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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg114319
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pediatria (Med Ins Ped, Neonatologia, Neurologia Pediátrica, Psiquiatria na Inf e Adolescência)
A conduta correta em relação ao risco de transmissão do citomegalovírus (CMV) pelo leite materno, em um lactente com suspeita de imunodeficiência combinada grave (SCID), é
  1. Amanter o aleitamento em livre demanda até a avaliação sorológica materna.
  2. Bmanter o aleitamento materno, independentemente da situação sorológica da mãe.
  3. Cinterromper temporariamente o aleitamento, retornando após iniciar profilaxia.
  4. Dinterromper o aleitamento materno até a definição do status sorológico materno.
  5. Emanter o aleitamento materno, interrompendo, no caso, sinais de infecção na criança.
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GabaritoD — interromper o aleitamento materno até a definição do status sorológico materno.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Citomegalovírus e aleitamento materno em lactente com suspeita de SCID

Gabarito: letra D. Em um lactente com suspeita de imunodeficiência combinada grave (SCID), a conduta correta é interromper o aleitamento materno até a definição do status sorológico materno — o leite materno pode transmitir o citomegalovírus (CMV), e, em um bebê com SCID, uma infecção primária por CMV pode ser grave e até fatal. A recomendação é suspender temporariamente a amamentação enquanto se investiga a sorologia materna, para evitar a exposição ao vírus antes de se conhecer o risco real.

O citomegalovírus é um herpesvírus de alta prevalência na população adulta. Em mães soropositivas (IgG positiva), o vírus pode ser excretado no leite materno, especialmente nas primeiras semanas após o parto, e ser transmitido ao lactente. Em um bebê imunocompetente, essa infecção costuma ser assintomática ou leve. No entanto, em um lactente com suspeita de SCID — uma imunodeficiência primária grave caracterizada pela ausência de linfócitos T funcionais —, a infecção por CMV pode causar doença disseminada, pneumonite, hepatite, colite e até óbito. Por isso, a prevenção da transmissão do CMV pelo leite materno é uma medida essencial nesse grupo de risco.

A conduta recomendada é interromper o aleitamento materno até que se conheça o status sorológico materno. Se a mãe for soronegativa (IgG negativa), o risco de transmissão é baixo, pois ela não teve infecção prévia e, portanto, não excreta o vírus no leite — nesse caso, o aleitamento pode ser mantido. Se a mãe for soropositiva (IgG positiva), o leite pode conter o vírus, e a decisão sobre a amamentação deve ser individualizada, considerando o risco-benefício para o lactente com SCID. Em muitos centros, recomenda-se o uso de leite de banco de leite humano pasteurizado ou de fórmula infantil, que eliminam ou reduzem o risco de transmissão do CMV.

A alternativa D é a única que reflete essa conduta de segurança: interromper o aleitamento até a definição do status sorológico materno. As demais alternativas ou mantêm o aleitamento de forma inadequada, ou interrompem de forma definitiva sem considerar a possibilidade de a mãe ser soronegativa, ou condicionam a interrupção a sinais de infecção na criança, o que é tardio e perigoso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a conduta para HIV e a conduta para CMV. No HIV, a amamentação é contraindicada de forma absoluta, independentemente da sorologia ou da carga viral. No CMV, a conduta é condicionada à sorologia materna: se a mãe é soronegativa, o aleitamento pode ser mantido; se é soropositiva, o risco existe e a decisão é individualizada. A alternativa B (manter o aleitamento independentemente da situação sorológica) e a alternativa C (interromper temporariamente e retornar após profilaxia) são distratores que misturam essas duas lógicas.

CMV no leite materno
  • 1Mãe soronegativa (IgG -)
    • Baixo risco de transmissão
    • Aleitamento pode ser mantido
  • 2Mãe soropositiva (IgG +)
    • Vírus pode ser excretado no leite
    • Risco de doença grave no lactente com SCID
  • 3Conduta em SCID
    • Interromper até definir sorologia materna
    • Se soronegativa: mantém
    • Se soropositiva
      • individualizar (leite pasteurizado/fórmula)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Manter o aleitamento em livre demanda até a avaliação sorológica materna é arriscado: se a mãe for soropositiva, o lactente com SCID pode ser exposto ao CMV durante o período de avaliação, com risco de infecção grave. A conduta correta é interromper o aleitamento antes da avaliação sorológica, não mantê-lo até ela.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Manter o aleitamento materno independentemente da situação sorológica da mãe é a conduta mais perigosa. Se a mãe for soropositiva, o leite pode conter CMV e o lactente com SCID pode desenvolver doença grave. A sorologia materna é justamente o fator que define o risco, e ignorá-la é negligência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Interromper temporariamente o aleitamento e retornar após iniciar profilaxia não é a conduta recomendada. Não há profilaxia medicamentosa para CMV que permita o retorno seguro da amamentação em um lactente com SCID. A conduta é interromper até a definição da sorologia materna e, se a mãe for soropositiva, avaliar o risco-benefício de forma individualizada.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Interromper o aleitamento materno até a definição do status sorológico materno é a conduta correta. Se a mãe for soronegativa, o risco de transmissão é baixo e o aleitamento pode ser mantido. Se for soropositiva, o leite pode conter CMV e a decisão deve ser individualizada, considerando o risco de infecção grave no lactente com SCID. Essa conduta protege o bebê enquanto se define o risco real.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Manter o aleitamento materno e interromper apenas se houver sinais de infecção na criança é tardio e perigoso. Quando os sinais de infecção por CMV aparecem, a doença já pode estar disseminada e o dano pode ser irreversível. A prevenção deve ser feita antes da exposição, não depois do aparecimento dos sintomas.

Gabarito: letra D — interromper o aleitamento materno até a definição do status sorológico materno é a conduta que protege o lactente com suspeita de SCID do risco de infecção grave por CMV.

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