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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
fg114243
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Sua paciente de 36 anos tem um nódulo cervical endurecido no lobo direito da tireoide. História familiar positiva de neoplasia endócrina múltipla tipo 2A (MEN2A).Os exames laboratoriais mostram níveis elevados de calcitonina e CEA. Punção aspirativa confirma carcinoma medular de tireoide.Para esse caso, a conduta cirúrgica a ser realizada é
  1. Atireoidectomia parcial com preservação do istmo.
  2. Blobectomia direita da tireoide.
  3. Ctireoidectomia total com linfadenectomia central profilática.
  4. Dradioterapia adjuvante como tratamento principal.
  5. Eapenas vigilância clínica com dosagem seriada de calcitonina.
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GabaritoC — tireoidectomia total com linfadenectomia central profilática.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma medular de tireoide: tireoidectomia total com linfadenectomia central

Gabarito: letra C. No carcinoma medular de tireoide (CMT), a conduta cirúrgica padrão é a tireoidectomia total com linfadenectomia central profilática, especialmente em casos hereditários (MEN2A), pois o tumor é multifocal, bilateral e metastatiza precocemente para linfonodos cervicais centrais. A cirurgia é o único tratamento curativo; a radioterapia e a vigilância isolada não são opções primárias.

O carcinoma medular da tireoide origina-se das células parafoliculares (células C), produtoras de calcitonina. Diferentemente dos carcinomas diferenciados (papilífero e folicular), que derivam das células foliculares, o CMT é mais agressivo, tem comportamento multifocal e bilateral, e dissemina-se precocemente para linfonodos regionais, especialmente do compartimento central do pescoço (nível VI). Por isso, a cirurgia mínima (lobectomia ou tireoidectomia parcial) é insuficiente — o risco de doença residual e recidiva é alto.

A apresentação hereditária (cerca de 25% dos casos) ocorre no contexto das neoplasias endócrinas múltiplas (NEM): a NEM2A associa carcinoma medular da tireoide, feocromocitoma e hiperparatireoidismo; a NEM2B associa CMT, neuromas de mucosa, ganglioneuromas intestinais, biotipo marfanoide e feocromocitoma. A herança é autossômica dominante, ligada a mutações no proto-oncogene RET. A história familiar positiva de MEN2A, como no caso da paciente, reforça a necessidade de tireoidectomia total, pois o CMT hereditário é tipicamente multifocal e bilateral.

O diagnóstico é confirmado por níveis elevados de calcitonina (marcador específico) e CEA (antígeno carcinoembrionário), além da citologia por punção aspirativa (PAAF) compatível. A calcitonina é o marcador tumoral mais sensível e específico; o CEA é útil no seguimento. A pesquisa de mutação do RET deve ser realizada em todos os pacientes com CMT, e, se positiva, os familiares de primeiro grau devem ser rastreados.

A conduta cirúrgica no CMT é radical desde o início: tireoidectomia total + esvaziamento linfonodal central profilático (compartimento central, nível VI). A linfadenectomia central é feita mesmo sem linfonodos clinicamente suspeitos, porque a metástase linfonodal é precoce e silenciosa. Em casos de linfonodos comprometidos em cadeias laterais, amplia-se o esvaziamento para os níveis II–V. A cirurgia é curativa quando a doença está restrita à tireoide e aos linfonodos regionais; a radioterapia adjuvante é reservada para doença residual ou irressecável, e a vigilância isolada não é aceitável.

A pegadinha desta questão está em confundir o CMT com os carcinomas diferenciados (papilífero/folicular), nos quais a lobectomia pode ser aceitável em tumores pequenos e unilaterais. No CMT, porém, a multifocalidade e a bilateralidade tornam a tireoidectomia total obrigatória. Além disso, a radioterapia não é tratamento principal — é adjuvante em casos selecionados. Guarde a regra: CMT = tireoidectomia total + linfadenectomia central profilática, independentemente do tamanho do nódulo.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A tireoidectomia parcial com preservação do istmo é uma cirurgia conservadora, inadequada para o CMT. O tumor é multifocal e bilateral, especialmente na forma hereditária (MEN2A), e a cirurgia parcial deixaria tecido tireoidiano residual com alto risco de doença. A conduta mínima aceitável é a tireoidectomia total.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A lobectomia direita (hemitireoidectomia) remove apenas um lobo, sendo indicada em casos selecionados de carcinoma diferenciado (papilífero) de baixo risco, unifocal e < 1 cm. No CMT, a bilateralidade e a multifocalidade contraindica a lobectomia isolada — a tireoidectomia total é mandatória.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A tireoidectomia total com linfadenectomia central profilática é a conduta padrão no CMT. A linfadenectomia do compartimento central (nível VI) é realizada profilaticamente porque a metástase linfonodal é precoce e não é detectável clinicamente em muitos casos. Essa abordagem maximiza a chance de cura e reduz a recidiva locorregional.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A radioterapia adjuvante não é tratamento principal do CMT. A cirurgia é a base do tratamento curativo; a radioterapia é reservada para doença residual, irressecável ou metástases sintomáticas. Usá-la como terapia primária seria um erro grave, pois o CMT é relativamente radiorresistente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A vigilância clínica com dosagem seriada de calcitonina é inadequada como conduta inicial em um CMT confirmado. A cirurgia é curativa e deve ser realizada precocemente; a vigilância isolada é aceitável apenas em casos de microcarcinoma medular incidental em pacientes idosos ou com comorbidades graves, mas não no caso descrito (paciente jovem, com MEN2A e tumor palpável).

Gabarito: letra C — tireoidectomia total com linfadenectomia central profilática.

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