Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Uma paciente de 48 anos apresenta história de refluxo gastroesofágico crônico mal controlado. Evolui com disfagia progressiva para sólidos. Uma endoscopia mostra estenose benigna em terço distal do esôfago e mucosa sem sinais de malignidade.Nesse caso, a conduta terapêutica mais adequada será conduzir à
Adilatação endoscópica associada a IBP de uso contínuo.
Besofagectomia imediata.
Cradioterapia.
Dmedida dietética sem tratamento medicamentoso, apenas.
Emiotomia de Heller com fundoplicatura.
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GabaritoA — dilatação endoscópica associada a IBP de uso contínuo.
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Estenose péptica do esôfago: conduta terapêutica
Gabarito: letra A. Em paciente com DRGE crônica e estenose péptica benigna do esôfago distal (confirmada por endoscopia sem sinais de malignidade), a conduta mais adequada é a dilatação endoscópica associada a inibidor de bomba de prótons (IBP) de uso contínuo. Essa combinação trata a estenose mecânica e, ao mesmo tempo, controla o refluxo que a causou, prevenindo recidiva — princípio central do manejo da estenose péptica.
A estenose péptica é uma complicação da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) de longa evolução e mal controlada. O refluxo ácido crônico lesa a mucosa do esôfago distal, gerando inflamação (esofagite) que, ao cicatrizar, forma tecido fibrótico e estreita o lúmen. O paciente típico é o que tem pirose de longa data e evolui com disfagia progressiva para sólidos — exatamente o quadro da paciente. A endoscopia confirma o diagnóstico ao mostrar a estenose e, crucialmente, afastar malignidade por biópsias.
O tratamento tem dois pilares inseparáveis: tratar a estenose (dilatação mecânica) e tratar a causa (supressão ácida com IBP). A dilatação pode ser feita com dilatadores de Savary (guiados por fio) ou balão, sob visão endoscópica, com baixo risco de complicações quando realizada de forma progressiva. O IBP contínuo é essencial porque, sem o controle do refluxo, a estenose tende a recidivar rapidamente — a literatura mostra altas taxas de recorrência quando a dilatação é feita isoladamente. A associação dilatação + IBP é o padrão-ouro, com excelente resposta sintomática e baixa morbidade.
A confusão mais comum neste tema é pensar que toda estenose esofágica com disfagia exige cirurgia. Não é o caso: a cirurgia (fundoplicatura) é reservada para falha do tratamento clínico-endoscópico, estenoses refratárias ou complicações. A miotomia de Heller, por sua vez, é tratamento da acalasia — doença motora primária do esfíncter esofágico inferior, não da estenose péptica. Já a esofagectomia é para neoplasias ou estenoses extensas/refratárias com suspeita de malignidade, e a radioterapia não tem papel na estenose benigna. A medida dietética isolada, sem medicação, é insuficiente para controlar o refluxo e prevenir a recidiva da estenose.
Guarde o par dilatação (estenose) + IBP (DRGE) como a espinha dorsal do tratamento: é exatamente essa combinação que a alternativa correta espelha, e é nela que as demais alternativas falham.
Estenose péptica do esôfago: Causa (DRGE crônica mal controlada, Fibrose por cicatrização); Diagnóstico (Disfagia progressiva para sólidos, Endoscopia: estenose benigna); Tratamento (padrão-ouro) (Dilatação endoscópica, IBP contínuo); Tratamentos incorretos (Esofagectomia (neoplasia), Radioterapia (sem papel), Dieta isolada (insuficiente), Miotomia de Heller (acalasia))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dilatação endoscópica trata a estenose mecânica, restaurando o calibre do esôfago e aliviando a disfagia. O IBP contínuo trata a causa — o refluxo ácido —, permitindo a cicatrização da mucosa e prevenindo a recidiva da estenose. Essa é a conduta de primeira linha para estenose péptica benigna, confirmada por endoscopia sem sinais de malignidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A esofagectomia imediata é um procedimento de alta morbimortalidade, reservado para neoplasias malignas do esôfago ou estenoses extensas/refratárias com suspeita de malignidade. No caso, a endoscopia mostrou estenose benigna, sem sinais de malignidade — portanto, não há indicação de ressecção cirúrgica como primeira opção. A conduta inicial deve ser conservadora (dilatação + IBP).
Alternativa C — ❌ Incorreta
A radioterapia não tem papel no tratamento da estenose péptica benigna do esôfago. Ela é utilizada, quando muito, como adjuvante no tratamento de neoplasias esofágicas (carcinoma), não em estenoses benignas. Aplicar radioterapia aqui seria um erro grave, com riscos de lesão actínica sem benefício terapêutico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A medida dietética isolada, sem tratamento medicamentoso, é insuficiente para controlar a DRGE e prevenir a recidiva da estenose. Embora mudanças no estilo de vida (elevação da cabeceira, evitar refeições volumosas, perda de peso) sejam coadjuvantes importantes, elas não substituem a supressão ácida com IBP, que é o pilar do tratamento da esofagite e da prevenção de novas estenoses.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A miotomia de Heller com fundoplicatura é o tratamento cirúrgico da acalasia — distúrbio motor primário do esfíncter esofágico inferior, caracterizado por falha de relaxamento do EEI e aperistalse do corpo esofágico. Na estenose péptica, o problema é uma obstrução mecânica por fibrose, não um distúrbio motor. A miotomia não trata a estenose e, na verdade, poderia agravar o refluxo — exatamente o oposto do que se deseja. A cirurgia antirrefluxo (fundoplicatura isolada) só é considerada em casos selecionados de DRGE refratária, não como primeira linha para estenose péptica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre "disfagia + esôfago" e "cirurgia". O candidato que não domina o tema tende a escolher a miotomia de Heller (letra E), confundindo estenose péptica com acalasia. A distinção é crucial: estenose péptica = obstrução mecânica por fibrose (trata com dilatação + IBP); acalasia = distúrbio motor do EEI (trata com miotomia). A endoscopia com biópsia, que afastou malignidade, é o dado que direciona para o tratamento conservador.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao ver "estenose benigna + DRGE", o reflexo deve ser imediato: dilatação + IBP. Pergunte-se sempre: "há malignidade?" (se sim, esofagectomia); "é acalasia?" (se sim, miotomia); "é estenose péptica?" (se sim, dilatação + IBP). Essa triagem resolve a maioria das questões de disfagia esofágica.