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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
fg114272
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Clinica Médica (Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia, Nefrologia, Oncologia Clínica, Reumatologia, Medicina Paliativa)
Homem de 54 anos é levado ao pronto-socorro após episódio de hematêmese volumosa há cerca de 30 minutos. Relata história de etilismo crônico e diagnóstico prévio de hepatite C, sem acompanhamento médico regular. Nas últimas semanas notou aumento do volume abdominal e edema em membros inferiores.Ao exame físico: paciente pálido, sudoreico, consciente, orientado, pressão arterial 94/60 mmHg, frequência cardíaca 112 bpm, saturação de O₂ 97% em ar ambiente. Apresenta circulação colateral abdominal, telangiectasias em tronco e discreta ascite. Toque retal revela melena. Hemoglobina: 8,1 g/dL; plaquetas: 78.000/mm³; INR: 1,6; ureia: 68 mg/dL; creatinina: 1,1 mg/dL.Considerando o quadro clínico e as recomendações atuais, a conduta inicial mais apropriada no manejo da hemorragia digestiva com suspeita de origem varicosa é
  1. Ainiciar infusão intravenosa de inibidor de bomba de prótons e solicitar endoscopia digestiva alta nas próximas 24 horas.
  2. Bmanter jejum, iniciar infusão contínua de octreotídeo, mas adiar antibioticoprofilaxia até confirmação endoscópica.
  3. Cmanter jejum, iniciar infusão contínua de octreotídeo e antibioticoterapia profilática, além de estabilização hemodinâmica com reposição volêmica criteriosa e endoscopia nas primeiras 12 horas.
  4. Dadministrar vitamina K e plasma fresco congelado, visando correção do INR e melhora da coagulação.
  5. Erealizar passagem de sonda nasogástrica para lavagem gástrica e liberar dieta líquida após estabilização clínica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — manter jejum, iniciar infusão contínua de octreotídeo e antibioticoterapia profilática, além de estabilização hemodinâmica com reposição volêmica criteriosa e endoscopia nas primeiras 12 horas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemorragia digestiva alta varicosa: manejo inicial

Gabarito: letra C. Em paciente com sinais claros de hipertensão portal (circulação colateral, telangiectasias, ascite, plaquetopenia, INR elevado) e hematêmese volumosa, a conduta inicial deve combinar estabilização hemodinâmica criteriosa, vasoconstritor esplâncnico (octreotídeo), antibioticoprofilaxia e endoscopia digestiva alta precoce (nas primeiras 12 horas) — exatamente o que a alternativa C descreve. A suspeita de origem varicosa muda o manejo: o sangramento por varizes é uma emergência com mortalidade superior a 30% e não pode ser tratado como uma úlcera péptica comum.

O quadro clínico apresentado é um clássico de hemorragia digestiva alta (HDA) varicosa: paciente com etilismo crônico e hepatite C (as duas causas mais comuns de cirrose no Brasil), sinais de hipertensão portal (circulação colateral abdominal, telangiectasias, ascite), plaquetopenia (78.000/mm³) e INR elevado (1,6) — todos indicativos de doença hepática avançada com varizes esofágicas. A hematêmese volumosa associada a instabilidade hemodinâmica (PA 94/60 mmHg, FC 112 bpm) configura sangramento ativo de alto risco.

O manejo da HDA varicosa difere do manejo da HDA não varicosa em pontos cruciais. Enquanto na úlcera péptica o pilar é o inibidor de bomba de prótons (IBP) e a endoscopia pode ser feita em até 24 horas, na suspeita de varizes o tratamento farmacológico com vasoconstritor esplâncnico (octreotídeo, terlipressina, somatostatina) deve ser iniciado imediatamente, antes mesmo da confirmação endoscópica, pois reduz a pressão portal e o sangramento. A antibioticoprofilaxia também é mandatória desde a admissão — não se espera a confirmação endoscópica — porque reduz significativamente a mortalidade, prevenindo infecções bacterianas (especialmente peritonite bacteriana espontânea) que são a principal causa de ressangramento e óbito nesses pacientes.

A endoscopia digestiva alta deve ser realizada precocemente, nas primeiras 12 horas, idealmente após estabilização hemodinâmica inicial. O objetivo é identificar a fonte do sangramento e realizar tratamento endoscópico (ligadura elástica de varizes, escleroterapia), que é o padrão-ouro terapêutico. A reposição volêmica deve ser criteriosa: dois acessos venosos calibrosos, cristaloides em bolus de 500 mL, com alvo de PAS em torno de 100 mmHg — evitando hipervolemia, que pode aumentar a pressão portal e piorar o sangramento. A transfusão de hemácias deve ser considerada com alvo de hemoglobina entre 7 e 9 g/dL (em torno de 8 g/dL), conforme diretrizes atuais.

A alternativa C é a única que contempla todos os pilares do manejo inicial da HDA varicosa: jejum, octreotídeo contínuo, antibioticoprofilaxia, estabilização hemodinâmica criteriosa e endoscopia nas primeiras 12 horas. As demais alternativas erram ao omitir um ou mais desses componentes essenciais, ou ao propor condutas inadequadas ou até prejudiciais.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o manejo da HDA varicosa e o da HDA não varicosa (úlcera péptica). Na úlcera, o IBP é o pilar e a endoscopia pode esperar 24 horas; na suspeita de varizes, o octreotídeo e a antibioticoprofilaxia são urgentes e a endoscopia é precoce (12 horas). O candidato que aplica o protocolo de úlcera a um paciente com sinais de hipertensão portal erra a questão — e, na prática clínica, coloca o paciente em risco de morte.

  1. 1Estabilização hemodinâmica criteriosa
  2. 2Octreotídeo em infusão contínua
  3. 3Antibioticoprofilaxia imediata
  4. 4Endoscopia precoce (12h)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao priorizar o inibidor de bomba de prótons (IBP) e adiar a endoscopia para 24 horas. O IBP é o pilar do tratamento da úlcera péptica, não da hemorragia varicosa — nas varizes, o tratamento farmacológico de primeira linha é o vasoconstritor esplâncnico (octreotídeo). Além disso, a endoscopia em 24 horas é tardia para um sangramento varicoso ativo com instabilidade hemodinâmica; o recomendado é nas primeiras 12 horas. A alternativa ignora completamente a antibioticoprofilaxia, essencial nesse cenário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Acerta ao manter jejum e iniciar octreotídeo, mas erra gravemente ao adiar a antibioticoprofilaxia até a confirmação endoscópica. A antibioticoterapia profilática deve ser iniciada imediatamente na admissão, sem aguardar a endoscopia, pois reduz mortalidade e ressangramento em pacientes cirróticos com HDA. Além disso, a alternativa não menciona a estabilização hemodinâmica, que é a prioridade absoluta em paciente com PA 94/60 mmHg e FC 112 bpm.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

É a conduta completa e correta. Contempla os quatro pilares do manejo inicial da HDA varicosa: (1) jejum — preparo para endoscopia e prevenção de broncoaspiração; (2) octreotídeo em infusão contínua — vasoconstritor esplâncnico que reduz pressão portal e sangramento, iniciado imediatamente; (3) antibioticoprofilaxia — mandatória desde a admissão em cirróticos com HDA, reduzindo mortalidade; (4) estabilização hemodinâmica com reposição volêmica criteriosa — dois acessos calibrosos, cristaloides, alvo de PAS ~100 mmHg, evitando hipervolemia; e (5) endoscopia nas primeiras 12 horas — para diagnóstico e tratamento (ligadura elástica).

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra ao priorizar a correção do INR com vitamina K e plasma fresco congelado. Em HDA varicosa, a coagulopatia (INR 1,6) reflete a disfunção hepática e não deve ser agressivamente corrigida com plasma — isso pode piorar a hipervolemia e aumentar a pressão portal, agravando o sangramento. A reposição de fatores de coagulação só é indicada em casos selecionados (sangramento refratário, procedimentos invasivos). A alternativa ignora completamente o tratamento farmacológico (octreotídeo), a antibioticoprofilaxia e a endoscopia precoce, que são os pilares do manejo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao propor lavagem gástrica com sonda nasogástrica e liberar dieta após estabilização. A lavagem gástrica caiu em desuso na HDA por sua baixa razão de verossimilhança negativa e pelo desconforto significativo ao paciente — não é recomendada rotineiramente. Além disso, o paciente deve permanecer em jejum até a endoscopia, não sendo liberada dieta após estabilização. A alternativa também omite o octreotídeo, a antibioticoprofilaxia e a endoscopia precoce, que são essenciais.

Gabarito: letra C

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