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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
fg114248
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
O seu paciente é um homem de 45 anos que apresenta disfagia progressiva tanto para líquidos quanto para sólidos, regurgitação noturna e perda ponderal de 8 kg em 6 meses. Uma endoscopia digestiva alta mostra dilatação esofágica sem lesão obstrutiva aparente. A manometria caracteriza ausência de relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) e aperistalse do corpo esofágico.Diante desse caso, a melhor opção terapêutica definitiva será proceder
  1. Aà dilatação pneumática do EEI.
  2. Bao uso contínuo de bloqueadores de bomba de prótons.
  3. Cà miotomia de Heller com fundoplicatura parcial.
  4. Dà esofagectomia imediata.
  5. Ea nitratos e bloqueadores de canal de cálcio como tratamento exclusivo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — à miotomia de Heller com fundoplicatura parcial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Acalasia: diagnóstico e tratamento definitivo

Gabarito: letra C. O quadro clínico — disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação noturna, perda ponderal e achados manométricos de ausência de relaxamento do EEI e aperistalse — é clássico de acalasia. A melhor opção terapêutica definitiva é a miotomia de Heller com fundoplicatura parcial, pois promove o esvaziamento esofágico ao romper as fibras do esfíncter esofágico inferior (EEI), com resultado duradouro. As demais opções são paliativas, temporárias ou inadequadas para o caso.

A acalasia é uma doença motora primária do esôfago, caracterizada pela falha no relaxamento do EEI e pela aperistalse do corpo esofágico. A causa é a degeneração dos plexos nervosos mioentéricos (de Auerbach), com perda dos neurônios inibitórios que liberam óxido nítrico e peptídeo intestinal vasoativo (VIP), responsáveis pelo relaxamento do esfíncter. Sem essa inibição, o EEI permanece contraído e o corpo esofágico não consegue gerar ondas peristálticas coordenadas, levando à estase alimentar, dilatação progressiva do órgão e aos sintomas descritos.

O diagnóstico é confirmado pela manometria esofágica de alta resolução, que mostra os dois achados clássicos: aperistalse e relaxamento incompleto ou ausente do EEI. A endoscopia digestiva alta é essencial para excluir causas secundárias (como neoplasia, estenose ou doença de Chagas) e pode revelar dilatação esofágica com alimento retido, como no caso. A radiografia contrastada pode mostrar o sinal do "bico de pássaro" na junção esofagogástrica.

O tratamento visa reduzir a pressão do EEI para permitir o esvaziamento do esôfago por gravidade. As opções definitivas são a miotomia de Heller laparoscópica (cirúrgica) e a dilatação pneumática (endoscópica). A miotomia de Heller consiste em cortar cirurgicamente as fibras musculares do EEI, e é sempre acompanhada de fundoplicatura parcial (geralmente a de Dor ou Toupet) para prevenir o refluxo gastroesofágico pós-operatório, já que a miotomia remove a barreira antirrefluxo natural. A dilatação pneumática usa um balão para romper as fibras do EEI, mas tem eficácia inferior à cirurgia e risco de perfuração. A POEM (miotomia endoscópica peroral) é uma alternativa mais recente, também definitiva, mas a miotomia de Heller com fundoplicatura continua sendo o padrão-ouro em muitos serviços.

As opções farmacológicas (nitratos e bloqueadores de canal de cálcio) e a toxina botulínica são paliativas, com efeito temporário e limitado, indicadas apenas para pacientes que não podem ser submetidos a tratamento definitivo. O uso de inibidores de bomba de prótons (IBP) não tem papel no tratamento da acalasia, pois não age na fisiopatologia da doença. A esofagectomia é reservada para casos de acalasia avançada com megaesôfago grau IV (dolicomegaesôfago) ou quando há neoplasia associada, não sendo a primeira opção neste paciente.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora a dilatação pneumática seja uma opção de tratamento definitivo, a miotomia de Heller com fundoplicatura parcial é a melhor escolha, especialmente em paciente jovem e com boa reserva funcional. A banca também explora a confusão entre tratamento definitivo (cirúrgico ou dilatação) e paliativo (medicamentoso ou toxina botulínica).

Alternativa A — ❌ Incorreta

A dilatação pneumática é uma opção de tratamento definitivo para acalasia, mas não é a melhor neste caso. Embora seja eficaz, apresenta taxas de sucesso inferiores à miotomia de Heller, maior risco de recorrência e complicações como perfuração esofágica. Em paciente jovem (45 anos) e com boa condição clínica, a cirurgia é preferível por oferecer resultado mais duradouro e previsível.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O uso contínuo de bloqueadores de bomba de prótons (IBP) não tem papel no tratamento da acalasia. Os IBPs reduzem a secreção ácida gástrica e são usados no refluxo gastroesofágico, mas não agem na fisiopatologia da acalasia, que é uma doença motora com falha de relaxamento do EEI. Não há evidência de que melhorem a disfagia ou a aperistalse.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A miotomia de Heller com fundoplicatura parcial é o tratamento definitivo de escolha para acalasia. A miotomia corta as fibras musculares do EEI, eliminando a obstrução funcional, e a fundoplicatura parcial (Dor ou Toupet) previne o refluxo gastroesofágico pós-operatório. É o procedimento com melhores resultados em longo prazo, especialmente em pacientes jovens e com boa reserva funcional, como o do caso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A esofagectomia imediata é um procedimento radical, com alta morbimortalidade, reservado para casos avançados de acalasia (megaesôfago grau IV com dolicomegaesôfago) ou quando há neoplasia associada. Neste paciente, com diagnóstico recente e sem complicações graves, a esofagectomia é desproporcional e não indicada como primeira opção.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Nitratos e bloqueadores de canal de cálcio são medicações paliativas que reduzem a pressão do EEI de forma temporária, com efeito limitado e muitos efeitos colaterais (cefaleia, hipotensão). Não são tratamento definitivo e não devem ser usados como terapia exclusiva em paciente candidato a tratamento curativo. São opção apenas para quem não pode ser submetido a procedimentos invasivos.

Gabarito: letra C — miotomia de Heller com fundoplicatura parcial é o tratamento definitivo de escolha para acalasia.

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