Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — FGV 2025
Medicina›Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
fg114259
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Clinica Médica (Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia, Nefrologia, Oncologia Clínica, Reumatologia, Medicina Paliativa)
Mulher de 50 anos com lúpus eritematoso sistêmico em uso de prednisona 10 mg/dia e micofenolato mofetil comparece à consulta para atualização vacinal. Está clinicamente estável e sem histórico de infecções recentes. Não há contraindicação momentânea à vacinação. Não possui registro prévio de vacinas pneumocócicas ou contra herpes zoster.Considerando sua faixa etária e condição clínica, a orientação vacinal mais adequada, de acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) 2024/2025, é
Ainiciar vacina contra herpes zoster com a vacina atenuada (Zostavax®), pois é mais imunogênica nesse grupo.
Baplicar apenas a VPC20, pois imunossuprimidos não devem receber esquemas sequenciais com VPP23.
Cadministrar a vacina recombinante inativada contra herpeszóster (VZR, Shingrix®) em duas doses, associada à VPC20 em dose única, além da vacina anual contra influenza.
Dcontraindicar qualquer vacinação no momento devido ao uso de imunossupressores.
Eadministrar VPP23 e VZR concomitantemente, além de dTpa com intervalo de 30 dias entre as doses.
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GabaritoC — administrar a vacina recombinante inativada contra herpeszóster (VZR, Shingrix®) em duas doses, associada à VPC20 em dose única, além da vacina anual contra influenza.
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Vacinação em paciente com lúpus eritematoso sistêmico: imunossupressão e escolha das vacinas
Gabarito: letra C. Para uma mulher de 50 anos com lúpus eritematoso sistêmico (LES) em uso de prednisona 10 mg/dia e micofenolato mofetil, a conduta mais adequada é administrar a vacina recombinante inativada contra herpes-zóster (VZR, Shingrix®) em duas doses, associada à VPC20 em dose única, além da vacina anual contra influenza. A justificativa central é que, em pacientes imunossuprimidos, as vacinas de vírus vivo atenuado (como a Zostavax®) são contraindicadas, sendo a vacina recombinante inativada a opção segura e eficaz para prevenção do herpes-zóster, conforme preconizado pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) 2024/2025.
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune crônica que cursa com desregulação imune, aumentando a suscetibilidade a infecções. Além disso, o uso de imunossupressores — como o micofenolato mofetil e a prednisona em dose ≥ 10 mg/dia — amplifica ainda mais esse risco. Nesse cenário, a vacinação é uma ferramenta crucial de prevenção, mas exige cuidados especiais na escolha dos imunobiológicos, especialmente no que diz respeito às vacinas de vírus vivo atenuado.
A regra de ouro é: vacinas vivas atenuadas são contraindicadas em pacientes imunossuprimidos, pois há risco de replicação viral descontrolada e doença pelo próprio vírus vacinal. No caso do herpes-zóster, existem duas vacinas disponíveis: a Zostavax®, que é uma vacina de vírus vivo atenuado, e a Shingrix®, que é uma vacina recombinante inativada (contém a glicoproteína E do vírus varicela-zóster com adjuvante AS01B). Para pacientes com LES em uso de imunossupressores, a Shingrix® é a vacina de escolha, administrada em duas doses com intervalo de 2 meses. A Zostavax® fica reservada para indivíduos imunocompetentes com mais de 50 anos, quando a vacina recombinante não estiver disponível ou for contraindicada.
Além da vacina contra herpes-zóster, a paciente também deve receber a vacina pneumocócica. A SBIm 2024/2025 recomenda, para imunossuprimidos, a vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20) em dose única, seguida, se indicado, da vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23) após um intervalo mínimo. No entanto, a alternativa C menciona apenas a VPC20 em dose única, o que está de acordo com a recomendação mais recente que prioriza a VPC20 para imunossuprimidos, sem necessariamente exigir o esquema sequencial com VPP23 em todos os casos. A vacina anual contra influenza também é indicada, pois pacientes com LES têm maior risco de complicações por influenza.
A pegadinha central desta questão é a distinção entre vacinas vivas atenuadas e vacinas inativadas/recombinantes em pacientes imunossuprimidos. A banca explora a confusão entre a Zostavax® (viva atenuada, contraindicada) e a Shingrix® (recombinante inativada, indicada). Além disso, há a tentação de contraindicar toda vacinação ou de aplicar esquemas inadequados de vacinas pneumocócicas. O candidato deve lembrar que a imunossupressão não é contraindicação absoluta à vacinação — pelo contrário, ela torna a vacinação ainda mais importante —, mas exige a seleção criteriosa de vacinas não vivas.
Guarde a fronteira entre vacinas vivas atenuadas e inativadas/recombinantes: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A paciente está imunossuprimida, então qualquer vacina viva atenuada está descartada; as vacinas inativadas, recombinantes e de subunidades são as opções seguras e indicadas.
Vacina
Tipo
Indicação na paciente (LES + imunossupressão)
Herpes-zóster (Shingrix®)
Recombinante inativada
✅ Indicada (2 doses)
Herpes-zóster (Zostavax®)
Vírus vivo atenuado
❌ Contraindicada
Pneumocócica conjugada (VPC20)
Conjugada inativada
✅ Indicada (dose única)
Pneumocócica polissacarídica (VPP23)
Polissacarídica
⚠️ Uso sequencial após VPC20 (não como primeira escolha)
Influenza
Inativada
✅ Indicada (anual)
Vacinação em imunossuprimidos: Vacinas vivas atenuadas (Contraindicadas, Ex.: Zostavax (herpes-zóster)); Vacinas inativadas/recombinantes (Indicadas, Ex.: Shingrix (herpes-zóster)); Esquema pneumocócico (VPC20 (dose única), VPP23 (sequencial, se indicado)); Vacina anual contra influenza (Indicada)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa sugere iniciar a vacina contra herpes-zóster com a vacina atenuada (Zostavax®), afirmando que é mais imunogênica nesse grupo. O erro é duplo: primeiro, a Zostavax® é uma vacina de vírus vivo atenuado, contraindicada em pacientes imunossuprimidos como a paciente em uso de micofenolato mofetil e prednisona. Segundo, a afirmação de que é "mais imunogênica" é incorreta — a vacina recombinante Shingrix® demonstrou maior eficácia e imunogenicidade, inclusive em imunocomprometidos. A Zostavax® só é considerada em imunocompetentes com mais de 50 anos, quando a recombinante não está disponível.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que se deve aplicar apenas a VPC20, pois imunossuprimidos não devem receber esquemas sequenciais com VPP23. O erro está na exclusão da vacina contra herpes-zóster e da vacina contra influenza, que também são indicadas para esta paciente. Além disso, a afirmação sobre a contraindicação do esquema sequencial com VPP23 é incorreta: a SBIm preconiza, para imunossuprimidos, o esquema sequencial VPC20 seguida de VPP23 após intervalo mínimo, em muitos casos. A alternativa B é incompleta e contém uma premissa falsa sobre a VPP23.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa está correta ao recomendar a vacina recombinante inativada contra herpes-zóster (VZR, Shingrix®) em duas doses, associada à VPC20 em dose única, além da vacina anual contra influenza. A Shingrix® é a vacina de escolha para imunossuprimidos, pois é inativada e segura, administrada em duas doses com intervalo de 2 meses. A VPC20 é a vacina pneumocócica conjugada recomendada para imunossuprimidos, e a vacina anual contra influenza é indicada para todos os pacientes com LES. A alternativa abrange as principais vacinas necessárias para esta paciente, respeitando as contraindicações de vacinas vivas atenuadas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa propõe contraindicar qualquer vacinação devido ao uso de imunossupressores. Isso é um erro grave: a imunossupressão não é contraindicação à vacinação, mas sim uma indicação de vacinação com imunobiológicos não vivos. Pacientes com LES em uso de imunossupressores têm risco aumentado de infecções, e a vacinação é essencial para preveni-las. A contraindicação se aplica apenas às vacinas de vírus vivo atenuado, não a todas as vacinas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa sugere administrar VPP23 e VZR concomitantemente, além de dTpa com intervalo de 30 dias entre as doses. O erro está na escolha da VPP23 como vacina pneumocócica inicial — para imunossuprimidos, a recomendação é iniciar com a vacina conjugada (VPC20), não com a polissacarídica (VPP23). Além disso, a dTpa não é mencionada como prioridade no contexto da atualização vacinal desta paciente, e o intervalo de 30 dias entre as doses não é uma recomendação padrão para essas vacinas. A alternativa E não segue as diretrizes da SBIm para imunossuprimidos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre vacinas vivas atenuadas e inativadas em pacientes imunossuprimidos. A Zostavax® (viva atenuada) é contraindicada, enquanto a Shingrix® (recombinante inativada) é a escolha correta. Além disso, a alternativa D tenta fazer o candidato acreditar que imunossupressão contraindica toda vacinação, quando na verdade apenas as vacinas vivas são contraindicadas. Fique atento: imunossupressão aumenta a necessidade de vacinação, mas exige a seleção de vacinas não vivas.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de vacinação em imunossuprimidos, memorize a regra: vacinas vivas atenuadas são contraindicadas; vacinas inativadas, recombinantes e de subunidades são indicadas. No caso do herpes-zóster, a Shingrix® (recombinante) é a opção para imunossuprimidos, enquanto a Zostavax® (viva atenuada) é restrita a imunocompetentes. Para pneumocócicas, lembre-se da sequência VPC20 → VPP23 para imunossuprimidos, priorizando a conjugada.