Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
fg114224
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Mulher de 26 anos foi vítima de acidente automobilístico com trauma torácico fechado. Saturação O₂ 85% em ar ambiente, taquipneia. Telerradiografia torácica mostra infiltrado alveolar difuso em lobo inferior direito. Uma TC confirma contusão pulmonar extensa.Diante desse quadro, a conduta inicial mais adequada será
  1. Aradioterapia torácica.
  2. Blobectomia imediata para ressecção do parênquima lesado.
  3. Cantibioticoterapia profilática de amplo espectro obrigatória.
  4. Dalta hospitalar com analgesia.
  5. Eoxigenoterapia suplementar e suporte ventilatório conforme necessidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — oxigenoterapia suplementar e suporte ventilatório conforme necessidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Contusão pulmonar no trauma torácico fechado: conduta inicial

Gabarito: letra E. Em paciente com trauma torácico fechado, contusão pulmonar extensa confirmada por TC e hipoxemia (SpO₂ 85%), a conduta inicial é oxigenoterapia suplementar e suporte ventilatório conforme necessidade — o tratamento da contusão pulmonar é essencialmente de suporte, conforme preconizado pelo ATLS e pela literatura de trauma. As demais alternativas propõem condutas inadequadas ou sem indicação para o caso.

A contusão pulmonar é uma lesão comum no trauma torácico fechado, caracterizada por inflamação e hemorragia do parênquima pulmonar, resultando em hipoxemia e dispneia devido ao efeito shunt. O mecanismo envolve a transmissão de energia cinética do trauma à parede torácica, que lesa o parênquima subjacente sem necessariamente causar laceração. O diagnóstico é confirmado por imagem — a radiografia pode não mostrar as contusões nas primeiras horas, mas a TC é o padrão-ouro e evidencia a extensão da lesão, como no caso da paciente.

O tratamento da contusão pulmonar é de suporte, não cirúrgico. Os pilares são: fornecimento de oxigênio conforme demanda, analgesia adequada, ventilação com pressão positiva (se não houver contraindicações) para permitir expansão torácica, fisioterapia respiratória para clareamento de secreções e evitar sobrecarga hídrica — o balanço hídrico positivo está associado a maior tempo de ventilação mecânica e piores desfechos. Casos graves podem demandar ventilação mecânica invasiva, com critérios diagnósticos para SDRA, e as estratégias ventilatórias devem ser semelhantes às usadas na SDRA. O pico de piora ocorre por volta de 72 horas do trauma, com resolução ao redor do sétimo dia.

A conduta inicial no departamento de emergência, segundo o ATLS, preconiza o uso de máscara não reinalante (máscara com reservatório) conectada a uma fonte de oxigênio em todos os pacientes com suspeita de lesão torácica, independentemente da saturação de oxigênio e de sintomas respiratórios, antes mesmo do diagnóstico de lesão. No caso da paciente, com SpO₂ 85% em ar ambiente, a oxigenoterapia é mandatória e imediata, com suporte ventilatório conforme a evolução.

A pegadinha desta questão está em confundir a conduta inicial de suporte com intervenções cirúrgicas ou tratamentos específicos que não se aplicam à contusão pulmonar isolada. A banca explora a ansiedade do candidato em "fazer algo" diante de um quadro grave, mas a medicina baseada em evidências mostra que a contusão pulmonar não tem tratamento cirúrgico imediato — a lobectomia é reservada para casos extremos de necrose ou complicações, e a antibioticoterapia profilática não é rotina. O tratamento é de suporte, com oxigenação e ventilação adequadas, analgesia e fisioterapia respiratória.

Guarde o princípio: contusão pulmonar = tratamento de suporte. É exatamente esse critério que separa a alternativa correta das demais — as opções cirúrgicas, radioterápicas e de antibioticoterapia profilática não fazem parte da conduta inicial.

  1. 1Oxigenoterapia (máscara não reinalante)
  2. 2Analgesia adequada
  3. 3Suporte ventilatório se necessário
  4. 4Fisioterapia respiratória
  5. 5Balanço hídrico criterioso
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A radioterapia torácica não tem nenhuma indicação no tratamento da contusão pulmonar traumática. A radioterapia é utilizada no tratamento de neoplasias pulmonares, não em lesões traumáticas agudas. A contusão pulmonar é uma lesão por mecanismo contuso que causa hemorragia e edema do parênquima, e a radiação não tem papel na sua resolução — pelo contrário, poderia agravar a inflamação local.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A lobectomia imediata para ressecção do parênquima lesado é absolutamente contraindicada como conduta inicial. A contusão pulmonar é uma lesão difusa do parênquima, e a ressecção cirúrgica não trata a fisiopatologia — a inflamação e o edema. A cirurgia está reservada para complicações específicas, como necrose extensa, abscesso ou fístula broncopleural, e nunca como tratamento inicial. A ressecção de parênquima viável, ainda que contundido, pioraria a função pulmonar já comprometida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A antibioticoterapia profilática de amplo espectro obrigatória não é indicada na contusão pulmonar. A contusão pulmonar é uma lesão estéril, e a antibioticoterapia profilática não previne pneumonia associada à ventilação mecânica nem melhora os desfechos. O uso de antibióticos deve ser reservado para infecções documentadas ou suspeitas, como pneumonia ou infecção de cavidade (que pode ocorrer como sequela, tratada com antibióticos e drenagem percutânea guiada por TC). A palavra "obrigatória" torna a alternativa ainda mais incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alta hospitalar com analgesia é inadequada diante do quadro. A paciente apresenta hipoxemia (SpO₂ 85%), taquipneia e contusão pulmonar extensa — sinais de comprometimento respiratório que exigem internação e monitoramento. A analgesia é parte do tratamento de suporte, mas isoladamente não é suficiente. A paciente necessita de oxigenoterapia e suporte ventilatório, além de monitoramento em ambiente hospitalar, pois o pico de piora ocorre em até 72 horas.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A oxigenoterapia suplementar e o suporte ventilatório conforme necessidade constituem a conduta inicial correta para contusão pulmonar com hipoxemia. O tratamento é de suporte: fornecimento de oxigênio conforme demanda, analgesia adequada e ventilação com pressão positiva (se não houver contraindicações) para permitir expansão torácica. A paciente, com SpO₂ 85%, deve receber oxigênio por máscara não reinalante imediatamente, e a ventilação mecânica deve ser considerada se houver piora da oxigenação ou da mecânica ventilatória. Essa conduta está alinhada com o ATLS e com a literatura de trauma torácico.

PEGA ESSA DICA!

Na prova de cirurgia/trauma, lembre-se: contusão pulmonar é tratada com suporte, nunca com cirurgia. As alternativas que propõem ressecção, radioterapia ou antibioticoterapia profilática obrigatória são distratores clássicos. Foque em oxigenação, analgesia, fisioterapia respiratória e balanço hídrico criterioso.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/fg114224