Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
fg114242
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Sua paciente de 38 anos apresenta episódios recorrentes de sudorese, palpitações, tremores e confusão mental, que melhoram rapidamente após ingestão de carboidratos.Durante internação, foi documentada tríade de Whipple: glicemia < 50 mg/dL, sintomas neuroglicopênicos durante hipoglicemia e alívio imediato após glicose endovenosa. Nos exames, a dosagem de insulina sérica está inapropriadamente elevada no momento da hipoglicemia.Para essa paciente, a conduta mais adequada é
  1. Atratar apenas com dieta fracionada e restrição de açúcares simples.
  2. Busar continuamente diazóxido como tratamento definitivo.
  3. Cefetuar pancreatectomia total devido ao risco de múltiplos tumores.
  4. Drealizar enucleação do tumor pancreático localizado ou pancreatectomia parcial, conforme a localização.
  5. Eproceder à radioterapia pancreática como tratamento inicial.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — realizar enucleação do tumor pancreático localizado ou pancreatectomia parcial, conforme a localização.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insulinoma: diagnóstico e conduta cirúrgica

Gabarito: letra D. A paciente apresenta a tríade de Whipple clássica (glicemia < 50 mg/dL, sintomas neuroglicopênicos e alívio com glicose) associada a insulina sérica inapropriadamente elevada durante a hipoglicemia — o quadro é de insulinoma, tumor de células beta do pâncreas. A conduta de escolha é a enucleação do tumor localizado ou pancreatectomia parcial, conforme a localização, pois a maioria dos insulinomas é benigna, solitária e confinada ao pâncreas, não justificando pancreatectomia total nem tratamento clínico definitivo isolado.

O insulinoma é um tumor neuroendócrino funcionante das células beta pancreáticas que secreta insulina de forma autônoma e desregulada, causando hipoglicemia endógena por hiperinsulinismo. É uma condição rara (cerca de 1 caso por 250.000 pacientes-ano), mas de grande importância clínica porque é a principal causa de hipoglicemia endógena por excesso de insulina em pacientes não diabéticos. O diagnóstico é firmado pela tríade de Whipple — glicemia baixa, sintomas neuroglicopênicos e resolução com administração de glicose — e confirmado pela dosagem de insulina, peptídeo C e pró-insulina no momento da hipoglicemia: no insulinoma, a insulina está inapropriadamente elevada (não suprimida), o peptídeo C está elevado (produção endógena) e a pró-insulina também costuma estar alta.

A grande maioria dos insulinomas (> 90%) é benigna, solitária e pequena (1 a 2 cm), confinada ao pâncreas endócrino (99%). Por isso, o tratamento de escolha é a ressecção cirúrgica conservadora: enucleação do tumor quando bem localizado e superficial, ou pancreatectomia parcial (distal, corporal ou cefálica) quando a enucleação não é segura ou o tumor é maior. A pancreatectomia total é reservada para casos excepcionais, como doença multifocal extensa (ex.: MEN-1) ou insulinoma maligno não ressecável, pois acarreta diabetes mellitus iatrogênico e insuficiência exócrina grave. O diazóxido é uma opção pré-operatória ou paliativa para controle da hipoglicemia, não um tratamento definitivo. Radioterapia não tem papel no tratamento inicial do insulinoma, que é um tumor de crescimento lento e baixa radiosensibilidade.

A distinção crucial que a banca explora é entre o tratamento curativo (cirúrgico conservador) e as medidas paliativas ou radicais. O candidato que decora que "insulinoma se trata com cirurgia" pode marcar pancreatectomia total, mas a cirurgia correta é a mínima necessária para ressecar o tumor, preservando o máximo de parênquima pancreático. Outra pegadinha é confundir o papel do diazóxido (controle sintomático temporário) com tratamento definitivo. A conduta ideal é sempre individualizada pela localização e características do tumor, como descrito na alternativa D.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato confundir o tratamento definitivo do insulinoma (cirurgia conservadora) com medidas paliativas (diazóxido) ou radicais (pancreatectomia total). O diazóxido é usado para controlar a hipoglicemia enquanto se planeja a cirurgia ou em casos inoperáveis — nunca como tratamento curativo. A pancreatectomia total só se justifica em doença multifocal extensa (ex.: MEN-1) ou malignidade avançada, pois o preço é diabetes mellitus iatrogênico e insuficiência exócrina grave. Fique atento: a cirurgia conservadora (enucleação ou ressecção parcial) é a regra, e as alternativas que propõem tratamentos radicais ou apenas clínicos estão erradas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Tratar apenas com dieta fracionada e restrição de açúcares simples é insuficiente. Embora a dieta possa ajudar a evitar picos de hipoglicemia, o insulinoma é um tumor que secreta insulina de forma autônoma e desregulada, e a dieta não remove a causa. O tratamento definitivo é cirúrgico; a dieta é apenas um adjuvante sintomático, não a conduta adequada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Usar continuamente diazóxido como tratamento definitivo está errado. O diazóxido é um agente hiperglicemiante que inibe a secreção de insulina, sendo útil no controle pré-operatório da hipoglicemia ou em pacientes inoperáveis (paliativo). Não é curativo, pois não remove o tumor. A cirurgia é o tratamento de escolha para insulinoma.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Efetuar pancreatectomia total devido ao risco de múltiplos tumores é uma conduta excessiva e incorreta. A maioria dos insulinomas é solitária e benigna (> 90%), e a pancreatectomia total acarreta diabetes mellitus iatrogênico e insuficiência exócrina grave, com impacto significativo na qualidade de vida. A ressecção conservadora (enucleação ou pancreatectomia parcial) é preferível. A pancreatectomia total é reservada para casos excepcionais, como MEN-1 com múltiplos tumores ou malignidade extensa.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Realizar enucleação do tumor pancreático localizado ou pancreatectomia parcial, conforme a localização, é a conduta correta. A maioria dos insulinomas é benigna, solitária e pequena, permitindo ressecção conservadora. A enucleação é indicada para tumores superficiais e bem delimitados; a pancreatectomia parcial (distal, corporal ou cefálica) é usada quando o tumor é profundo, próximo ao ducto pancreático principal ou maior. Essa abordagem preserva o máximo de parênquima pancreático e é curativa na grande maioria dos casos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Proceder à radioterapia pancreática como tratamento inicial é incorreto. O insulinoma é um tumor de baixa radiosensibilidade, e a radioterapia não tem papel no tratamento curativo inicial. A cirurgia é o tratamento de escolha; a radioterapia pode ser considerada apenas em casos de doença metastática ou recidiva local não ressecável, como terapia adjuvante ou paliativa.

Gabarito: letra D — a conduta adequada é a ressecção cirúrgica conservadora (enucleação ou pancreatectomia parcial), conforme a localização do tumor.

Link permanente: /questoes/fg114242