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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
fg114273
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Clinica Médica (Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia, Nefrologia, Oncologia Clínica, Reumatologia, Medicina Paliativa)
Homem de 67 anos procura o pronto atendimento devido a dois episódios de evacuação de fezes enegrecidas nas últimas 24 horas. Relata discreta náusea e sensação de fraqueza, sem dor abdominal ou hematêmese. Tem histórico de hipertensão arterial e osteoartrose, em uso de losartana e anti-inflamatório não esteroide de forma intermitente. Nega história prévia de anemia.Ao exame físico: paciente em bom estado geral, consciente, hidratado, pressão arterial 122/76 mmHg, frequência cardíaca 98 bpm, sem sinais de hipotensão ortostática. Abdome flácido, indolor, sem visceromegalias. Toque retal revela fezes escurecidas e pastosas. Hemoglobina atual: 8,5 g/dL (prévia há 3 meses: 13,2 g/dL), ureia 58 mg/dL, creatinina 0,9 mg/dL, tempo de protrombina normal.Considerando o quadro clínico e o manejo inicial apropriado da hemorragia digestiva em paciente hemodinamicamente estável, a conduta mais adequada é
  1. Amanter jejum, iniciar infusão venosa de inibidor de bomba de prótons e agendar endoscopia digestiva alta em até 24 horas.
  2. Bmanter jejum, realizar passagem de sonda nasogástrica em sifonagem e solicitar endoscopia após 48 horas.
  3. Cmanter jejum, iniciar octreotídeo e antibioticoterapia profilática, além de endoscopia urgente nas próximas 6 horas.
  4. Diniciar metoclopramida para preparo gástrico, liberar dieta após melhora dos sintomas e solicitar endoscopia ambulatorial.
  5. Etransfundir concentrado de hemácias e agendar endoscopia após estabilização clínica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — manter jejum, iniciar infusão venosa de inibidor de bomba de prótons e agendar endoscopia digestiva alta em até 24 horas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemorragia digestiva alta: manejo inicial

Gabarito: letra A. O quadro é de hemorragia digestiva alta (HDA) com melena, queda de hemoglobina (13,2 → 8,5 g/dL) e ureia desproporcionalmente elevada (58 mg/dL com creatinina normal), em paciente hemodinamicamente estável. A conduta inicial adequada é manter jejum, iniciar infusão venosa de inibidor de bomba de prótons (IBP) e realizar endoscopia digestiva alta (EDA) em até 24 horas — conforme as diretrizes de manejo da HDA não varicosa. As demais alternativas erram ao postergar a endoscopia, indicar medidas desnecessárias (sonda nasogástrica, octreotídeo, antibióticos) ou liberar dieta precocemente.

A hemorragia digestiva alta é definida como sangramento proximal ao ligamento de Treitz (esôfago, estômago e duodeno). A apresentação clássica inclui hematêmese e/ou melena — fezes enegrecidas, pastosas e de odor fétido, como descrito no caso. A melena indica que o sangue permaneceu tempo suficiente no trato gastrointestinal para ser digerido, o que aponta para sangramento alto, embora sangramentos de cólon direito também possam cursar com melena.

A avaliação inicial deve priorizar a estabilidade hemodinâmica: aferir pressão arterial, frequência cardíaca e procurar sinais de hipotensão ortostática. No paciente descrito, a PA é 122/76 mmHg, a FC é 98 bpm e não há hipotensão ortostática — ou seja, está hemodinamicamente estável. A hemoglobina de 8,5 g/dL, apesar de baixa, não é indicação isolada de transfusão; a decisão transfusional deve ser guiada por sintomas, comorbidades e tolerância hemodinâmica, sendo alvo restritivo (Hb 7–8 g/dL) na maioria dos casos.

A estratificação de risco é fundamental. O escore de Rockall e a escala de Glasgow-Blatchford ajudam a identificar pacientes de baixo risco que podem ser manejados ambulatorialmente, mas o paciente em questão tem fatores de risco: idade > 60 anos, uso de AINE, queda importante de hemoglobina e ureia elevada. Portanto, ele se beneficia de internação e endoscopia precoce.

A endoscopia digestiva alta é o método diagnóstico e terapêutico de escolha. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, deve ser realizada em até 24 horas da admissão. A terapia endoscópica (injeção de adrenalina, hemoclipes, coagulação) está indicada para lesões com estigmas de sangramento ativo ou recente (Forrest Ia, Ib, IIa e IIb). O uso de IBP em infusão venosa contínua (bolus de 80 mg seguido de 8 mg/h) está indicado antes da endoscopia em casos de suspeita de úlcera péptica, pois reduz o risco de ressangramento e a necessidade de intervenção endoscópica.

A passagem de sonda nasogástrica (SNG) para sifonagem não é recomendada rotineiramente, pois não melhora desfechos e causa desconforto. O octreotídeo é reservado para suspeita de sangramento por varizes esofágicas, o que não é o caso (ausência de hepatopatia crônica). A antibioticoterapia profilática é indicada apenas na hemorragia varicosa. A metoclopramida como preparo gástrico não é recomendada de rotina. A transfusão de concentrado de hemácias deve seguir critérios clínicos, não apenas o valor de hemoglobina, e não deve atrasar a endoscopia em paciente estável.

A distinção crucial que separa as alternativas é o tempo para a endoscopia e as medidas adjuvantes indicadas. Em paciente estável, a EDA deve ser feita em até 24 horas; em paciente instável ou com sangramento ativo, a EDA é urgente (em até 12 horas ou imediatamente após estabilização). Medidas como SNG, octreotídeo e antibióticos são específicas para contextos que não se aplicam a este caso.

  1. 1Estabilização hemodinâmica
  2. 2Estratificação de risco
  3. 3IBP venoso
  4. 4EDA em até 24h (estável)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta mais adequada. O paciente tem HDA com melena, queda de Hb e ureia elevada, mas está hemodinamicamente estável. A conduta é manter jejum (para preparo e segurança da endoscopia), iniciar IBP venoso (reduz risco de ressangramento e melhora o campo para a endoscopia) e realizar EDA em até 24 horas. Este é o padrão de manejo recomendado pelas diretrizes de HDA não varicosa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra ao indicar passagem de sonda nasogástrica em sifonagem, procedimento não recomendado rotineiramente, e ao postergar a endoscopia para após 48 horas. Em paciente estável, a EDA deve ser realizada em até 24 horas. A SNG não melhora desfechos e causa desconforto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra ao indicar octreotídeo e antibioticoterapia profilática, medidas específicas para hemorragia varicosa, que não é o caso (ausência de sinais de hepatopatia). Além disso, a endoscopia urgente em até 6 horas não é necessária em paciente estável; o prazo de 24 horas é o adequado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra ao indicar metoclopramida para preparo gástrico, que não é recomendada de rotina, e ao liberar dieta após melhora dos sintomas, o que é prematuro. A endoscopia ambulatorial é inadequada para um paciente com HDA e queda importante de hemoglobina, que necessita de internação e endoscopia precoce.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao indicar transfusão de concentrado de hemácias sem critérios clínicos claros. O paciente está hemodinamicamente estável, e a hemoglobina de 8,5 g/dL não é indicação isolada de transfusão. Além disso, a endoscopia não deve ser postergada para "após estabilização", pois o paciente já está estável; deve ser realizada em até 24 horas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o manejo da HDA varicosa e não varicosa. O octreotídeo e a antibioticoterapia profilática (alternativa C) são específicos para sangramento por varizes esofágicas, que não é o caso. Além disso, a transfusão (alternativa E) não deve ser indicada apenas pelo valor de hemoglobina, mas sim por critérios clínicos de instabilidade.

PEGA ESSA DICA!

Memorize o fluxo de manejo da HDA: estabilização hemodinâmica → estratificação de risco → IBP venoso → EDA em até 24 horas (estável) ou urgente (instável). Lembre-se: SNG, octreotídeo e antibióticos são medidas específicas que não se aplicam a todos os casos.

Gabarito: letra A

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