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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg114312
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pediatria (Med Ins Ped, Neonatologia, Neurologia Pediátrica, Psiquiatria na Inf e Adolescência)
Um escolar de 6 anos apresenta febre, secreção nasal amarelada e tosse diurna há três dias. A mãe relata que os sintomas começaram como um resfriado e reapareceram após breve período de melhora.Com base na principal hipótese diagnóstica, a melhor conduta é
  1. Afundamentar o diagnóstico e o tratamento nos achados clínicos e evolutivos.
  2. Brealizar radiografia simples, que deve contribuir para confirmar o diagnóstico.
  3. Crealizar tomografia, por se tratar de exame mais específico.
  4. Ddosar a proteína C reativa sérica para ajudar a esclarecer a etiologia.
  5. Erealizar pesquisa de eosinofilia na secreção nasal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — fundamentar o diagnóstico e o tratamento nos achados clínicos e evolutivos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sinusite bacteriana aguda em criança: diagnóstico clínico e conduta

Gabarito: letra A. O quadro é de sinusite bacteriana aguda (SBA) em escolar: febre, secreção nasal purulenta e tosse diurna, com história de "duplo adoecimento" (piora após melhora inicial de um resfriado). O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos achados evolutivos, e a conduta é fundamentar o diagnóstico e o tratamento nesses achados — sem necessidade de exames de imagem ou laboratoriais de rotina. As diretrizes de rinossinusite aguda em pediatria (como as da Academia Americana de Pediatria) estabelecem critérios clínicos para o diagnóstico e não recomendam radiografia, tomografia, PCR ou eosinofilia nasal como parte da avaliação inicial.

A rinossinusite aguda é a inflamação da mucosa dos seios paranasais e da cavidade nasal, quase sempre precedida por uma infecção viral das vias aéreas superiores (IVAS). O que diferencia a sinusite bacteriana da IVAS comum é a evolução clínica: enquanto o resfriado costuma melhorar em 7 a 10 dias, a SBA se apresenta com um dos três padrões clássicos — (1) sintomas persistentes por mais de 10 dias sem melhora; (2) sintomas graves (febre ≥ 39°C, secreção purulenta por 3 a 4 dias consecutivos); ou (3) duplo adoecimento (piora dos sintomas após melhora inicial), que é exatamente o caso do enunciado. A febre, a secreção nasal amarelada e a tosse diurna (que piora à noite, pela drenagem posterior) são manifestações típicas.

O diagnóstico é clínico porque os exames de imagem têm baixa acurácia nessa faixa etária: a radiografia simples de seios da face apresenta muitos falsos positivos e negativos em crianças pequenas (os seios ainda estão em desenvolvimento e opacidades podem ser fisiológicas), e a tomografia, embora mais sensível, não diferencia infecção viral de bacteriana — ela só está indicada em casos de complicações (celulite orbitária, abscesso cerebral, etc.) ou suspeita de doença grave. Exames laboratoriais como PCR e hemograma também não são específicos e não mudam a conduta na SBA não complicada. A pesquisa de eosinofilia na secreção nasal é um exame de utilidade limitada, mais relacionado a processos alérgicos, e não faz parte da investigação de sinusite bacteriana.

O tratamento da SBA, quando indicado (sintomas persistentes, graves ou duplo adoecimento), é com antibiótico oral — amoxicilina é a primeira escolha na maioria dos casos — associado a medidas sintomáticas (analgesia, hidratação, lavagem nasal com soro fisiológico). A decisão de tratar é clínica, baseada nos critérios evolutivos, e não depende de confirmação por imagem ou laboratório. É importante lembrar que a maioria das rinossinusites agudas é viral e autolimitada, e o uso indiscriminado de antibióticos contribui para a resistência bacteriana.

A pegadinha desta questão está em sugerir exames complementares (radiografia, tomografia, PCR, eosinofilia) como necessários para o diagnóstico, quando na verdade o diagnóstico de SBA em pediatria é eminentemente clínico. A banca explora a tendência do candidato a supervalorizar exames, mas as diretrizes são claras: na ausência de complicações ou dúvida diagnóstica, não há indicação de imagem ou laboratório. Guarde os três critérios clínicos (persistência > 10 dias, gravidade, duplo adoecimento) — é neles que a conduta se fundamenta.

Critério

Radiografia simples

Tomografia computadorizada

PCR sérica

Eosinofilia nasal

Papel no diagnóstico de SBA

Não recomendada (baixa acurácia em crianças)

Não indicada (não diferencia viral de bacteriana)

Não ajuda (marcador inespecífico)

Sem utilidade (associada a alergia)

Indicação na SBA não complicada

Nenhuma (rotina)

Reservada a complicações

Nenhuma

Nenhuma

Exemplo de uso correto

Casos selecionados (inferior à TC)

Complicações (celulite orbitária, abscesso)

Não se aplica

Não se aplica

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque reflete exatamente a conduta recomendada: o diagnóstico de sinusite bacteriana aguda em criança é clínico, baseado nos achados e na evolução (febre, secreção purulenta, tosse diurna e duplo adoecimento). Não há necessidade de exames complementares para confirmar o diagnóstico na maioria dos casos, e o tratamento (antibiótico + sintomáticos) é iniciado com base nesses critérios clínicos. As diretrizes de pediatria (AAP, por exemplo) estabelecem que o diagnóstico de SBA é clínico e que exames de imagem ou laboratoriais não são rotina.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A radiografia simples de seios da face não é recomendada para confirmar o diagnóstico de SBA em crianças. Ela tem baixa sensibilidade e especificidade nessa faixa etária (os seios paranasais são pequenos e opacidades podem ser normais), e não diferencia infecção viral de bacteriana. O diagnóstico é clínico; a radiografia só teria papel em casos selecionados, como suspeita de complicação, e mesmo assim a tomografia é superior. A alternativa erra ao sugerir que a radiografia "deve contribuir para confirmar o diagnóstico" — ela não é parte da avaliação inicial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A tomografia computadorizada é um exame mais sensível que a radiografia, mas não está indicada para o diagnóstico de SBA não complicada em crianças. Ela não diferencia infecção viral de bacteriana (ambas causam opacidade dos seios) e expõe a criança a radiação desnecessária. A tomografia é reservada para casos de complicações (celulite orbitária, abscesso intracraniano, etc.) ou quando há dúvida diagnóstica com outras condições graves. A alternativa erra ao sugerir que a tomografia é necessária por ser "mais específica" — especificidade não é o critério para indicar o exame na SBA pediátrica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A dosagem de proteína C reativa (PCR) sérica não ajuda a esclarecer a etiologia da sinusite. A PCR é um marcador inflamatório inespecífico, que pode estar elevada tanto em infecções virais quanto bacterianas, e não diferencia as duas. Além disso, na SBA não complicada, o diagnóstico é clínico e o tratamento é empírico — não há necessidade de marcadores laboratoriais para decidir a conduta. A alternativa erra ao sugerir que a PCR seria útil para "esclarecer a etiologia", quando ela não tem esse papel na prática clínica pediátrica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A pesquisa de eosinofilia na secreção nasal é um exame sem utilidade clínica estabelecida para o diagnóstico de sinusite bacteriana. A presença de eosinófilos na secreção nasal está mais associada a processos alérgicos (rinite alérgica) e não tem relação com infecção bacteriana. Além disso, não é um exame de rotina na avaliação de SBA em crianças. A alternativa erra ao sugerir que a eosinofilia nasal ajudaria no diagnóstico — ela não faz parte da investigação de sinusite bacteriana aguda.

Gabarito: letra A — o diagnóstico e o tratamento da sinusite bacteriana aguda em criança são fundamentados nos achados clínicos e evolutivos, sem necessidade de exames complementares de rotina.

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