Questão de Medicina — Medicina Preventiva — FGV 2025
Medicina›Medicina Preventiva
Código
fg114258
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Clinica Médica (Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia, Nefrologia, Oncologia Clínica, Reumatologia, Medicina Paliativa)
Homem de 68 anos, previamente hígido, comparece à consulta para planejamento de viagem à América Central, com partida prevista para daqui a 20 dias. Relata ter recebido vacinas contra COVID-19 e influenza no último ano, mas não sabe informar se foi vacinado contra febre amarela ou hepatite A. Nega alergias, uso de imunossupressores ou comorbidades.Com base nas recomendações atuais da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) 2024/2025, a conduta mais apropriada é
Aindicar vacinas contra hepatite B, meningocócica ACWY e dTpa-VIP.
Baplicar vacina de febre amarela sem avaliação prévia do risco individual, pois é obrigatória para viagens internacionais.
Cconsiderar vacinação contra febre amarela, hepatite A e atualizar tríplice bacteriana (dTpa), conforme o risco epidemiológico e o estado vacinal.
Dcontraindicar a vacina contra febre amarela pelo risco etário e recomendar apenas influenza e COVID-19 antes da viagem.
Eaplicar SCR (tríplice viral), pois surtos recentes na América Central justificam dose extra acima de 60 anos.
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GabaritoC — considerar vacinação contra febre amarela, hepatite A e atualizar tríplice bacteriana (dTpa), conforme o risco epidemiológico e o estado vacinal.
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Vacinação do viajante idoso: febre amarela, hepatite A e dTpa
Gabarito: letra C. Para um homem de 68 anos, previamente hígido, que viajará à América Central em 20 dias e não sabe se foi vacinado contra febre amarela ou hepatite A, a conduta mais apropriada é considerar a vacinação contra febre amarela, hepatite A e atualizar a tríplice bacteriana (dTpa), conforme o risco epidemiológico e o estado vacinal — exatamente o que a alternativa C propõe. A recomendação se baseia nas diretrizes de imunização para viajantes: a febre amarela é a única vacina que pode ser exigida por lei para viagens internacionais, a hepatite A é fortemente recomendada para destinos com endemicidade intermediária ou alta (como a América Central), e a dTpa deve ser atualizada a cada 10 anos. A alternativa B erra ao afirmar que a vacina de febre amarela é obrigatória para viagens internacionais — ela pode ser exigida, mas não é universalmente obrigatória, e a decisão deve considerar o risco individual. A alternativa D erra ao contraindicar a vacina pelo risco etário, pois idosos saudáveis podem e devem ser vacinados, com avaliação de risco-benefício. A alternativa E erra ao indicar SCR (tríplice viral) como rotina para maiores de 60 anos, pois a recomendação de dose extra não se aplica a esse caso. A alternativa A erra ao indicar vacinas sem relação direta com o destino (hepatite B, meningocócica ACWY e dTpa-VIP), ignorando as vacinas prioritárias para a América Central.
A vacinação do viajante é um tema central em medicina preventiva e exige uma abordagem individualizada, considerando o destino, a duração da viagem, o estado vacinal prévio e as condições de saúde do paciente. No caso apresentado, o paciente é um idoso de 68 anos, previamente hígido, sem alergias, sem uso de imunossupressores e sem comorbidades — o que o torna elegível para a maioria das vacinas, incluindo as de vírus atenuados, como a febre amarela. A América Central é uma região com endemicidade para febre amarela e hepatite A, o que justifica a recomendação dessas vacinas. Além disso, a dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto) deve ser atualizada a cada 10 anos, e o paciente não soube informar seu estado vacinal, então a atualização é prudente.
A febre amarela é uma doença viral transmitida por mosquitos, com alta letalidade, e a vacina é a principal medida de prevenção. No Brasil, a vacina é recomendada para toda a população a partir dos 9 meses de vida, com dose única para adultos entre 5 e 59 anos, válida para toda a vida. Para idosos acima de 60 anos, a vacina é recomendada, mas com avaliação médica criteriosa, pois há um risco ligeiramente maior de eventos adversos graves (como doença viscerotrópica e neurotrópica associadas à vacina). No entanto, o risco de adquirir a doença em área endêmica é muito maior do que o risco de eventos adversos, então a vacinação é indicada para idosos saudáveis. A vacina deve ser administrada pelo menos 10 dias antes da viagem, o que é viável no caso (20 dias até a partida).
A hepatite A é uma infecção viral transmitida por via fecal-oral, comum em regiões com saneamento básico precário, como partes da América Central. A vacina é inativada e altamente eficaz, recomendada para todos os viajantes suscetíveis a áreas endêmicas. Deve ser administrada pelo menos 2 semanas antes da partida, mas permanece efetiva se administrada no momento da viagem. Uma dose única confere proteção por 1 a 2 anos, e um reforço após 6 a 18 meses garante imunidade duradoura. No caso, o paciente não sabe se foi vacinado, então a vacinação é indicada.
A dTpa (difteria, tétano e coqueluche acelular) é uma vacina de rotina que deve ser atualizada a cada 10 anos. Como o paciente não informou seu estado vacinal, a atualização é recomendada antes da viagem, especialmente porque a coqueluche é uma doença respiratória contagiosa que pode ser prevenida pela vacina. A vacina está disponível na rede pública para gestantes e alguns profissionais de saúde, mas na rede privada está disponível para todos os adultos.
A alternativa B é a mais tentadora, pois menciona a febre amarela, mas erra ao afirmar que a vacina é "obrigatória para viagens internacionais". Na verdade, a vacina contra febre amarela pode ser exigida por lei para viagens a determinados países, mas não é obrigatória para todas as viagens internacionais. Além disso, a alternativa B ignora a hepatite A e a dTpa, que também são recomendadas. A alternativa D erra ao contraindicar a vacina de febre amarela pelo risco etário, pois idosos saudáveis podem ser vacinados, e ao recomendar apenas influenza e COVID-19, que não são as prioridades para a América Central. A alternativa E erra ao indicar SCR (tríplice viral) como rotina para maiores de 60 anos, pois a recomendação de dose extra de SCR é para situações específicas de surto, e não para viagem à América Central. A alternativa A erra ao indicar vacinas sem relação direta com o destino, como hepatite B, meningocócica ACWY e dTpa-VIP, ignorando as vacinas prioritárias.
A pegadinha da questão está na alternativa B, que parece correta por mencionar a febre amarela, mas erra ao afirmar que a vacina é obrigatória para viagens internacionais. A banca explora a confusão entre "pode ser exigida" e "é obrigatória". Além disso, a alternativa D explora a preocupação com o risco etário, mas a vacina é recomendada para idosos saudáveis. A alternativa E explora a confusão entre SCR e febre amarela, mas a SCR não é a prioridade para a América Central.
Critério
Alternativa A
Alternativa B
Alternativa C (Gabarito)
Alternativa D
Alternativa E
Vacinas indicadas
Hepatite B, meningocócica ACWY, dTpa-VIP
Febre amarela (obrigatória)
Febre amarela, hepatite A, dTpa
Influenza, COVID-19
SCR (tríplice viral)
Adequação ao destino (América Central)
❌ Ignora febre amarela e hepatite A
❌ Ignora hepatite A e dTpa
✅ Cobre febre amarela e hepatite A (endêmicas)
❌ Ignora febre amarela e hepatite A
❌ Ignora febre amarela e hepatite A
Correção sobre a febre amarela
—
❌ Erro: "obrigatória" (é "pode ser exigida")
✅ Considera risco epidemiológico e estado vacinal
❌ Contraindica por idade (errado em idoso hígido)
❌ Não menciona febre amarela
Atualização de rotina (dTpa)
❌ Usa dTpa-VIP (formulação errada)
❌ Não menciona
✅ Inclui dTpa (a cada 10 anos)
❌ Não menciona
❌ Não menciona
Veredito
❌ Incorreta
❌ Incorreta
✅ Correta
❌ Incorreta
❌ Incorreta
Vacinação do viajante idoso: Destino: América Central (Febre amarela (endêmica), Hepatite A (endêmica)); Avaliação do paciente (68 anos, hígido, Vacina de febre amarela permitida, Estado vacinal desconhecido); Atualizações de rotina (dTpa (a cada 10 anos), Influenza e COVID-19 (se devido))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Indica vacinas contra hepatite B, meningocócica ACWY e dTpa-VIP, mas ignora as vacinas prioritárias para a América Central: febre amarela e hepatite A. A hepatite B e a meningocócica ACWY não são recomendadas rotineiramente para viajantes a essa região, e a dTpa-VIP (tríplice bacteriana acelular + poliomielite inativada) não é a formulação padrão para adultos — a dTpa é a indicada. A alternativa erra ao não considerar o risco epidemiológico do destino.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a vacina de febre amarela é "obrigatória para viagens internacionais", o que é incorreto. A vacina pode ser exigida por lei para viagens a determinados países, mas não é obrigatória para todas as viagens internacionais. Além disso, a alternativa ignora a hepatite A e a dTpa, que também são recomendadas. A conduta correta é considerar a vacinação conforme o risco individual e o destino, não aplicar de forma indiscriminada.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa correta considera a vacinação contra febre amarela, hepatite A e a atualização da dTpa, conforme o risco epidemiológico e o estado vacinal. Isso está alinhado com as recomendações para viajantes à América Central: febre amarela (endêmica na região), hepatite A (endêmica) e dTpa (atualização de rotina a cada 10 anos). O paciente é idoso, mas hígido, então a vacinação é indicada com avaliação de risco-benefício.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Contraindica a vacina contra febre amarela pelo risco etário, o que é incorreto. Idosos saudáveis podem e devem ser vacinados, pois o risco de adquirir a doença em área endêmica é maior que o risco de eventos adversos. A alternativa também recomenda apenas influenza e COVID-19, que não são as prioridades para a América Central, ignorando febre amarela e hepatite A.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Indica SCR (tríplice viral) como rotina para maiores de 60 anos, justificando por surtos na América Central. No entanto, a SCR não é a vacina prioritária para essa região, e a recomendação de dose extra de SCR é para situações específicas de surto, não para viagem de rotina. A alternativa ignora febre amarela e hepatite A, que são as vacinas essenciais para o destino.