Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Mulher de 27 anos encontra-se na emergência por queda de grande altura. Está consciente, com tetraplegia flácida, arreflexia e PA 80 x 40 mmHg, FC 55 bpm.A melhor interpretação e a conduta inicial são:
Achoque hipovolêmico → expandir com cristaloides.
Bchoque neurogênico → fazer reposição volêmica limitada + vasopressores.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Choque neurogênico: diagnóstico e conduta inicial
Gabarito: letra B. O quadro clínico — tetraplegia flácida, arreflexia, hipotensão e bradicardia após trauma raquimedular — é a apresentação clássica do choque neurogênico, cuja conduta inicial combina reposição volêmica limitada com vasopressores (norepinefrina é a primeira escolha). A bradicardia é o dado-chave que diferencia o neurogênico do hipovolêmico, pois neste último espera-se taquicardia compensatória.
O choque é uma síndrome de hipoperfusão tecidual que se classifica em quatro grandes grupos: hipovolêmico (perda de volume), cardiogênico (falência de bomba), obstrutivo (obstrução ao enchimento/ejeção) e distributivo (perda do tônus vascular — inclui séptico, neurogênico e anafilático). No trauma, o mecanismo mais comum é o hipovolêmico por sangramento, mas a lesão medular alta (acima de T6) interrompe a via simpática, causando vasodilatação periférica e perda do tônus vascular — o que configura o choque neurogênico, um subtipo de choque distributivo.
A fisiopatologia explica os sinais: a perda do tônus simpático leva à vasodilatação (hipotensão) e à bradicardia (por predomínio vagal, já que a inervação parassimpática do coração, via nervo vago, permanece intacta). A pele fica quente e seca, ao contrário do choque hipovolêmico, em que a pele é fria e pegajosa. A tetraplegia flácida com arreflexia confirma a lesão medular aguda (fase de choque espinhal).
O tratamento inicial do choque neurogênico envolve: (1) reposição volêmica limitada — o paciente não está hipovolêmico, e a infusão agressiva de cristaloides pode precipitar edema pulmonar, pois o leito vascular está dilatado; (2) vasopressores — a norepinefrina é a droga de primeira linha para restaurar o tônus vascular e a pressão arterial média; (3) atropina para bradicardia sintomática, se necessário. A pressão arterial média deve ser mantida acima de 85 mmHg para preservar a perfusão da medula espinal lesada.
A distinção entre os tipos de choque é o cerne da questão. A banca explora a confusão entre o neurogênico e o hipovolêmico, ambos comuns no trauma. A tabela abaixo fixa o contraste:
Critério
Neurogênico
Hipovolêmico
Frequência cardíaca
Bradicardia
Taquicardia
Pele
Quente e seca
Fria e pegajosa
Mecanismo
Perda do tônus simpático
Perda de volume intravascular
Conduta
Volume limitado + vasopressor
Expansão volêmica agressiva
Guarde o par bradicardia + tetraplegia = neurogênico e taquicardia + pele fria = hipovolêmico: é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Choque neurogênico: Fisiopatologia (Lesão medular acima de T6, Perda do tônus simpático, Vasodilatação + bradicardia); Diagnóstico (Tetraplegia flácida, Hipotensão + FC baixa, Pele quente e seca); Conduta inicial (Reposição volêmica limitada, Vasopressor (norepinefrina), Atropina se bradicardia sintomática)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Classifica o quadro como choque hipovolêmico e indica expansão com cristaloides. O erro está na bradicardia: no choque hipovolêmico, o sistema nervoso simpático é ativado, gerando taquicardia compensatória. A tetraplegia flácida também não é explicada pela hipovolemia isolada. A expansão volêmica agressiva, sem vasopressor, seria inadequada no neurogênico, pois o leito vascular está dilatado e o volume pode extravasar, causando edema pulmonar.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Identifica corretamente o choque neurogênico e a conduta inicial: reposição volêmica limitada + vasopressores. A tetraplegia flácida, a arreflexia, a hipotensão e a bradicardia após trauma de grande altura são a tríade clássica. A norepinefrina é o vasopressor de primeira escolha para restaurar o tônus vascular perdido pela interrupção da via simpática.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Classifica como choque séptico precoce. Não há febre, foco infeccioso ou história compatível com sepse. O choque séptico é um choque distributivo, mas cursa tipicamente com taquicardia e extremidades quentes, não com bradicardia e tetraplegia. A conduta com antibióticos imediatos não se aplica ao quadro traumático apresentado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Classifica como choque cardiogênico. Não há história de dor torácica, dispneia ou sinais de congestão; a tetraplegia não é explicada por falência de bomba. O choque cardiogênico cursa com hipotensão, mas frequentemente com taquicardia (ou bradicardia em IAM de parede inferior) e congestão pulmonar. Drogas inotrópicas não são a primeira linha no neurogênico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Classifica como choque anafilático. Não há história de exposição a alérgeno, urticária, angioedema ou broncoespasmo. A anafilaxia cursa com vasodilatação e aumento da permeabilidade, mas a tetraplegia flácida não faz parte do quadro. A adrenalina intramuscular é a conduta na anafilaxia, não no choque neurogênico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre choque neurogênico e hipovolêmico no trauma. O candidato que vê "queda de grande altura" e "PA 80 x 40" pensa imediatamente em hipovolemia e escolhe a letra A. Mas a bradicardia (FC 55) é o sinal que desmonta essa hipótese: no hipovolêmico, o corpo compensa com taquicardia. A tetraplegia flácida fecha o diagnóstico de lesão medular e choque neurogênico. Na prova, quando vir trauma + hipotensão, pergunte-se: a FC está alta ou baixa? Se baixa, pense em neurogênico (ou cardiogênico/obstrutivo).
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar os tipos de choque na emergência, monte um raciocínio rápido: (1) FC — taquicardia sugere hipovolêmico/séptico/cardiogênico; bradicardia sugere neurogênico (ou IAM de parede inferior). (2) Pele — fria e úmida = hipovolêmico/cardiogênico; quente e seca = séptico/neurogênico. (3) Mecanismo — trauma com tetraplegia = neurogênico; trauma com sangramento visível = hipovolêmico. Essa triagem resolve a maioria das questões de choque.