Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Seu paciente é um homem de 63 anos, tabagista pesado e etilista, que refere disfagia progressiva, odinofagia e emagrecimento acentuado. Na investigação clínica, uma endoscopia mostra lesão vegetante e infiltrativa no terço médio do esôfago. O resultado anatomopatológico caracteriza carcinoma epidermoide.Para esse paciente, a conduta com intenção curativa mais indicada, se não houver metástases à distância, será
Adilatação endoscópica seriada.
Bquimioterapia exclusiva.
Cradioterapia isolada.
Desofagectomia com linfadenectomia regional.
Ecolocação de prótese esofágica paliativa.
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GabaritoD — esofagectomia com linfadenectomia regional.
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Carcinoma epidermoide de esôfago: tratamento curativo
Gabarito: letra D. Para um paciente com carcinoma epidermoide de esôfago terço médio, sem metástases à distância, a conduta com intenção curativa mais indicada é a esofagectomia com linfadenectomia regional — a ressecção cirúrgica do tumor com a retirada dos linfonodos regionais é o tratamento padrão para doença localizada, enquanto as demais opções (dilatação, quimioterapia exclusiva, radioterapia isolada e prótese) são paliativas ou adjuvantes.
O carcinoma epidermoide (ou espinocelular) é o tipo histológico mais comum de câncer de esôfago, fortemente associado ao tabagismo e ao etilismo — exatamente o perfil do paciente do enunciado. A disfagia progressiva, a odinofagia e o emagrecimento acentuado são sintomas clássicos de obstrução maligna, e a endoscopia com lesão vegetante e infiltrativa no terço médio confirma a suspeita. O tratamento curativo do câncer de esôfago localizado (estádios I a III, sem metástases à distância) é a esofagectomia, que consiste na ressecção do esôfago acometido, com margens cirúrgicas adequadas, associada à linfadenectomia regional (retirada dos linfonodos do mediastino e do abdome superior, conforme a localização do tumor). Essa abordagem permite o controle locorregional da doença e é a única modalidade isolada que oferece potencial de cura.
A escolha entre as modalidades terapêuticas depende do estadiamento: para tumores iniciais (T1a), a ressecção endoscópica pode ser considerada; para tumores localmente avançados (T3/T4 ou N+), a quimiorradioterapia neoadjuvante seguida de cirurgia é o padrão; e para doença metastática ou irressecável, o tratamento é paliativo. No caso apresentado, a lesão é vegetante e infiltrativa no terço médio, sem informação de metástases à distância, o que a torna potencialmente ressecável — daí a indicação da esofagectomia com linfadenectomia.
As alternativas A, C e E são medidas paliativas: a dilatação endoscópica seriada alivia a disfagia por estenose, mas não trata o tumor; a radioterapia isolada tem papel paliativo ou adjuvante, não curativo isolado; e a prótese esofágica (stent) é exclusivamente paliativa para alívio sintomático. A quimioterapia exclusiva (alternativa B) não é curativa no câncer de esôfago localizado — ela é usada em combinação com radioterapia (quimiorradioterapia) em casos selecionados ou como parte do tratamento neoadjuvante/adjuvante, mas não como modalidade única com intenção curativa.
A pegadinha da banca está em confundir o tratamento curativo com as medidas paliativas de alívio sintomático. O paciente tem disfagia progressiva e emagrecimento — sintomas que podem levar o candidato a pensar em dilatação ou prótese para melhorar a alimentação. No entanto, a questão pede explicitamente a conduta com intenção curativa, o que exclui todas as opções paliativas. A esofagectomia é a única alternativa que remove o tumor e os linfonodos regionais, oferecendo chance de cura.
Câncer de esôfago localizado (sem metástases)
1Tratamento curativo
Esofagectomia + linfadenectomia regional
Quimiorradioterapia neoadjuvante (T3/T4 ou N+)
Ressecção endoscópica (T1a)
2Tratamento paliativo
Dilatação endoscópica seriada
Radioterapia isolada
Prótese esofágica (stent)
Quimioterapia exclusiva
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A dilatação endoscópica seriada é um procedimento paliativo para aliviar a disfagia por estenose maligna. Ela não remove o tumor nem trata a doença de base, sendo indicada apenas para melhorar a qualidade de vida em pacientes com obstrução avançada ou irressecável. Não tem intenção curativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A quimioterapia exclusiva não é curativa no carcinoma epidermoide de esôfago localizado. Ela é utilizada em combinação com radioterapia (quimiorradioterapia) como tratamento definitivo em casos selecionados (ex.: tumores cervicais ou pacientes inoperáveis) ou como neoadjuvante antes da cirurgia, mas isoladamente não oferece potencial de cura.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A radioterapia isolada tem papel paliativo ou adjuvante no câncer de esôfago. Como tratamento único, não é curativa para doença localizada — a taxa de controle locorregional é baixa e a sobrevida é inferior à da cirurgia. A quimiorradioterapia concomitante pode ser curativa em casos selecionados, mas a radioterapia isolada não.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A esofagectomia com linfadenectomia regional é o tratamento padrão com intenção curativa para o carcinoma epidermoide de esôfago localizado, sem metástases à distância. A ressecção cirúrgica do tumor com margens negativas e a retirada dos linfonodos regionais (mediastinais e abdominais) permitem o controle locorregional e oferecem a melhor chance de cura. No terço médio, a via de acesso mais comum é a esofagectomia trans-hiatal ou transtorácica (Ivor-Lewis), com reconstrução do trânsito digestivo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A colocação de prótese esofágica (stent) é um procedimento exclusivamente paliativo, indicado para aliviar a disfagia em pacientes com obstrução maligna irressecável ou metastática. Não trata o tumor e não tem intenção curativa.
Gabarito: letra D — esofagectomia com linfadenectomia regional é a conduta curativa indicada para carcinoma epidermoide de esôfago localizado.