Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg114309
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pediatria (Med Ins Ped, Neonatologia, Neurologia Pediátrica, Psiquiatria na Inf e Adolescência)
Assinale a afirmativa correta em relação às neoplasias mais frequentemente observadas em cada faixa etária.
ALactentes apresentam maior risco de neoplasias gonadais.
BPré-escolares são mais acometidos por tumores de partes moles.
CEscolares devem ser avaliados para tumores embrionários abdominais.
DAdolescentes têm maior probabilidade de apresentar sarcoma ósseo e de partes moles.
ECrianças muito pequenas apresentam principalmente tumores do sistema nervoso central.
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GabaritoD — Adolescentes têm maior probabilidade de apresentar sarcoma ósseo e de partes moles.
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Neoplasias na infância e adolescência: distribuição por faixa etária
Gabarito: letra D. Na adolescência, há maior probabilidade de sarcomas ósseos e de partes moles (osteossarcoma, sarcoma de Ewing, rabdomiossarcoma), enquanto lactentes e pré-escolares concentram tumores embrionários (neuroblastoma, nefroblastoma) e crianças maiores apresentam mais linfomas e tumores do sistema nervoso central. A alternativa D espelha corretamente essa distribuição etária clássica da oncologia pediátrica.
O câncer na infância e adolescência difere do adulto por sua origem predominantemente embrionária — deriva de falhas na diferenciação celular durante o desenvolvimento, e não da exposição acumulada a carcinógenos. Essa característica explica por que os tipos tumorais variam tanto conforme a faixa etária: cada período do desenvolvimento tem um padrão de proliferação celular e maturação tecidual que predispõe a determinadas neoplasias.
Nos lactentes (0–2 anos), predominam os tumores embrionários, como o neuroblastoma (origem em células da crista neural), o nefroblastoma ou tumor de Wilms (rim) e o retinoblastoma. Já nos pré-escolares (2–5 anos), além desses tumores embrionários, ganham relevância as leucemias — que são, na verdade, o grupo mais frequente em toda a infância. Nos escolares (6–10 anos), os linfomas (Hodgkin e não Hodgkin) e os tumores do sistema nervoso central tornam-se mais comuns. Na adolescência (10–19 anos), o perfil se aproxima do adulto jovem: aumentam os sarcomas ósseos (osteossarcoma, sarcoma de Ewing) e os sarcomas de partes moles (rabdomiossarcoma), além de linfomas, tumores de células germinativas e carcinomas de tireoide.
A tabela abaixo resume a distribuição típica, que é o cerne da questão:
Faixa etária
Neoplasias mais frequentes
Lactentes (0–2 anos)
Neuroblastoma, tumor de Wilms, retinoblastoma, leucemias
Sarcomas ósseos e de partes moles, linfomas, tumores de células germinativas
A pegadinha da banca está em deslocar o tipo tumoral para a faixa etária errada: tumores embrionários abdominais (neuroblastoma, Wilms) são típicos de lactentes e pré-escolares, não de escolares; tumores do SNC são mais comuns em escolares e adolescentes, não em crianças muito pequenas; e neoplasias gonadais não são a principal preocupação em lactentes. A alternativa D acerta ao associar os sarcomas ósseos e de partes moles à adolescência — período em que o pico de crescimento ósseo e a maturação muscular criam um ambiente propício a esses tumores.
Guarde a fronteira entre tumores embrionários (lactentes/pré-escolares) e sarcomas (adolescentes): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que lactentes apresentam maior risco de neoplasias gonadais. Na verdade, os tumores de células germinativas (que incluem as neoplasias gonadais) são mais frequentes em adolescentes, não em lactentes. Em lactentes, o risco maior é de tumores embrionários como neuroblastoma e tumor de Wilms. A banca troca a faixa etária típica das neoplasias gonadais.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que pré-escolares são mais acometidos por tumores de partes moles. Embora o rabdomiossarcoma (sarcoma de partes moles) possa ocorrer em pré-escolares, ele é mais característico da adolescência. Em pré-escolares, predominam as leucemias e os tumores embrionários (neuroblastoma, tumor de Wilms). A alternativa desloca o sarcoma de partes moles para a faixa etária errada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que escolares devem ser avaliados para tumores embrionários abdominais. Os tumores embrionários abdominais (neuroblastoma, tumor de Wilms) são típicos de lactentes e pré-escolares, não de escolares. Em escolares, o perfil é dominado por linfomas e tumores do sistema nervoso central. A banca inverte a faixa etária dos tumores embrionários.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que adolescentes têm maior probabilidade de apresentar sarcoma ósseo e de partes moles. Isso está correto: na adolescência, o pico de crescimento ósseo e a maturação muscular favorecem o surgimento de osteossarcoma, sarcoma de Ewing e rabdomiossarcoma. É a associação clássica entre faixa etária e tipo tumoral na oncologia pediátrica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que crianças muito pequenas apresentam principalmente tumores do sistema nervoso central. Na verdade, em crianças muito pequenas (lactentes), predominam os tumores embrionários (neuroblastoma, tumor de Wilms, retinoblastoma). Os tumores do SNC são mais frequentes em escolares e adolescentes. A alternativa desloca o tumor do SNC para a faixa etária errada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora deslocar o tipo tumoral para a faixa etária errada. A armadilha clássica é associar tumores embrionários (neuroblastoma, Wilms) a escolares, quando eles são típicos de lactentes e pré-escolares — e associar sarcomas ósseos e de partes moles a pré-escolares, quando são típicos de adolescentes. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, memorize a regra dos extremos: quanto mais nova a criança, mais embrionário o tumor (neuroblastoma, Wilms, retinoblastoma); quanto mais velha (adolescente), mais sarcoma (ósseo e de partes moles) e linfoma. No meio (escolar), o SNC e os linfomas dominam. Essa progressão resolve a maioria das questões sobre distribuição etária das neoplasias pediátricas.