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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
fg114251
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Homem de 70 anos, com antecedente de infarto há 8 anos, revascularizado cirurgicamente, encontra-se em uso de IECA e betabloqueador. Apresenta insuficiência cardíaca classe II (NYHA), sem internações recentes. Tem indicação para colecistectomia eletiva por colecistite crônica calculosa.Exame físico: PA 120/70 mmHg, FC 68 bpm, sem crepitações pulmonares, sem edemas.Para esse paciente, a conduta mais adequada em relação ao risco cirúrgico é
  1. Aprosseguir com a cirurgia sem necessidade de investigação adicional, mantendo o medicamento usual.
  2. Bcancelar a cirurgia, pois insuficiência cardíaca é contraindicação para cirurgias eletivas.
  3. Csolicitar ecocardiograma de rotina para todos os pacientes com histórico de insuficiência cardíaca.
  4. Dsuspender os betabloqueadores no pré-operatório para evitar hipotensão intraoperatória.
  5. Esolicitar teste ergométrico, pois todo paciente com doença cardíaca prévia deve realizar estratificação funcional.
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GabaritoA — prosseguir com a cirurgia sem necessidade de investigação adicional, mantendo o medicamento usual.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Avaliação de risco cirúrgico em paciente com insuficiência cardíaca estável

Gabarito: letra A. O paciente apresenta insuficiência cardíaca classe funcional II (NYHA), estável, sem internações recentes, com PA e FC controladas, e será submetido a colecistectomia eletiva (cirurgia de baixo risco). Nesse cenário, a conduta adequada é prosseguir com a cirurgia sem investigação adicional, mantendo a medicação habitual (IECA e betabloqueador). A avaliação pré-operatória deve ser guiada pelo risco da cirurgia e pela capacidade funcional do paciente, e não por protocolos fixos de exames.

A avaliação pré-operatória de pacientes com doença cardiovascular tem como objetivo estimar o risco de eventos cardíacos perioperatórios e orientar condutas que reduzam esse risco. O primeiro passo é classificar o risco da cirurgia: procedimentos de baixo risco (como colecistectomia videolaparoscópica, cirurgia de catarata, procedimentos superficiais) apresentam risco de eventos cardíacos < 1%. Em seguida, avalia-se a capacidade funcional do paciente, geralmente estimada em equivalentes metabólicos (METs). Pacientes com boa capacidade funcional (≥ 4 METs) e cirurgia de baixo risco não necessitam de testes adicionais, mesmo com doença cardíaca conhecida.

No caso apresentado, o paciente tem 70 anos, infarto há 8 anos, revascularizado cirurgicamente, em uso de IECA e betabloqueador, com IC classe II (NYHA) estável, sem internações recentes. O exame físico é normal (PA 120/70, FC 68, sem congestão). A colecistectomia eletiva é cirurgia de baixo risco. Portanto, o risco cirúrgico é baixo e não há indicação de exames complementares de rotina. A manutenção dos betabloqueadores é fundamental, pois a suspensão abrupta pode causar taquicardia reflexa, hipertensão e isquemia miocárdica.

A diretriz de avaliação cardiovascular pré-operatória (ACC/AHA) recomenda que, para cirurgias de baixo risco, não há necessidade de testes de estresse ou ecocardiograma de rotina, mesmo em pacientes com doença cardíaca conhecida, desde que estejam estáveis. A insuficiência cardíaca classe II (NYHA) compensada não contraindica cirurgia eletiva; pelo contrário, a cirurgia pode ser realizada com segurança, desde que a medicação seja mantida e o paciente seja monitorado adequadamente.

A pegadinha da questão está em propor condutas desnecessárias ou prejudiciais: cancelar a cirurgia por IC (errado, pois IC compensada não é contraindicação), solicitar ecocardiograma de rotina (não indicado em paciente estável), suspender betabloqueadores (prejudicial) ou solicitar teste ergométrico (não indicado em cirurgia de baixo risco). A alternativa correta reconhece que a avaliação clínica é suficiente e que a medicação deve ser mantida.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta correta é prosseguir com a cirurgia sem investigação adicional, mantendo a medicação usual. O paciente tem IC classe II estável, sem sinais de descompensação, e será submetido a cirurgia de baixo risco (colecistectomia). A avaliação clínica (história, exame físico, capacidade funcional) é suficiente para liberar a cirurgia. A manutenção do IECA e do betabloqueador é essencial para o controle da IC e prevenção de eventos isquêmicos perioperatórios.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A insuficiência cardíaca compensada (classe II NYHA) não é contraindicação para cirurgia eletiva. A contraindicação ocorre em casos de IC descompensada, com congestão ativa ou instabilidade hemodinâmica. O paciente está estável, sem internações recentes, portanto a cirurgia pode ser realizada. Cancelar a cirurgia seria uma conduta inadequada e sem respaldo científico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O ecocardiograma de rotina não é indicado para todos os pacientes com histórico de IC. A diretriz recomenda ecocardiograma quando há mudança clínica significativa ou suspeita de disfunção ventricular não conhecida. Em paciente estável, com IC classe II e sem sinais de descompensação, o ecocardiograma pré-operatório não é necessário, especialmente para cirurgia de baixo risco.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Suspender betabloqueadores no pré-operatório é prejudicial. A suspensão abrupta pode causar taquicardia reflexa, aumento da demanda miocárdica de oxigênio, hipertensão e risco de isquemia ou infarto. As diretrizes recomendam a manutenção dos betabloqueadores no perioperatório, ajustando a dose se necessário, mas nunca suspendê-los sem indicação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O teste ergométrico não é indicado de rotina para todo paciente com doença cardíaca prévia. A indicação de teste de estresse pré-operatório depende do risco da cirurgia, da capacidade funcional e da presença de sintomas. Para cirurgia de baixo risco, como colecistectomia, e paciente com boa capacidade funcional, o teste ergométrico não é necessário. A estratificação funcional é feita clinicamente pela capacidade de realizar atividades diárias (METs).

Gabarito: letra A

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