Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Paciente masculino de 64 anos apresenta anemia ferropriva, dor abdominal intermitente e perda de 7 kg em 4 meses.Enteroscopia mostra lesão estenosante em jejuno proximal, e a biópsia confirma adenocarcinoma. Uma tomografia computadorizada não mostra metástases.Nesse caso, a conduta cirúrgica mais indicada é
Aa quimioterapia exclusiva como tratamento inicial.
Bapenas o acompanhamento clínico por ser tumor raro.
Ca radioterapia abdominal isolada.
Da ressecção segmentar com margens livres e linfadenectomia regional.
Ea ressecção endoscópica da lesão.
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GabaritoD — a ressecção segmentar com margens livres e linfadenectomia regional.
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Adenocarcinoma de jejuno proximal: conduta cirúrgica
Gabarito: letra D. Para adenocarcinoma de intestino delgado localizado, sem metástases, a conduta cirúrgica padrão é a ressecção segmentar com margens livres e linfadenectomia regional — a cirurgia é o tratamento curativo de escolha, e a linfadenectomia é essencial para o estadiamento e controle locorregional. As demais alternativas (quimioterapia exclusiva, acompanhimento clínico, radioterapia isolada e ressecção endoscópica) não são condutas adequadas para um adenocarcinoma estenosante de jejuno proximal em paciente elegível à cirurgia.
O adenocarcinoma de intestino delgado é uma neoplasia rara, mas seu tratamento curativo, quando a doença é localizada e ressecável, é cirúrgico. A ressecção segmentar do intestino delgado com margens livres (idealmente ≥ 5 cm) e a linfadenectomia regional (com amostragem de pelo menos 12 linfonodos) são os pilares do tratamento. A linfadenectomia não apenas remove possíveis metástases linfonodais, mas também fornece informações prognósticas cruciais para decidir sobre terapia adjuvante. A quimioterapia, nesse cenário, é adjuvante (após a cirurgia) ou paliativa (em doença metastática), nunca exclusiva como tratamento inicial de doença localizada. A radioterapia isolada não é o padrão para adenocarcinoma de intestino delgado, sendo reservada para situações específicas, como doença residual ou margens comprometidas. A ressecção endoscópica é indicada apenas para lesões muito precoces (T1) e com critérios favoráveis, o que não se aplica a uma lesão estenosante, que já invade profundamente a parede intestinal.
A apresentação clínica do paciente — anemia ferropriva, dor abdominal e perda de peso — é típica de tumores de intestino delgado, que frequentemente sangram de forma crônica e causam obstrução parcial. A lesão estenosante em jejuno proximal, confirmada como adenocarcinoma, é uma indicação clara de ressecção cirúrgica. A ausência de metástases na tomografia reforça a intenção curativa do procedimento. A cirurgia deve ser realizada com margens livres e linfadenectomia regional, conforme o padrão oncológico.
A principal distinção que a banca explora é entre a ressecção cirúrgica curativa (com linfadenectomia) e as terapias não cirúrgicas (quimioterapia, radioterapia) ou técnicas menos invasivas (ressecção endoscópica). A ressecção endoscópica é tentadora, mas só é válida para tumores superficiais (T1) com critérios favoráveis — uma lesão estenosante já é, por definição, avançada (T2 ou mais), exigindo ressecção cirúrgica completa. A quimioterapia exclusiva seria um erro grave, pois não é curativa para doença localizada. A radioterapia isolada não é o tratamento padrão para adenocarcinoma de intestino delgado. O acompanhamento clínico seria negligência, pois a doença é ressecável e curável.
Guarde a fronteira entre doença localizada ressecável (cirurgia curativa com linfadenectomia) e doença avançada/metastática (quimioterapia paliativa ou sistêmica): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
1Localizado e ressecável
2Ressecção segmentar + linfadenectomia
3Adjuvância conforme estadiamento
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A quimioterapia exclusiva como tratamento inicial não é indicada para adenocarcinoma de intestino delgado localizado e ressecável. A quimioterapia é adjuvante (após cirurgia) ou paliativa (em doença metastática), nunca substituta da cirurgia curativa. A ressecção cirúrgica é o único tratamento potencialmente curativo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Acompanhamento clínico apenas seria negligência. Embora o adenocarcinoma de intestino delgado seja raro, é uma doença agressiva e potencialmente curável quando ressecada precocemente. A ausência de tratamento cirúrgico condenaria o paciente a progressão da doença, obstrução e metástases.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A radioterapia abdominal isolada não é o tratamento padrão para adenocarcinoma de intestino delgado. A radioterapia tem papel limitado, geralmente adjuvante ou paliativo, e não substitui a ressecção cirúrgica curativa. Para tumores de cólon, a radioterapia não é recomendada rotineiramente; para intestino delgado, a evidência é ainda mais escassa.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ressecção segmentar com margens livres e linfadenectomia regional é a conduta cirúrgica padrão para adenocarcinoma de intestino delgado localizado. A cirurgia remove o tumor primário com margens adequadas (≥ 5 cm) e a linfadenectomia regional permite estadiamento preciso e controle locorregional. A ausência de metástases na tomografia confirma a intenção curativa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ressecção endoscópica é indicada apenas para tumores muito precoces (T1) com critérios favoráveis (invasão submucosa < 1.000 micra, ausência de invasão angiolinfática, histologia bem diferenciada, ausência de tumor budding e margens livres). Uma lesão estenosante em jejuno proximal é, por definição, avançada (≥ T2), exigindo ressecção cirúrgica segmentar com linfadenectomia. A ressecção endoscópica não conseguiria remover a lesão com margens adequadas nem realizar a linfadenectomia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a ressecção endoscópica (válida para tumores superficiais T1) e a ressecção cirúrgica (necessária para tumores avançados). A lesão estenosante é um sinal de tumor avançado, que invade profundamente a parede intestinal — por isso, a ressecção endoscópica é inadequada. Fique atento: a palavra "estenosante" no enunciado é a chave para descartar a alternativa E.
PEGA ESSA DICA!
Para tumores de intestino delgado, memorize o algoritmo: localizado e ressecável → cirurgia com margens livres + linfadenectomia; metastático → quimioterapia paliativa; T1 superficial com critérios favoráveis → ressecção endoscópica. A presença de obstrução, estenose ou invasão profunda sempre indica cirurgia.