Residência Médica - Cirurgia Geral (Cir Ap Digestivo, Urologia, Cir do Trauma, Cir Oncológica, Cir Plástica, Cir Vascular, Coloproctologia, Mastologia)
Seu paciente é um homem de 65 anos, tabagista pesado, com diagnóstico de DPOC GOLD IV em uso de broncodilatadores e corticoide inalatório, com indicação para colecistectomia eletiva. Relata dispneia aos pequenos esforços e exacerbação há 2 meses, tratada com antibiótico. Ao exame: FR 20 irpm, saturação O₂ 91% em ar ambiente, murmúrio vesicular difusamente reduzido, sem estertores.Neste caso, a conduta mais adequada antes da cirurgia será
Aprosseguir com a cirurgia, pois não há contraindicação absoluta.
Bsuspender a cirurgia até otimização do quadro pulmonar, incluindo fisioterapia respiratória, cessação do tabagismo e ajuste da terapia medicamentosa.
Csolicitar ecocardiograma para excluir hipertensão pulmonar como causa da dispneia.
Dcancelar a cirurgia, pois pacientes com DPOC grave têm mortalidade inaceitável em cirurgias eletivas.
Esolicitar teste ergométrico, pois todo paciente com doença pulmonar deve passar por estratificação funcional.
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GabaritoB — suspender a cirurgia até otimização do quadro pulmonar, incluindo fisioterapia respiratória, cessação do tabagismo e ajuste da terapia medicamentosa.
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Avaliação pré-operatória em paciente com DPOC grave
Gabarito: letra B. Em paciente com DPOC GOLD IV, tabagista ativo, com dispneia aos pequenos esforços e exacerbação recente (há 2 meses), a conduta mais adequada antes de colecistectomia eletiva é suspender a cirurgia até otimização do quadro pulmonar, incluindo fisioterapia respiratória, cessação do tabagismo e ajuste da terapia medicamentosa. A cirurgia eletiva não deve ser realizada enquanto o paciente não estiver em condição clínica otimizada, pois o risco de complicações pulmonares pós-operatórias é elevado.
A avaliação pré-operatória de pacientes com DPOC grave exige uma abordagem criteriosa. O objetivo não é apenas "liberar" ou "proibir" a cirurgia, mas sim otimizar a função pulmonar e reduzir o risco de complicações — como atelectasia, pneumonia e insuficiência respiratória pós-operatória. Nesse contexto, a suspensão temporária da cirurgia eletiva para otimização clínica é a conduta mais adequada e baseada em evidências.
O paciente em questão apresenta múltiplos fatores de risco: DPOC GOLD IV (muito grave), tabagismo ativo, dispneia aos pequenos esforços e exacerbação recente tratada com antibiótico. A saturação de O₂ de 91% em ar ambiente indica hipoxemia leve, o que reforça a necessidade de otimização antes do procedimento. A fisioterapia respiratória pré-operatória, a cessação do tabagismo (mesmo que por curto período) e o ajuste da medicação broncodilatadora são medidas que comprovadamente reduzem complicações pulmonares pós-operatórias.
A cessação do tabagismo é particularmente importante: mesmo a interrupção por poucas semanas antes da cirurgia reduz significativamente as complicações respiratórias. A fisioterapia respiratória, com técnicas de expansão pulmonar e treinamento muscular inspiratório, melhora a capacidade funcional e prepara o paciente para o pós-operatório. O ajuste da terapia medicamentosa — otimização de broncodilatadores de longa ação (LABA/LAMA) e, se necessário, corticoide inalatório — visa maximizar a função pulmonar antes do procedimento.
A alternativa C (ecocardiograma para excluir hipertensão pulmonar) pode ser considerada em alguns casos, mas não é a conduta inicial mais adequada. A dispneia do paciente é explicada pela DPOC grave, e a avaliação cardíaca não substitui a otimização pulmonar. A alternativa E (teste ergométrico) não é indicada rotineiramente para estratificação funcional em pacientes com doença pulmonar — a avaliação da capacidade funcional pode ser feita por outros meios, como o teste de caminhada de 6 minutos. A alternativa D (cancelar a cirurgia por mortalidade inaceitável) é incorreta, pois a cirurgia não é contraindicada de forma absoluta; ela deve ser adiada e otimizada, não cancelada definitivamente. A alternativa A (prosseguir com a cirurgia) é incorreta, pois ignora o risco elevado de complicações e a necessidade de otimização.
A questão explora o princípio fundamental da avaliação pré-operatória: otimizar as comorbidades antes de procedimentos eletivos. A DPOC grave não é contraindicação absoluta para cirurgia, mas exige preparo adequado. O adiamento da cirurgia eletiva para otimização clínica é a conduta mais segura e baseada em evidências.
1Suspender cirurgia eletiva
2Otimizar quadro pulmonar
3Fisioterapia respiratória
4Cessação do tabagismo
5Ajuste da medicação
6Reavaliar e operar
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Prosseguir com a cirurgia sem otimização é inadequado. O paciente apresenta DPOC GOLD IV, tabagismo ativo, dispneia aos pequenos esforços e exacerbação recente — fatores que aumentam significativamente o risco de complicações pulmonares pós-operatórias. A cirurgia eletiva deve ser adiada até que o quadro pulmonar seja otimizado.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Suspender a cirurgia até otimização do quadro pulmonar é a conduta mais adequada. A otimização inclui fisioterapia respiratória, cessação do tabagismo e ajuste da terapia medicamentosa. Essas medidas reduzem o risco de complicações pulmonares pós-operatórias e melhoram o desfecho cirúrgico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Solicitar ecocardiograma para excluir hipertensão pulmonar não é a conduta inicial mais adequada. Embora a hipertensão pulmonar possa estar presente em pacientes com DPOC grave, a dispneia do paciente é explicada pela doença pulmonar. A avaliação cardíaca pode ser considerada em casos selecionados, mas não substitui a otimização pulmonar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Cancelar a cirurgia por "mortalidade inaceitável" é incorreto. A DPOC grave não é contraindicação absoluta para cirurgia eletiva. O procedimento deve ser adiado e o paciente otimizado, não cancelado definitivamente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Solicitar teste ergométrico para estratificação funcional não é indicado rotineiramente em pacientes com doença pulmonar. A avaliação da capacidade funcional pode ser feita por outros meios, como o teste de caminhada de 6 minutos. O teste ergométrico é mais útil para avaliação cardíaca, não pulmonar.