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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2025

MedicinaOncologia
Código
fg114241
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Homem de 54 anos, portador de cirrose hepática por hepatite B, em acompanhamento ambulatorial.Em rastreamento semestral, uma ultrassonografia revela nódulo hepático sólido de 2,5 cm no lobo direito. Exames laboratoriais: alfafetoproteína -AFP = 560 ng/mL.A interpretação correta desse achado é
  1. Aa elevação da AFP confirma o diagnóstico de carcinoma hepatocelular, sem necessidade de outros exames.
  2. Ba AFP elevada sugere carcinoma hepatocelular, mas imagem dinâmica (TC/RM com contraste) é fundamental para confirmar.
  3. CAFP é marcador específico para metástases hepáticas de câncer colorretal.
  4. Da AFP não tem qualquer utilidade prática na cirurgia hepática.
  5. Eo valor da AFP indica que o tumor é irressecável, sendo candidato apenas a transplante.
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GabaritoB — a AFP elevada sugere carcinoma hepatocelular, mas imagem dinâmica (TC/RM com contraste) é fundamental para confirmar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma hepatocelular: papel da alfafetoproteína e da imagem dinâmica

Gabarito: letra B. Em paciente cirrótico com nódulo hepático sólido e AFP elevada (560 ng/mL), a conduta correta é considerar o carcinoma hepatocelular (CHC) como principal hipótese, mas confirmar o diagnóstico com imagem dinâmica (TC ou RM com contraste), que é o padrão para o diagnóstico não invasivo. A AFP isolada não confirma o diagnóstico, não é específica para metástases colorretais, tem utilidade clínica e não define ressecabilidade.

O carcinoma hepatocelular é o tipo mais comum de câncer primário de fígado, e sua associação com cirrose — especialmente por hepatite B crônica — é clássica. O diagnóstico do CHC é uma das raras situações em que se pode prescindir da biópsia, desde que haja critérios clínicos e radiológicos típicos. Esses critérios combinam: cirrose subjacente, nível elevado de alfafetoproteína (acima de 400 ng/mL) e aparência característica na TC com contraste ou RM (realce arterial e rápido washout). No caso apresentado, o paciente tem cirrose por hepatite B, nódulo de 2,5 cm e AFP de 560 ng/mL — ou seja, preenche dois dos três critérios. Falta justamente o critério de imagem dinâmica, que é o que fecha o diagnóstico sem necessidade de biópsia.

A alfafetoproteína é uma glicoproteína produzida pelo fígado fetal e que se eleva em várias situações: carcinoma hepatocelular, tumores de células germinativas, hepatites agudas e crônicas com atividade, e até mesmo na gravidez. Por isso, ela é um marcador sensível, mas não específico — sua elevação isolada não confirma o diagnóstico de CHC. O valor de 560 ng/mL é bastante sugestivo, mas a confirmação exige a imagem dinâmica, que mostra o padrão vascular típico do tumor (realce na fase arterial e washout na fase venosa/portal).

Na prática, o fluxo diagnóstico em paciente cirrótico com nódulo hepático é: ultrassonografia de rastreamento detecta o nódulo → se houver suspeita, realiza-se TC ou RM com contraste → se a imagem mostrar o padrão típico (realce arterial + washout), o diagnóstico de CHC é firmado, mesmo sem biópsia. A biópsia fica reservada para casos em que a imagem não é conclusiva ou quando não há cirrose subjacente. Nódulos suspeitos de hepatocarcinoma não devem ser rotineiramente biopsiados, justamente pelo risco de complicações e pela possibilidade de diagnóstico não invasivo.

A pegadinha desta questão está em superestimar o papel da AFP. O candidato que decora que "AFP > 400 confirma CHC" erra a alternativa A, pois a AFP é apenas um dos critérios, e o diagnóstico definitivo depende da imagem dinâmica. A banca explora exatamente essa confusão entre "marcador sugestivo" e "critério diagnóstico isolado".

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você acreditar que a AFP elevada, sozinha, confirma o CHC. Mas o diagnóstico não invasivo exige a tríade: cirrose + AFP > 400 + imagem dinâmica típica. A imagem é o critério que falta no caso — e é o que a alternativa B corretamente aponta.

  1. 1Cirrose + nódulo suspeito
  2. 2AFP > 400 ng/mL
  3. 3TC/RM com contraste
  4. 4Realce arterial + washout
  5. 5[+] Confirma CHC sem biópsia
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a elevação da AFP confirma o diagnóstico sem outros exames. Errado: a AFP é um marcador sugestivo, mas não específico — pode estar elevada em hepatites, tumores de células germinativas e outras condições. O diagnóstico de CHC exige confirmação por imagem dinâmica (TC/RM com contraste) ou biópsia, conforme os critérios não histológicos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. A AFP elevada em paciente cirrótico com nódulo hepático é altamente sugestiva de CHC, mas a confirmação exige imagem dinâmica (TC ou RM com contraste) mostrando o padrão típico de realce arterial e washout. É exatamente o que falta no caso para fechar o diagnóstico não invasivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a AFP é marcador específico para metástases hepáticas de câncer colorretal. Errado: a AFP não é marcador de metástases colorretais — o marcador clássico do câncer colorretal é o CEA (antígeno carcinoembrionário). A AFP se associa ao CHC e a tumores de células germinativas, não a metástases hepáticas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a AFP não tem qualquer utilidade prática na cirurgia hepática. Errado: a AFP é útil no rastreamento, no diagnóstico (como critério não histológico) e no monitoramento de resposta ao tratamento e recidiva. Ela tem utilidade clínica real, embora não seja suficiente isoladamente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o valor da AFP indica tumor irressecável, sendo candidato apenas a transplante. Errado: a AFP não define ressecabilidade. A decisão entre ressecção, transplante, ablação ou outras terapias depende do estadiamento (sistema BCLC), da função hepática (Child-Pugh, MELD) e da extensão do tumor — não do valor isolado da AFP. Um nódulo de 2,5 cm pode ser elegível para ressecção ou transplante, dependendo dos critérios de Milão e da função hepática.

Gabarito: letra B

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