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Questão de Medicina — Hematologia — FGV 2025

MedicinaHematologia
Código
fg114300
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Clinica Médica (Cardiologia, Endocrinologia e Metabologia, Hematologia e Hemoterapia, Nefrologia, Oncologia Clínica, Reumatologia, Medicina Paliativa)
Paciente feminina, 45 anos, comparece para um exame de rotina. Ela é eutrófica, nega uso de medicações crônicas e apresenta perfil lipídico normal (triglicerídeos 60 mg/dL). O rastreio laboratorial demonstrou: Glicemia de Jejum de 80 mg/dL em 2025 (e 82 mg/dL em 2024); Hemoglobina Glicada de 5,5% em 2025 (e 5,4% em 2024); Hemoglobina de 12,2; Volume Corpuscular Médio (VCM) de 103 fL e Concentração de Corpuscular Média (CHCM) de 33 g/dL.Considerando o caso descrito, assinale a afirmativa correta a respeito da melhor interpretação para a discrepância entre a hemoglobina glicada e a glicemia de jejum e da conduta investigativa subsequente.
  1. AA investigação da glicemia deve ser complementada com frutosamina ou albumina glicosilada, mas estes testes são ineficazes na presença de alterações na morfologia eritrocitária, devendo-se solicitar o painel de hemoglobinopatias.
  2. BA hemoglobina glicada 5,5% está falsamente elevada devido ao aumento do VCM, o que sugere um tempo de vida prolongado das hemácias e demanda a investigação de deficiência de B12 ou folato.
  3. CO resultado da hemoglobina glicada confirma o diagnóstico de pré-diabetes, e a glicemia de jejum normal sugere a necessidade de um teste oral de tolerância à glicose.
  4. DA discrepância não é clinicamente relevante, pois ambas as medidas estão na faixa de normalidade; o manejo adequado é apenas aconselhamento nutricional e repetir os exames em um ano.
  5. EA macrocitose e o resultado de hemoglobina glicada de 5,5% sugerem o diagnóstico de hemoglobinopatia, condição que causa subestimação da hemoglobina glicada.
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GabaritoB — A hemoglobina glicada 5,5% está falsamente elevada devido ao aumento do VCM, o que sugere um tempo de vida prolongado das hemácias e demanda a investigação de deficiência de B12 ou folato.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemoglobina glicada e glicemia de jejum: interpretação da discrepância

Gabarito: letra B. A hemoglobina glicada (HbA1c) de 5,5% está falsamente elevada em relação à glicemia de jejum normal (80 mg/dL) devido ao aumento do VCM (103 fL), que sugere macrocitose e, portanto, um tempo de vida prolongado das hemácias — condição que expõe a hemoglobina por mais tempo à glicação. A conduta investigativa subsequente deve ser a investigação das causas da macrocitose, como deficiência de vitamina B12 ou folato.

A hemoglobina glicada (HbA1c) é um exame que reflete a glicemia média dos últimos 2 a 3 meses, pois a glicose se liga de forma não enzimática à hemoglobina durante toda a vida da hemácia (cerca de 120 dias). Quanto mais tempo a hemácia circula, mais glicose se acumula na hemoglobina, e maior será o valor da HbA1c para uma mesma glicemia média. Por isso, qualquer condição que altere o tempo de vida das hemácias interfere diretamente na interpretação do exame.

No caso apresentado, a paciente tem glicemia de jejum normal (80 mg/dL) e HbA1c de 5,5%, que também está dentro da faixa de normalidade (< 5,7%). No entanto, o VCM de 103 fL indica macrocitose (valor de referência geralmente entre 80 e 100 fL). A macrocitose pode ser causada por deficiência de vitamina B12 ou folato, que levam à eritropoese ineficaz e à liberação de hemácias maiores na circulação. Essas hemácias maiores podem ter uma sobrevida prolongada, o que aumenta o tempo de exposição da hemoglobina à glicose e, consequentemente, eleva a HbA1c de forma desproporcional à glicemia real.

A discrepância entre HbA1c e glicemia de jejum é um sinal de alerta para condições que interferem na glicação da hemoglobina ou na sobrevida das hemácias. O Quadro 3 do material de apoio lista situações que alteram a correspondência entre HbA1c e glicemia, incluindo anemias agudas, hemoglobinopatias, variantes de hemoglobina, transfusões sanguíneas, deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase, uso de alfaepoetina, antirretrovirais, insuficiência renal crônica, hemodiálise e alterações gestacionais. A macrocitose por deficiência de B12/folato não está explicitamente listada, mas o mecanismo de aumento da sobrevida eritrocitária é o mesmo que justifica a elevação da HbA1c.

A conduta correta diante dessa discrepância não é simplesmente repetir os exames ou ignorar o achado, mas sim investigar a causa da macrocitose. A dosagem de vitamina B12 e folato é o passo inicial para confirmar ou excluir essas deficiências, que são causas tratáveis de macrocitose e de HbA1c falsamente elevada. Outros exames, como frutosamina ou albumina glicada, refletem a glicemia de períodos mais curtos (2-3 semanas) e podem ser úteis em situações de alteração da sobrevida eritrocitária, mas não são a primeira escolha quando há macrocitose a ser investigada.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que a HbA1c de 5,5% não é um valor "alto" em termos absolutos, mas é desproporcionalmente alto para uma glicemia de jejum de 80 mg/dL. O candidato pode ser tentado a considerar que ambos os valores estão normais e que não há nada a fazer (alternativa D), ou que a HbA1c de 5,5% indica pré-diabetes (alternativa C). No entanto, a presença de macrocitose (VCM 103 fL) é a pista-chave que aponta para uma condição hematológica que interfere na interpretação da HbA1c, e a investigação dessa condição é a conduta correta.

Guarde a relação entre o VCM e a HbA1c: é exatamente nessa relação que as alternativas se dividem. A macrocitose é o dado que direciona a investigação para causas hematológicas, e não para a simples repetição de exames ou para o diagnóstico de pré-diabetes.

1Discrepância
HbA1c 5,5% (normal, mas alta p/ GJ 80)
VCM 103 fL → macrocitose
2Mecanismo
Hemácia com vida prolongada
Mais tempo de exposição à glicose
HbA1c falsamente elevada
3Causa provável
Deficiência de B12 ou folato
4Conduta
Dosar B12 e folato
Repetir exames sem investigar
Diagnosticar pré-diabetes
Investigar hemoglobinopatia
HbA1c × glicemia de jejum
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HbA1c × glicemia de jejum: Discrepância (HbA1c 5,5% (normal, mas alta p/ GJ 80), VCM 103 fL → macrocitose); Mecanismo (Hemácia com vida prolongada, Mais tempo de exposição à glicose, HbA1c falsamente elevada); Causa provável (Deficiência de B12 ou folato); Conduta (Dosar B12 e folato, Repetir exames sem investigar, Diagnosticar pré-diabetes, Investigar hemoglobinopatia)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a investigação deve ser complementada com frutosamina ou albumina glicosilada, mas que esses testes são ineficazes na presença de alterações na morfologia eritrocitária, devendo-se solicitar o painel de hemoglobinopatias. O erro está em direcionar a investigação para hemoglobinopatias, quando o quadro de macrocitose com VCM aumentado aponta mais diretamente para deficiência de B12 ou folato. Além disso, a frutosamina e a albumina glicada refletem a glicemia de períodos mais curtos (2-3 semanas) e não são afetadas pela sobrevida das hemácias, sendo úteis justamente em situações de alteração da vida eritrocitária — o oposto do que a alternativa afirma. O painel de hemoglobinopatias seria indicado se houvesse suspeita de variantes de hemoglobina, mas não é a primeira investigação diante de macrocitose isolada.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que a HbA1c de 5,5% está falsamente elevada devido ao aumento do VCM, o que sugere um tempo de vida prolongado das hemácias, e que a conduta é investigar deficiência de B12 ou folato. O VCM de 103 fL indica macrocitose, que pode ser causada por deficiência de vitamina B12 ou folato. Nessas condições, as hemácias podem ter sobrevida prolongada, aumentando o tempo de exposição da hemoglobina à glicose e elevando a HbA1c de forma desproporcional à glicemia real. A investigação dessas deficiências é a conduta correta para entender a discrepância.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a HbA1c de 5,5% confirma o diagnóstico de pré-diabetes e que a glicemia de jejum normal sugere a necessidade de um teste oral de tolerância à glicose (TTGO). O erro está em interpretar a HbA1c de 5,5% como pré-diabetes, quando o valor de corte para pré-diabetes é ≥ 5,7% (conforme o Quadro 4 do material de apoio). Além disso, a glicemia de jejum de 80 mg/dL é normal (< 100 mg/dL), e a discrepância entre os dois exames não é explicada por pré-diabetes, mas sim pela macrocitose que interfere na HbA1c. O TTGO não é a conduta mais adequada neste caso, pois a questão não é de tolerância à glicose, mas de interferência hematológica na HbA1c.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a discrepância não é clinicamente relevante, pois ambas as medidas estão na faixa de normalidade, e que o manejo adequado é apenas aconselhamento nutricional e repetir os exames em um ano. O erro está em desconsiderar a macrocitose (VCM 103 fL), que é um achado anormal e clinicamente relevante. A discrepância entre HbA1c e glicemia de jejum, na presença de macrocitose, sugere uma condição hematológica que precisa ser investigada, como deficiência de B12 ou folato. Ignorar esse achado e apenas repetir os exames em um ano pode atrasar o diagnóstico de uma condição tratável.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a macrocitose e a HbA1c de 5,5% sugerem o diagnóstico de hemoglobinopatia, condição que causa subestimação da HbA1c. O erro está em dois pontos: primeiro, a macrocitose não é uma característica típica de hemoglobinopatias, que geralmente cursam com hemácias de tamanho normal ou microcíticas (como na talassemia); segundo, as hemoglobinopatias podem causar tanto subestimação quanto superestimação da HbA1c, dependendo da variante, mas o mecanismo mais comum é a interferência no método de dosagem, não no tempo de vida das hemácias. A investigação de hemoglobinopatias não é a primeira escolha diante de macrocitose isolada; a deficiência de B12 ou folato é a causa mais provável e deve ser investigada primeiro.

Gabarito: letra B

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