Questão de Medicina — Biossegurança em Medicina — FGV 2025
Medicina›Biossegurança em Medicina
Código
fg114292
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Clinica Médica (Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia, Nefrologia, Oncologia Clínica, Reumatologia, Medicina Paliativa)
Paciente feminina, 60 anos, transplantada renal em uso de imunossupressores, é internada com quadro de febre e dor intensa na região torácica. Ao exame físico, apresenta lesões vesiculares agrupadas em base eritematosa, distribuídas em um dermátomo (lesão unilateral e localizada), compatíveis com herpes zoster.A paciente reside em enfermaria compartilhada com outros pacientes transplantados. A equipe de saúde, incluindo um residente sem histórico de vacinação ou varicela prévia, está prestando assistência.Com base nas normas de controle de infecção hospitalar e nas características da doença em paciente imunossuprimido, a respeito da conduta de isolamento e das precauções mais adequadas para a paciente e o residente, é correto afirmar que
Aa paciente deve ser mantida em isolamento de contato e gotículas, podendo permanecer na enfermaria compartilhada, desde que o residente suscetível continue prestando assistência com o uso de máscara cirúrgica.
Ba paciente deve ser transferida para quarto privativo com isolamento de contato e aerossóis (pressão negativa), e o residente suscetível deve ser afastado imediatamente do contato com o paciente e de outros pacientes de risco.
Ca paciente pode permanecer em enfermaria compartilhada, pois o herpes zoster é menos contagioso que a varicela. O residente suscetível deve receber imunoglobulina contra Varicela Zoster e manter-se em serviço.
Da paciente deve ter isolamento por contato e ser transferida para quarto privativo, e o residente suscetível deve ser vacinado imediatamente, podendo seguir prestando assistência se for assintomático.
Ea paciente necessita apenas de isolamento padrão, pois o herpes zoster localizado em paciente imunossuprimido não oferece risco de disseminação aérea, e a equipe de saúde deve apenas lavar as mãos e usar luvas.
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GabaritoB — a paciente deve ser transferida para quarto privativo com isolamento de contato e aerossóis (pressão negativa), e o residente suscetível deve ser afastado imediatamente do contato com o paciente e de outros pacientes de risco.
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Herpes-zóster em paciente imunossuprimido: isolamento e precauções
Gabarito: letra B. Em paciente imunossuprimido com herpes-zóster, a transmissão pode ocorrer por gotículas respiratórias e por contato com as lesões, exigindo precauções de contato e aerossóis em quarto privativo com pressão negativa; o residente suscetível (sem varicela prévia ou vacinação) deve ser afastado imediatamente do contato com a paciente e com outros pacientes de risco. Essa conduta está alinhada às normas de controle de infecção hospitalar e às características da doença em imunossuprimidos.
O herpes-zóster é a reativação do vírus varicela-zóster (HHV-3), que permanece latente nos gânglios nervosos após a primoinfecção (varicela). Em pacientes imunossuprimidos, como a transplantada renal em uso de imunossupressores, a reativação tende a ser mais grave e o risco de disseminação é maior. A transmissão do vírus ocorre por duas vias principais: contato direto com a secreção das vesículas e, em imunossuprimidos, também por gotículas respiratórias — diferentemente do que ocorre em imunocompetentes, nos quais a transmissão por via aérea é considerada remota quando as lesões estão cobertas.
Por isso, as precauções recomendadas para herpes-zóster em paciente imunossuprimido são contato + aerossóis (e não apenas contato ou contato + gotículas). O quarto deve ser privativo, com porta fechada e pressão negativa, para evitar a disseminação de partículas virais para áreas adjacentes. O residente suscetível — sem história de varicela ou vacinação — está em risco de adquirir varicela (não herpes-zóster) ao entrar em contato com o vírus, e deve ser afastado imediatamente do cuidado da paciente e de outros pacientes vulneráveis, pois pode se tornar fonte de transmissão durante o período de incubação.
A alternativa correta é a B, que contempla exatamente essas medidas: transferência para quarto privativo com isolamento de contato e aerossóis (pressão negativa) e afastamento imediato do residente suscetível. As demais alternativas falham ao subestimar o risco de transmissão aérea em imunossuprimidos, ao indicar isolamento inadequado ou ao permitir que o residente suscetível continue prestando assistência.
A pegadinha central desta questão é a troca das vias de transmissão: em imunocompetentes, o herpes-zóster localizado transmite-se por contato; em imunossuprimidos, há também transmissão por gotículas/aerossóis, o que exige precauções mais rigorosas. A banca explora essa diferença para induzir o candidato a escolher uma alternativa que subestima o risco.
Critério
Conduta correta (Gabarito B)
Conduta incorreta (exemplo: A)
Tipo de isolamento
Contato + aerossóis
Contato + gotículas
Local de permanência
Quarto privativo com pressão negativa
Enfermaria compartilhada
Conduta com residente suscetível
Afastamento imediato do contato com a paciente e outros pacientes de risco
Permanência na assistência com uso de máscara cirúrgica
Herpes-zóster em imunossuprimido: Vias de transmissão (Contato com lesões, Gotículas respiratórias); Precauções exigidas (Contato, Aerossóis (pressão negativa)); Quarto privativo; Residente suscetível (Afastamento imediato, Não prestar assistência)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a paciente pode permanecer na enfermaria compartilhada com isolamento de contato e gotículas, e que o residente suscetível pode continuar prestando assistência com máscara cirúrgica. Erro: em paciente imunossuprimido, o herpes-zóster exige precauções de aerossóis (não apenas gotículas) e quarto privativo — a permanência em enfermaria compartilhada expõe outros pacientes transplantados ao risco de varicela. Além disso, o residente suscetível deve ser afastado, não apenas usar máscara cirúrgica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao determinar: (1) transferência para quarto privativo com isolamento de contato e aerossóis (pressão negativa), pois a paciente imunossuprimida pode transmitir o vírus por gotículas respiratórias e por contato; (2) afastamento imediato do residente suscetível, que não tem imunidade prévia e está em risco de desenvolver varicela, podendo ainda transmitir o vírus a outros pacientes de risco. Essa é a conduta preconizada pelas normas de controle de infecção hospitalar.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a paciente pode permanecer na enfermaria compartilhada porque o herpes-zóster é menos contagioso que a varicela, e que o residente suscetível deve receber imunoglobulina e manter-se em serviço. Erro: embora o herpes-zóster seja menos contagioso que a varicela em imunocompetentes, em imunossuprimidos o risco de transmissão por gotículas respiratórias é relevante, exigindo isolamento mais rigoroso. Além disso, o residente suscetível deve ser afastado, não permanecer em serviço — a imunoglobulina é uma medida profilática, mas não substitui o afastamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a paciente deve ter isolamento por contato e ser transferida para quarto privativo, e que o residente suscetível deve ser vacinado imediatamente, podendo seguir prestando assistência se assintomático. Erro: falta a precaução de aerossóis (necessária em imunossuprimidos) e a vacinação imediata não é a conduta indicada — a vacina não confere proteção imediata e o residente suscetível deve ser afastado, não continuar prestando assistência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a paciente necessita apenas de isolamento padrão, pois o herpes-zóster localizado em imunossuprimido não oferece risco de disseminação aérea. Erro: exatamente o contrário — em imunossuprimidos, há risco de transmissão por gotículas respiratórias, exigindo precauções de contato e aerossóis, não apenas isolamento padrão. A equipe deve usar máscara N95/PFF2 (para aerossóis), além de luvas e avental.