (pelve aberta à compressão). Realizou-se um FAST, que resultou negativo para líquido livre intra-abdominal.Nesse caso, a conduta inicial mais indicada é
  1. Alaparotomia exploradora imediata.
  2. Bestabilização pélvica com fixador externo ou cinturão pélvico, associada a reposição volêmica e considerar embolização arterial.
  3. Cradioterapia pélvica para controle do sangramento.
  4. Dobservação clínica em enfermaria.
  5. Eantibioticoterapia isolada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — estabilização pélvica com fixador externo ou cinturão pélvico, associada a reposição volêmica e considerar embolização arterial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma pélvico com instabilidade hemodinâmica: conduta inicial

Gabarito: letra B. Em paciente com trauma fechado, instabilidade pélvica e choque hemorrágico, a conduta inicial é a estabilização pélvica (cinturão pélvico ou fixador externo) associada à reposição volêmica e à consideração de embolização arterial — o FAST negativo não exclui sangramento retroperitoneal, e a laparotomia imediata não é indicada sem evidência de lesão intra-abdominal. Essa conduta segue os princípios do damage control e do ATLS, que priorizam o controle do foco de sangramento e a ressuscitação hemodinâmica.

O trauma pélvico é uma das principais causas de choque hemorrágico no trauma fechado. A pelve é um anel ósseo que, quando fraturado, pode romper o plexo venoso sacral e as artérias ilíacas internas, levando a sangramento retroperitoneal maciço. O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é um exame à beira do leito que avalia a presença de líquido livre na cavidade abdominal, mas não visualiza o retroperitônio — exatamente onde ocorre o sangramento pélvico. Por isso, um FAST negativo em um paciente com instabilidade pélvica e choque não afasta a hemorragia pélvica como fonte do choque.

A conduta inicial, portanto, não é abrir o abdome, mas sim estabilizar o anel pélvico para reduzir o volume pélvico e tamponar o sangramento venoso, além de ressuscitar com hemoderivados (priorizando a reposição de sangue e derivados, com uso restrito de cristaloides) e considerar a embolização arterial se houver suspeita de sangramento arterial ativo. A laparotomia fica reservada para os casos em que o FAST é positivo (líquido livre intra-abdominal) ou quando há outra indicação cirúrgica clara.

A banca explora exatamente a confusão entre o sangramento intra-abdominal (que o FAST detecta) e o sangramento retroperitoneal (que o FAST não detecta). O candidato que associa "FAST negativo" a "sem sangramento" erra a questão, pois no trauma pélvico o choque pode ser explicado pela hemorragia pélvica mesmo com FAST negativo. A alternativa correta amarra todos os elementos: estabilização pélvica + reposição volêmica + considerar embolização.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o sangramento intra-abdominal (detectado pelo FAST) pelo sangramento retroperitoneal (não detectado pelo FAST). O FAST negativo não exclui a hemorragia pélvica — o choque nesse paciente é explicado pela pelve instável, não pelo abdome. Guarde: FAST negativo + instabilidade pélvica + choque = estabilizar a pelve, não abrir o abdome.

  1. 1Estabilizar pelve (cinturão/fixador)
  2. 2Reposição volêmica (hemoderivados)
  3. 3Considerar embolização arterial
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A laparotomia exploradora imediata é indicada quando há FAST positivo (líquido livre intra-abdominal) ou peritonite, não quando o FAST é negativo. No trauma pélvico fechado com FAST negativo, a fonte do choque é o sangramento retroperitoneal, que não é acessado pela laparotomia — abrir o abdome sem indicação aumenta a morbimortalidade. A conduta é estabilizar a pelve e ressuscitar, não operar o abdome.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A estabilização pélvica (cinturão pélvico ou fixador externo) reduz o volume pélvico e tampona o sangramento venoso; a reposição volêmica com hemoderivados trata o choque hemorrágico; e a embolização arterial é considerada quando há suspeita de sangramento arterial ativo (por exemplo, na persistência de instabilidade após a estabilização). Essa é a conduta inicial recomendada pelo ATLS e pelos princípios do damage control.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A radioterapia pélvica não é utilizada no controle de sangramento agudo do trauma. A radioterapia tem indicação oncológica, não hemorrágica. No trauma, o controle do sangramento é feito por estabilização mecânica, compressão, embolização ou cirurgia — nunca por radioterapia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A observação clínica em enfermaria é totalmente inadequada para um paciente em choque hemorrágico (PA 70 x 40 mmHg, taquicárdico). Paciente instável exige intervenção imediata: estabilização pélvica, reposição volêmica e monitorização em ambiente de terapia intensiva ou sala de emergência, não observação passiva em enfermaria.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A antibioticoterapia isolada não trata o choque hemorrágico. Antibióticos são indicados como profilaxia em traumas penetrantes (uma dose única pré-operatória), mas não têm papel no controle do sangramento. A conduta inicial no choque hemorrágico é controle do foco de sangramento e ressuscitação, não antibióticos.

Gabarito: letra B — estabilização pélvica + reposição volêmica + considerar embolização arterial.

Link permanente: /questoes/fg114219