Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg114314
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pediatria (Med Ins Ped, Neonatologia, Neurologia Pediátrica, Psiquiatria na Inf e Adolescência)
Adolescente apresenta disfagia para alimentos sólidos, com episódios ocasionais de impactação alimentar. Refere ainda dor retroesternal e epigástrica frequente. Endoscopia digestiva alta mostra anéis esofágicos e sulcos longitudinais, com áreas de exsudato esbranquiçado.O ponto de corte de eosinófilos, por campo de grande aumento (hpf), necessário para confirmar a principal hipótese diagnóstica, é
A≥ 5 eos/hpf.
B≥ 10 eos/hpf.
C≥ 12 eos/hpf.
D≥ 15 eos/hpf.
E≥ 20 eos/hpf.
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GabaritoD — ≥ 15 eos/hpf.
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Gabarito: letra D. O quadro clínico — disfagia para sólidos, impactação alimentar, dor retroesternal e os achados endoscópicos de anéis esofágicos, sulcos longitudinais e exsudato esbranquiçado — é clássico de esofagite eosinofílica (EoE), e o ponto de corte diagnóstico é de ≥ 15 eosinófilos por campo de grande aumento (hpf). Esse é o critério histológico estabelecido pelas principais diretrizes (consensos de 2011 e 2017) e é o que a banca cobra de forma literal.
A esofagite eosinofílica é uma doença inflamatória crônica, imunomediada, do esôfago, caracterizada por infiltração eosinofílica da mucosa. Ela se manifesta tipicamente em crianças e adultos jovens, com sintomas de disfagia intermitente para sólidos, impactação alimentar e dor torácica ou epigástrica. Na endoscopia, os achados característicos são os anéis esofágicos (aspecto de traqueia), os sulcos longitudinais, o exsudato esbranquiçado (que corresponde a microabscessos eosinofílicos) e, em casos avançados, estenoses. O diagnóstico definitivo depende da biópsia esofágica com contagem de eosinófilos.
O ponto de corte de 15 eosinófilos por campo de grande aumento (hpf) é o critério diagnóstico mais aceito, sendo utilizado tanto pelos consensos internacionais (como o de 2011, atualizado em 2017) quanto pela literatura brasileira. Esse número é o que diferencia a EoE de outras condições que podem cursar com eosinofilia esofágica, como a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), que geralmente apresenta contagens menores. É importante destacar que a contagem deve ser feita no pico de infiltração eosinofílica, ou seja, no campo com maior número de eosinófilos, e que a biópsia deve ser realizada em múltiplos níveis do esôfago (terço proximal e distal), pois a doença é frequentemente focal.
A principal distinção que a banca explora é entre a EoE e a DRGE. Na DRGE, a eosinofilia esofágica, quando presente, costuma ser discreta (geralmente < 7 eos/hpf) e está associada a sintomas de refluxo. Na EoE, a infiltração é mais intensa (≥ 15 eos/hpf) e os sintomas são de disfagia e impactação, sem resposta adequada aos inibidores de bomba de prótons (IBP) em muitos casos. Outra distinção importante é com a acalasia e outras desordens motoras, que cursam com disfagia, mas sem os achados endoscópicos característicos e sem a eosinofilia marcante.
A pegadinha desta questão está nos valores numéricos apresentados nas alternativas. A banca oferece pontos de corte menores (5, 10, 12) e maiores (20) para confundir o candidato que não memorizou o valor exato. O valor de 15 eos/hpf é o consenso, e os demais valores não correspondem ao critério diagnóstico estabelecido. É fundamental que o aluno decore esse número, pois é um dos pontos mais cobrados em provas de pediatria e gastroenterologia.
Guarde o número 15 como o marco: é ele que separa a esofagite eosinofílica das demais causas de eosinofilia esofágica e que define a necessidade de tratamento específico (dieta de exclusão e/ou corticosteroides tópicos).
1Sintomas: disfagia, impactação, dor
2Endoscopia: anéis, sulcos, exsudato
3Biópsia: ≥ 15 eos/hpf
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O valor de ≥ 5 eos/hpf é um ponto de corte que já foi sugerido em estudos antigos, mas não é o critério diagnóstico atual. Ele é insuficiente para diferenciar a EoE de outras condições, como a DRGE, que pode cursar com eosinofilia leve. O consenso atual exige um número maior para confirmar o diagnóstico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O valor de ≥ 10 eos/hpf também não é o critério estabelecido. Embora seja um número intermediário, ele não é o ponto de corte aceito pelas diretrizes. A banca coloca esse valor para testar se o candidato conhece o número exato, que é 15.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O valor de ≥ 12 eos/hpf é outro distrator. Não há consenso que utilize esse número como ponto de corte para o diagnóstico de esofagite eosinofílica. O valor correto é maior, de 15 eos/hpf.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O valor de ≥ 15 eos/hpf é o ponto de corte diagnóstico estabelecido pelos principais consensos e diretrizes para esofagite eosinofílica. Esse número é o que confirma a hipótese diagnóstica no contexto clínico e endoscópico apresentado. É o valor que o candidato deve memorizar.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O valor de ≥ 20 eos/hpf é um ponto de corte mais alto, que não é o critério diagnóstico padrão. Embora alguns pacientes possam apresentar contagens muito elevadas, o valor mínimo para o diagnóstico é de 15 eos/hpf, e não 20. A banca coloca esse número para testar se o candidato sabe o valor exato.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a memorização do número exato. O candidato que não decorou o valor de 15 eos/hpf pode ser induzido a escolher um dos valores intermediários (10 ou 12) ou o mais alto (20), que parecem plausíveis. A dica é: decore o número 15 — ele é o critério diagnóstico consensual e o mais cobrado em provas.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, lembre-se da associação: EoE = 15 eos/hpf. Quando a questão trouxer um quadro de disfagia com achados endoscópicos típicos (anéis, sulcos, exsudato), o ponto de corte será sempre 15. Compare com a DRGE, que tem eosinofilia mais baixa, e com a acalasia, que não tem eosinofilia significativa.