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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
fg114226
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Homem de 32 anos, vítima de colisão de moto, chega à sala de trauma em choque: PA 70/40 mmHg, taquicardia, dispneia grave, desvio de traqueia para a esquerda e ausência de murmúrio vesicular no hemitórax direito.Nesse caso, a sua conduta imediata será a
  1. Acolocação de dreno de tórax em selo d’água no 5º espaço intercostal.
  2. Brealização de toracotomia imediata no pronto-socorro.
  3. Cpunção descompressiva com agulha no 2º espaço intercostal direito, seguida de drenagem em selo d’água.
  4. Dintubação orotraqueal com ventilação com pressão positiva antes da drenagem.
  5. Esolicitação TC de tórax para confirmação diagnóstica.
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GabaritoC — punção descompressiva com agulha no 2º espaço intercostal direito, seguida de drenagem em selo d’água.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pneumotórax hipertensivo: conduta imediata no trauma

Gabarito: letra C. O quadro descrito — choque, dispneia grave, desvio de traqueia para a esquerda e ausência de murmúrio vesicular no hemitórax direito — é clássico de pneumotórax hipertensivo, uma emergência que exige descompressão imediata com agulha no 2º espaço intercostal direito, na linha hemiclavicular, seguida de drenagem torácica em selo d'água. A conduta é baseada nos protocolos de suporte avançado de vida no trauma (ATLS), que priorizam a descompressão imediata antes de qualquer exame complementar.

O pneumotórax hipertensivo ocorre quando há um mecanismo de válvula unidirecional na pleura: o ar entra na cavidade pleural a cada inspiração, mas não consegue sair na expiração. Isso leva a um acúmulo progressivo de ar, com aumento da pressão intrapleural, colapso do pulmão e desvio do mediastino para o lado contralateral. O desvio da traqueia é um sinal tardio e grave, indicando que a pressão está comprimindo as estruturas mediastinais, incluindo a veia cava, o que compromete o retorno venoso e causa choque obstrutivo. A ausculta revela ausência de murmúrio vesicular no lado afetado, e a percussão mostra hipertimpanismo. O paciente apresenta taquicardia, hipotensão e dispneia intensa, podendo evoluir para parada cardiorrespiratória em assistolia se não tratado rapidamente.

A fisiopatologia explica a urgência: o aumento da pressão intrapleural comprime o coração e os grandes vasos, reduzindo o débito cardíaco. O tratamento definitivo é a drenagem torácica, mas a descompressão imediata com agulha é a medida que salva a vida no momento do diagnóstico, pois alivia a pressão e estabiliza o paciente até a drenagem definitiva. A punção é realizada no 2º espaço intercostal, na linha hemiclavicular, no lado afetado, com agulha de grosso calibre (14G ou 16G) acoplada a uma seringa com soro ou com válvula unidirecional. Após a descompressão, o dreno de tórax deve ser colocado no 5º espaço intercostal, na linha axilar média, conectado a um sistema de selo d'água.

A alternativa C é a única que descreve corretamente a sequência de condutas: punção descompressiva com agulha no 2º espaço intercostal direito, seguida de drenagem em selo d'água. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de priorização. A letra A sugere apenas a drenagem, sem a descompressão imediata, o que pode ser fatal em um paciente instável. A letra B propõe toracotomia imediata, que não é indicada para pneumotórax hipertensivo, mas sim para hemotórax maciço ou lesões cardíacas. A letra D sugere intubação antes da drenagem, o que pode piorar o quadro, pois a ventilação com pressão positiva aumenta ainda mais a pressão intrapleural. A letra E propõe TC de tórax, que é contraindicada em paciente instável, pois o exame atrasa o tratamento e pode levar à morte.

A pegadinha da banca está em confundir a conduta imediata com o tratamento definitivo. A drenagem torácica é o tratamento definitivo, mas a descompressão com agulha é a medida imediata que deve ser realizada antes. O aluno que conhece a sequência correta identifica a alternativa C como a única que contempla ambas as etapas na ordem certa. Além disso, a banca explora a confusão entre o 2º espaço intercostal (descompressão) e o 5º espaço intercostal (drenagem), que são locais diferentes para procedimentos diferentes.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A colocação de dreno de tórax em selo d'água no 5º espaço intercostal é o tratamento definitivo, mas não é a conduta imediata em um paciente com pneumotórax hipertensivo instável. A descompressão com agulha deve ser realizada primeiro, pois é mais rápida e alivia a pressão imediatamente. A drenagem torácica é um procedimento mais demorado e requer preparo, o que pode ser fatal em um paciente em choque. A alternativa erra ao omitir a punção descompressiva, que é o passo inicial obrigatório.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A toracotomia imediata no pronto-socorro é indicada para hemotórax maciço (drenagem inicial > 1500 mL ou > 200 mL/h por 2-4 horas) ou para lesões cardíacas com tamponamento, não para pneumotórax hipertensivo. No pneumotórax hipertensivo, a descompressão com agulha e a drenagem torácica são suficientes na maioria dos casos. A toracotomia é um procedimento invasivo e de alta morbidade, reservado para situações específicas, e não deve ser realizada como primeira conduta neste cenário.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A punção descompressiva com agulha no 2º espaço intercostal direito, seguida de drenagem em selo d'água, é a conduta imediata correta. A punção alivia a pressão intrapleural, estabilizando o paciente, e a drenagem definitiva é realizada em seguida. A alternativa descreve exatamente a sequência de procedimentos recomendada pelos protocolos de trauma, com o local correto da punção (2º espaço intercostal, linha hemiclavicular) e o tratamento definitivo (dreno em selo d'água).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A intubação orotraqueal com ventilação com pressão positiva antes da drenagem é um erro grave. A ventilação com pressão positiva aumenta a pressão intrapleural, agravando o pneumotórax hipertensivo e piorando o choque obstrutivo. A descompressão deve ser realizada antes de qualquer manobra que aumente a pressão intratorácica. Em um paciente com pneumotórax hipertensivo, a intubação só deve ser considerada após a descompressão, se ainda houver indicação de via aérea definitiva.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A solicitação de TC de tórax para confirmação diagnóstica é contraindicada em paciente instável. O diagnóstico de pneumotórax hipertensivo é clínico, baseado nos sinais de choque, desvio de traqueia e ausência de murmúrio vesicular. Qualquer exame complementar atrasa o tratamento e pode levar à morte. O paciente deve ser tratado imediatamente com descompressão e drenagem, sem necessidade de confirmação por imagem. A TC é reservada para pacientes estáveis, após a estabilização inicial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a conduta imediata (punção descompressiva) pelo tratamento definitivo (drenagem torácica). O aluno que conhece a sequência correta identifica a alternativa C como a única que contempla ambas as etapas na ordem certa. Além disso, a banca explora a confusão entre o 2º espaço intercostal (descompressão) e o 5º espaço intercostal (drenagem), que são locais diferentes para procedimentos diferentes.

PEGA ESSA DICA!

Memorize a sequência: descompressão com agulha (2º EIC, linha hemiclavicular) → drenagem torácica (5º EIC, linha axilar média) → selo d'água. Em paciente instável, nunca solicite exames de imagem antes de tratar. A TC é para paciente estável, após a estabilização.

Gabarito: letra C

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