Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2025
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
fg114296
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Clinica Médica (Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia, Nefrologia, Oncologia Clínica, Reumatologia, Medicina Paliativa)
Paciente masculino, 55 anos, diabético e hipertenso, comparece à emergência referindo dor torácica intensa, em aperto, com irradiação para o membro superior esquerdo, iniciada há 40 minutos. Ao exame físico, apresenta-se pálido, sudoreico e com pressão arterial de 100 por 60 mmHg. O eletrocardiograma (ECG) inicial revela supradesnivelamento do segmento ST de 3 mm em derivações V2 a V4. O tempo estimado até a chegada ao laboratório de hemodinâmica é de 15 minutos.Diante deste quadro clínico, a conduta terapêutica imediata mais apropriada é
Ainiciar oxigenioterapia e nitroglicerina sublingual para alívio da dor e imediatamente acionar a equipe de cirurgia cardíaca para revascularização miocárdica emergencial.
Badministrar de imediato a terapia trombolítica intravenosa (ex: tenecteplase), seguida de heparina, pois o tempo de dor do paciente é inferior a 60 minutos.
Cadministrar ácido acetilsalicílico (AAS) e clopidogrel, iniciar a heparinização, e encaminhar o paciente para angioplastia primária (PCI).
Dadministrar AAS e enoxaparina em dose plena, iniciar o gotejamento de nitroglicerina intravenosa e aguardar a elevação das enzimas cardíacas (Troponina e CK-MB) para confirmar a necrose miocárdica.
Einiciar apenas o AAS, realizar o teste de esforço para avaliar a área de isquemia e, caso o teste seja positivo, encaminhar o paciente para angiotomografia coronariana.
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GabaritoC — administrar ácido acetilsalicílico (AAS) e clopidogrel, iniciar a heparinização, e encaminhar o paciente para angioplastia primária (PCI).
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Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do ST (IAMCST): reperfusão
Gabarito: letra C. O paciente tem IAMCST (dor típica + supra de ST em V2-V4) e o tempo até a hemodinâmica é de 15 minutos — dentro da janela para angioplastia primária (PCI), que é a reperfusão de escolha quando disponível em tempo hábil. A conduta imediata é dupla antiagregação (AAS + clopidogrel), anticoagulação e encaminhamento para PCI, conforme as diretrizes de síndrome coronariana aguda.
O IAMCST é a forma mais grave da síndrome coronariana aguda, caracterizada pela oclusão total de uma artéria coronária, que leva à necrose do miocárdio irrigado por ela. O diagnóstico é essencialmente eletrocardiográfico: supradesnivelamento do segmento ST em derivações contíguas (no caso, V2 a V4, parede anterior). O tratamento é uma corrida contra o tempo — o objetivo é restaurar o fluxo coronariano o mais rápido possível para salvar o músculo cardíaco. As duas estratégias de reperfusão são a angioplastia primária (PCI) e a trombólise (fibrinólise). A escolha entre elas depende do tempo de chegada ao laboratório de hemodinâmica: se a PCI puder ser realizada em até 120 minutos do primeiro contato médico, ela é preferível; se o atraso for maior, a trombólise deve ser iniciada. No caso, o tempo estimado é de apenas 15 minutos, o que torna a PCI a conduta ideal.
A instabilidade hemodinâmica (PA 100x60 mmHg, palidez, sudorese) reforça a urgência: o paciente está em risco de choque cardiogênico, e a reperfusão mecânica é a única estratégia que reduz mortalidade nesse cenário. A trombólise, embora seja uma opção quando a PCI não está disponível, perde espaço quando a hemodinâmica está a poucos minutos — e ainda aumenta o risco de sangramento se o paciente for submetido à PCI em seguida. O manejo farmacológico imediato inclui AAS (300 mg mastigado), um segundo antiagregante (clopidogrel ou ticagrelor) e anticoagulação (heparina ou enoxaparina), além de analgesia com nitrato e, se necessário, morfina. A oxigenioterapia só é indicada se a saturação estiver abaixo de 90%.
A grande pegadinha desta questão é a tentação de trombolisar o paciente por ele estar dentro da janela de 60 minutos de dor. Mas a regra é clara: se a PCI está disponível em tempo hábil (até 120 minutos), ela é sempre preferível à trombólise. Outra armadilha é a espera pelas enzimas cardíacas: no IAMCST, o tratamento não pode esperar a troponina — o ECG já fecha o diagnóstico. E a alternativa que sugere cirurgia cardíaca emergencial confunde o tratamento do IAMCST com o da dissecção de aorta ou com complicações mecânicas, que não estão presentes aqui.
Guarde a hierarquia da reperfusão no IAMCST: PCI primária > trombólise, sempre que a PCI estiver disponível em até 120 minutos. É exatamente esse critério que separa as alternativas corretas das incorretas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) emergencial é reservada para casos específicos, como falha da PCI, anatomia coronariana desfavorável ou complicações mecânicas (ruptura de parede livre, comunicação interventricular, insuficiência mitral aguda). No IAMCST sem complicações, a reperfusão de escolha é a PCI, não a cirurgia. Além disso, a nitroglicerina sublingual é um adjuvante para alívio da dor, mas não é o tratamento definitivo — e o paciente está hipotenso (PA 100x60), o que contraindica o uso liberal de nitrato, que pode piorar a pressão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A trombólise é uma opção válida quando a PCI não está disponível em tempo hábil (atraso > 120 minutos). Aqui, o tempo até a hemodinâmica é de apenas 15 minutos, então a PCI é claramente preferível. Além disso, a trombólise aumenta o risco de sangramento se o paciente for submetido à PCI em seguida — o que seria o caso se o paciente fosse trombolisado e depois levado ao laboratório. A alternativa ignora o critério de escolha entre as duas estratégias de reperfusão.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta ideal: dupla antiagregação (AAS + clopidogrel), anticoagulação (heparina) e encaminhamento imediato para angioplastia primária (PCI). O tempo de 15 minutos até a hemodinâmica está muito dentro da janela de 120 minutos que torna a PCI a reperfusão de escolha. A dupla antiagregação e a anticoagulação são o suporte farmacológico obrigatório antes da PCI, reduzindo o risco de novo trombo durante o procedimento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Aguardar a elevação das enzimas cardíacas (troponina e CK-MB) para confirmar a necrose é um erro grave no IAMCST. O diagnóstico é eletrocardiográfico e clínico — o tratamento não pode esperar a troponina, que pode levar horas para se elevar. A reperfusão deve ser imediata. Além disso, a enoxaparina em dose plena é uma opção de anticoagulação, mas a conduta não pode parar por aí: o paciente precisa de reperfusão, não de observação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O teste de esforço é contraindicado na vigência de IAMCST — é um exame para avaliação de isquemia em pacientes estáveis, sem dor e sem alterações agudas no ECG. Realizá-lo em um paciente com supra de ST seria extremamente perigoso, podendo precipitar arritmias ou piorar a isquemia. A angiotomografia coronariana também não é o exame de escolha na emergência do IAMCST. A conduta é reperfusão imediata, não avaliação funcional.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as duas estratégias de reperfusão. O candidato vê "dor há 40 minutos" e pensa em trombólise (alternativa B), mas esquece que a PCI, quando disponível em tempo hábil, é sempre preferível. Outra armadilha é a alternativa D, que propõe esperar a troponina — no IAMCST, o ECG já fecha o diagnóstico e o tempo é miocárdio. Fique atento: a regra é PCI se disponível em até 120 minutos; trombólise se não houver essa opção.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de IAMCST, monte o fluxo mental: 1) ECG com supra de ST? 2) PCI disponível em até 120 min? Se sim → PCI. Se não → trombólise. 3) Nunca esperar troponina. 4) AAS + segundo antiagregante + anticoagulação sempre. Esse raciocínio resolve a maioria das questões de conduta.