Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Paciente de 54 anos, sexo feminino, foi submetida à apendicectomia por quadro de apendicite aguda.O exame histopatológico mostrou adenocarcinoma mucinoso do apêndice, comprometendo a base do órgão.Diante desse caso, a conduta cirúrgica complementar indicada será
Aapenas observação clínica, pois a apendicectomia é suficiente.
Bcolectomia direita oncológica com linfadenectomia.
Cradioterapia abdominal profilática.
Dquimioterapia isolada sem cirurgia adicional.
Esigmoidectomia eletiva.
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GabaritoB — colectomia direita oncológica com linfadenectomia.
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Adenocarcinoma mucinoso do apêndice: conduta cirúrgica complementar
Gabarito: letra B. Quando o adenocarcinoma mucinoso compromete a base do apêndice, a apendicectomia simples é insuficiente, pois há risco de comprometimento do ceco e necessidade de ressecção oncológica com linfadenectomia — a conduta indicada é a colectomia direita oncológica. Essa é a recomendação das principais diretrizes de cirurgia oncológica colorretal, que orientam a ressecção formal do cólon direito com linfadenectomia regional para tumores apendiculares invasivos, especialmente quando a base está envolvida.
O adenocarcinoma mucinoso do apêndice é uma neoplasia rara, mas que se comporta de forma distinta da apendicite aguda benigna. Enquanto a apendicite é tratada apenas com apendicectomia, a presença de um tumor maligno exige estadiamento e cirurgia oncológica adequada. O comprometimento da base do apêndice é um fator crítico: como a base se insere no ceco, a simples retirada do apêndice pode deixar margens comprometidas e não aborda a drenagem linfática regional, que é o principal sítio de metástases iniciais.
A colectomia direita oncológica consiste na ressecção do ceco, do cólon ascendente e de parte do cólon transverso, juntamente com a vascularização correspondente e os linfonodos regionais (linfadenectomia). Esse procedimento segue os mesmos princípios da cirurgia para o câncer de cólon direito, garantindo margens cirúrgicas adequadas e a retirada dos linfonodos que drenam a região, o que é essencial para o estadiamento e para o controle local da doença.
A decisão de realizar uma cirurgia mais extensa baseia-se no risco de doença residual e na possibilidade de metástases linfonodais. Estudos mostram que tumores apendiculares com invasão além da submucosa ou com comprometimento da base apresentam risco significativo de linfonodos positivos, o que justifica a linfadenectomia. Além disso, a mucocele ou o adenocarcinoma mucinoso podem se romper e disseminar células neoplásicas na cavidade peritoneal, mas isso não muda a indicação da colectomia direita como tratamento primário.
A banca explora a confusão entre o tratamento da apendicite aguda (apenas apendicectomia) e o tratamento oncológico de um tumor apendicular. O candidato que não conhece a conduta específica para adenocarcinoma mucinoso do apêndice pode optar pela observação ou por tratamentos adjuvantes isolados, mas a cirurgia oncológica é o pilar do tratamento. Guarde a regra: tumor maligno no apêndice, especialmente na base, exige colectomia direita com linfadenectomia — é esse o critério que separa as alternativas.
1Apendicectomia (achado)
2Base comprometida?
3Colectomia direita + linfadenectomia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Apenas observação clínica seria aceitável se o tumor fosse um tumor neuroendócrino pequeno (< 1 cm) e confinado à ponta, sem invasão da base. No entanto, o adenocarcinoma mucinoso é uma neoplasia maligna invasiva, e a apendicectomia isolada não é suficiente quando a base está comprometida, pois há risco de margens positivas e de metástases linfonodais. A conduta correta é a cirurgia oncológica complementar.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A colectomia direita oncológica com linfadenectomia é a conduta indicada para adenocarcinoma mucinoso do apêndice com comprometimento da base. Esse procedimento remove o ceco e o cólon ascendente com os linfonodos regionais, seguindo os princípios da cirurgia oncológica colorretal. É a alternativa que oferece o melhor controle oncológico e permite o estadiamento adequado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A radioterapia abdominal profilática não é indicada como tratamento primário para adenocarcinoma mucinoso do apêndice. A radioterapia tem papel limitado em tumores colorretais e não substitui a ressecção cirúrgica. Além disso, a radioterapia profilática não é utilizada nesse contexto, pois o tratamento de escolha é cirúrgico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A quimioterapia isolada, sem cirurgia, não é o tratamento padrão para adenocarcinoma mucinoso do apêndice ressecável. A quimioterapia pode ser considerada em casos avançados ou metastáticos, mas a cirurgia é o tratamento primário. A quimioterapia adjuvante pode ser indicada após a ressecção, dependendo do estadiamento, mas nunca substitui a cirurgia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A sigmoidectomia eletiva é um procedimento para doenças do cólon sigmoide, como diverticulite ou câncer de sigmoide, e não tem relação com o apêndice. A ressecção correta para tumores apendiculares é a colectomia direita, que inclui o ceco e o cólon ascendente, e não a sigmoidectomia.