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Questão de Medicina — Urologia — FGV 2025

MedicinaUrologia
Código
fg114253
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Clinica Médica (Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia, Nefrologia, Oncologia Clínica, Reumatologia, Medicina Paliativa)
Mulher de 71 anos, previamente hígida e funcional, comparece à consulta ambulatorial referindo episódios recorrentes de disúria e polaciúria nos últimos seis meses, todos resolvidos com antibióticos prescritos em pronto-atendimentos. Nega febre, dor lombar, corrimento vaginal ou hematúria. Não apresenta incontinência urinária, não é diabética e não faz uso de imunossupressores. Não há disfunção cognitiva.Exames anteriores mostram urocultura positiva em três episódios distintos, com intervalo superior a quatro semanas entre eles. No momento, está assintomática.A conduta mais adequada nesse momento consiste em
  1. Aprescrever nitrofurantoína por sete dias e solicitar ultrassonografia de vias urinárias com urgência.
  2. Biniciar antibioticoprofilaxia diária com fosfomicina por três meses, considerando o diagnóstico de infecção urinária recorrente em idosa.
  3. Crecomendar aumento da ingesta hídrica para dois a três litros diários, realizar avaliação ginecológica e considerar uso de estrogênio vaginal se houver atrofia vulvovaginal.
  4. Dorientar uso contínuo de produto à base de cranberry e manter acompanhamento com urocultura de controle a cada seis meses.
  5. Einiciar ciprofloxacino em dose plena por 14 dias, seguido de dose profilática por três meses.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — recomendar aumento da ingesta hídrica para dois a três litros diários, realizar avaliação ginecológica e considerar uso de estrogênio vaginal se houver atrofia vulvovaginal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Infecção do trato urinário recorrente em idosa: conduta na fase assintomática

Gabarito: letra C. Em mulher idosa com ITU recorrente, atualmente assintomática, a conduta mais adequada é a abordagem não farmacológica e a avaliação de fatores de risco modificáveis: aumento da ingesta hídrica, avaliação ginecológica e consideração de estrogênio vaginal se houver atrofia vulvovaginal. A antibioticoprofilaxia, embora seja uma opção válida para ITU recorrente, não é a primeira escolha neste momento, pois a paciente está assintomática e não foram esgotadas as medidas comportamentais e o tratamento de fatores predisponentes, como a atrofia genital.

A infecção do trato urinário (ITU) recorrente é definida como a ocorrência de pelo menos três episódios de cistite não complicada em 12 meses, ou dois episódios em seis meses, com urocultura positiva e intervalo superior a quatro semanas entre eles. A paciente do caso preenche esses critérios: três episódios com urocultura positiva em seis meses, com intervalo superior a quatro semanas. É importante destacar que, no momento, ela está assintomática — e é exatamente esse o ponto central da questão: a conduta diante de uma paciente com ITU recorrente, mas sem infecção ativa.

O manejo da ITU recorrente em mulheres envolve duas fases distintas: o tratamento do episódio agudo (quando há sintomas) e a prevenção de novas recorrências. A prevenção pode ser feita por medidas não farmacológicas, como aumento da ingesta hídrica, micção após relação sexual, e tratamento de fatores predisponentes, como a atrofia vulvovaginal na pós-menopausa. O estrogênio vaginal é uma opção eficaz para reduzir a recorrência de ITU em mulheres na pós-menopausa, pois restaura o pH vaginal e a flora lactobacilar, dificultando a colonização por uropatógenos. A antibioticoprofilaxia contínua ou pós-coital é uma alternativa, mas geralmente é considerada após o esgotamento das medidas não farmacológicas ou quando estas não são suficientes, e deve ser discutida com a paciente, considerando riscos e benefícios.

A banca explora a confusão entre o tratamento do episódio agudo e a profilaxia da recorrência. Como a paciente está assintomática, não há indicação de antibioticoterapia em dose plena (alternativas A e E). A antibioticoprofilaxia (alternativa B) é uma opção válida, mas não é a conduta mais adequada como primeira abordagem, pois medidas não farmacológicas e o tratamento da atrofia genital devem ser priorizados. O uso de cranberry (alternativa D) tem evidência limitada e não substitui as medidas comprovadamente eficazes. A alternativa C aborda exatamente as medidas de primeira linha: aumento da ingesta hídrica, avaliação ginecológica e estrogênio vaginal se houver atrofia.

Guarde a distinção entre o tratamento do episódio agudo (paciente sintomática) e a prevenção da recorrência (paciente assintomática): é nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Prescrever nitrofurantoína por sete dias seria o tratamento de um episódio agudo de cistite, mas a paciente está assintomática. Não há infecção ativa para tratar, e o uso de antibiótico sem indicação contribui para resistência bacteriana e expõe a paciente a riscos desnecessários. A ultrassonografia de vias urinárias com urgência também não se justifica, pois não há sinais de alarme como febre, dor lombar ou hematúria.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A antibioticoprofilaxia diária com fosfomicina é uma opção para prevenção de ITU recorrente, mas não é a conduta mais adequada como primeira escolha. Antes de iniciar profilaxia antibiótica, devem ser esgotadas as medidas não farmacológicas e tratados os fatores de risco modificáveis, como a atrofia vulvovaginal. Além disso, a fosfomicina não é o fármaco de primeira linha para profilaxia contínua; os esquemas mais usados incluem sulfametoxazol+trimetoprima, nitrofurantoína e cefalexina. A duração típica da profilaxia é de 6 a 12 meses, não apenas três.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta mais adequada. A paciente está assintomática, então não há infecção ativa para tratar. O foco deve ser a prevenção de novas recorrências. O aumento da ingesta hídrica para dois a três litros diários é uma medida comportamental simples e eficaz. A avaliação ginecológica é importante para identificar atrofia vulvovaginal, comum na pós-menopausa, e o estrogênio vaginal é uma opção comprovadamente eficaz para reduzir a recorrência de ITU nesse grupo, pois restaura o pH vaginal e a flora lactobacilar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O uso de cranberry tem evidência limitada e controversa na prevenção de ITU recorrente. Embora alguns estudos sugiram benefício, não é uma recomendação de primeira linha e não substitui as medidas comprovadamente eficazes, como o estrogênio vaginal na presença de atrofia. Além disso, a urocultura de controle a cada seis meses em paciente assintomática não é recomendada, pois o rastreamento de bacteriúria assintomática não é indicado em mulheres não gestantes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Iniciar ciprofloxacino em dose plena por 14 dias seria o tratamento de um episódio agudo, mas a paciente está assintomática. Não há infecção ativa para tratar. Além disso, o uso de fluoroquinolonas em dose plena e depois profilática por três meses não é a abordagem adequada para ITU recorrente em paciente assintomática, e expõe a paciente a riscos de efeitos adversos e resistência bacteriana.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre tratar o episódio agudo e prevenir a recorrência. Como a paciente está assintomática, as alternativas que prescrevem antibiótico em dose plena (A e E) estão erradas. A antibioticoprofilaxia (B) é uma opção válida, mas não é a primeira escolha — medidas não farmacológicas e o tratamento da atrofia genital devem ser priorizados. A pegadinha está em considerar a profilaxia antibiótica como conduta inicial, quando na verdade a abordagem mais adequada é a não farmacológica.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, quando a paciente com ITU recorrente estiver assintomática, pense primeiro em medidas não farmacológicas e tratamento de fatores de risco (ingesta hídrica, avaliação ginecológica, estrogênio vaginal). A antibioticoprofilaxia é uma segunda linha, após esgotadas essas medidas. Lembre-se: a profilaxia contínua dura de 6 a 12 meses, e os fármacos de primeira linha são sulfametoxazol+trimetoprima, nitrofurantoína e cefalexina.

Gabarito: letra C

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