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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
fg114269
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Clinica Médica (Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia, Nefrologia, Oncologia Clínica, Reumatologia, Medicina Paliativa)
Paciente do sexo masculino, 28 anos, portador de doença de Crohn diagnosticada há 6 anos, com acometimento ileocolônico, comparece à consulta gastroenterológica referindo piora progressiva da dor abdominal nos últimos 3 meses, associada a diarreia líquida (6-8 evacuações/dia), perda ponderal de 8 kg no período, distensão abdominal e flatulência excessiva. Há 2 meses, desenvolveu drenagem de material fecaloide por orifício cutâneo em flanco direito, adjacente a cicatriz de laparotomia prévia (ressecção ileocecal realizada há 3 anos). Nega febre, mas relata episódios de calafrios noturnos. Em uso irregular de azatioprina 150 mg/dia nos últimos 18 meses, sem outras medicações.Antecedentes cirúrgicos: ressecção ileocecal com anastomose ileocolônica há 3 anos por estenose fibrótica refratária.Ao exame físico: emagrecido (IMC 18,5 kg/m²), descorado +/4+, desidratado +/4+. Abdomen: presença de orifício fistuloso em flanco direito drenando secreção fecaloide, com pele perilesional hiperemiada, sem sinais de abscesso palpável. Abdomen difusamente doloroso à palpação, sem defesa ou descompressão brusca dolorosa.Exames laboratoriais: hemoglobina 9,8 g/dL, VCM 78 fL, leucócitos 12.800/mm³ (neutrófilos 76%, linfócitos 18%), plaquetas 485.000/mm³, albumina 2,8 g/dL, proteína C reativa 68 mg/L (VR: < 5 mg/L), calprotectina fecal 850 mcg/g (VR: < 50 mcg/g), vitamina B12 150 pg/mL (VR: 200-900), ácido fólico 22 ng/mL (VR: 2-20). Tomografia de abdome e pélvis com contraste: espessamento parietal do íleo terminal e cólon ascendente, trajeto fistuloso entre alça ileal e parede abdominal anterior (fístula enterocutânea), sem coleções intra-abdominais. Teste respiratório com lactulose: elevação de hidrogênio de 28 ppm acima do basal em 75 minutos.Considerando o quadro clínico e os achados de imagem e laboratoriais, a abordagem terapêutica mais adequada para esse paciente inclui
  1. Adrenagem cirúrgica urgente da fístula enterocutânea com ressecção do segmento intestinal acometido, seguida de terapia de manutenção com azatioprina isolada após recuperação pós-operatória.
  2. Binício de terapia combinada com infliximabe e azatioprina para indução de remissão da doença de Crohn e fechamento da fístula, associado a antibioticoterapia com ciprofloxacino e metronidazol para supercrescimento bacteriano.
  3. Csubstituição de azatioprina por metotrexato intramuscular semanal como monoterapia de indução, reservando terapia biológica apenas para casos refratários ao metotrexate em 12 semanas.
  4. Dcorticoterapia com prednisona 60 mg/dia para controle da atividade inflamatória intestinal, com drenagem cirúrgica eletiva da fístula após estabilização clínica e normalização de marcadores inflamatórios.
  5. Evedolizumabe em monoterapia para indução de remissão, evitando imunomoduladores devido ao risco aumentado de infecções em pacientes com fístulas enterocutâneas ativas e desnutrição grave.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — início de terapia combinada com infliximabe e azatioprina para indução de remissão da doença de Crohn e fechamento da fístula, associado a antibioticoterapia com ciprofloxacino e metronidazol para supercrescimento bacteriano.

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