Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg114325
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pediatria (Med Ins Ped, Neonatologia, Neurologia Pediátrica, Psiquiatria na Inf e Adolescência)
Adolescente de 13 anos, com obesidade e resistência insulínica, vem apresentando dificuldade de adesão às medidas comportamentais isoladas. O pediatra avalia a possibilidade de introduzir tratamento farmacológico para auxiliar no controle ponderal.Assinale a opção que apresenta corretamente o mecanismo de ação do fármaco melhor indicado, nesse caso.
AOrlistat, pois inibe lipases intestinais e reduz absorção de gorduras da dieta.
BLiraglutida, pois aumenta secreção de insulina de forma dependente da glicose.
CMetformina, que reduz gliconeogênese hepática e aumenta a sensibilidade insulínica.
DSemaglutida, pois é a primeira escolha em pediatria e não apresenta efeitos adversos.
ETopiramato, que é amplamente indicado e reduz peso em adolescentes com obesidade.
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GabaritoC — Metformina, que reduz gliconeogênese hepática e aumenta a sensibilidade insulínica.
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Obesidade em adolescente: tratamento farmacológico e mecanismo de ação
Gabarito: letra C. Para o adolescente de 13 anos com obesidade e resistência insulínica, a metformina é o fármaco mais adequado, pois atua reduzindo a gliconeogênese hepática e aumentando a sensibilidade à insulina — mecanismo que ataca diretamente a fisiopatologia do caso. As demais alternativas apresentam mecanismos corretos para outros fármacos, mas não para o contexto clínico apresentado.
A obesidade na adolescência é um problema crescente e de difícil manejo, especialmente quando associada à resistência insulínica. O tratamento farmacológico é considerado quando as medidas comportamentais — reeducação alimentar, atividade física e mudança de hábitos — não são suficientes ou não há adesão adequada. Nesse cenário, a escolha do medicamento deve levar em conta o mecanismo de ação, os efeitos colaterais e as comorbidades associadas.
A metformina é uma biguanida que atua principalmente no fígado, reduzindo a produção hepática de glicose (gliconeogênese) e aumentando a captação periférica de glicose, melhorando a sensibilidade à insulina. É o fármaco de primeira linha para o tratamento do diabetes tipo 2 e também é utilizado na síndrome dos ovários policísticos e na resistência insulínica, mesmo sem diabetes estabelecido. Em adolescentes com obesidade e resistência insulínica, a metformina é a opção mais estudada e segura, com perfil de efeitos colaterais predominantemente gastrointestinais (náuseas, diarreia), que tendem a diminuir com o uso contínuo.
O orlistate, por sua vez, é um inibidor de lipases intestinais que reduz a absorção de gorduras da dieta em cerca de 30%. Seu mecanismo é correto, mas não atua diretamente na resistência insulínica — é uma opção para obesidade sem comorbidades metabólicas significativas. A liraglutida e a semaglutida são análogos do GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon), que aumentam a secreção de insulina de forma dependente da glicose, retardam o esvaziamento gástrico e promovem saciedade. São eficazes para perda de peso, mas seu uso em adolescentes é mais restrito e não é a primeira escolha no caso de resistência insulínica isolada. O topiramato é um anticonvulsivante que pode causar perda de peso, mas não é aprovado para obesidade e apresenta efeitos colaterais significativos (parestesias, alterações do paladar, distúrbios psicomotores).
A banca explora a confusão entre os mecanismos de ação dos diferentes fármacos e a indicação específica para o caso clínico. O ponto-chave é identificar que a resistência insulínica é a comorbidade central, e a metformina é o fármaco que atua diretamente nesse mecanismo. As demais opções apresentam mecanismos corretos, mas não são a melhor escolha para o caso.
Obesidade no adolescente
1Comorbidade central
Resistência insulínica
2Tratamento farmacológico
Metformina (1ª escolha)
reduz gliconeogênese hepática
aumenta sensibilidade à insulina
Orlistate
inibe lipases intestinais
sem ação na resistência insulínica
Análogos GLP-1 (liraglutida/semaglutida)
secreção de insulina glicose-dependente
uso restrito em adolescentes
Topiramato
não aprovado para obesidade
efeitos colaterais significativos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O orlistate inibe lipases intestinais e reduz a absorção de gorduras da dieta — o mecanismo descrito está correto. Porém, não é o fármaco mais indicado para o caso, pois não atua diretamente na resistência insulínica, que é a comorbidade central do paciente. Além disso, o orlistate tem eficácia modesta (perda de cerca de 3% do peso em 1 ano) e efeitos colaterais gastrointestinais (flatulência, esteatorreia, urgência fecal) que podem prejudicar a adesão em adolescentes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A liraglutida é um análogo do GLP-1 que aumenta a secreção de insulina de forma dependente da glicose — o mecanismo descrito está correto. Porém, não é a primeira escolha para o caso, pois seu uso em adolescentes é mais restrito e não é o fármaco mais estudado para resistência insulínica isolada. Além disso, a liraglutida é administrada por via subcutânea, o que pode ser uma barreira para a adesão em adolescentes.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A metformina é o fármaco mais indicado para o caso, pois atua reduzindo a gliconeogênese hepática e aumentando a sensibilidade à insulina — mecanismo que ataca diretamente a fisiopatologia da resistência insulínica. É o fármaco de primeira linha para o tratamento da resistência insulínica em adolescentes, com perfil de segurança bem estabelecido e efeitos colaterais predominantemente gastrointestinais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A semaglutida é um análogo do GLP-1 eficaz para perda de peso, mas não é a primeira escolha em pediatria e apresenta efeitos adversos, como náuseas, vômitos, diarreia e risco de pancreatite. A afirmação de que "não apresenta efeitos adversos" é incorreta — todos os fármacos têm efeitos colaterais, e a semaglutida não é exceção.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O topiramato é um anticonvulsivante que pode causar perda de peso, mas não é "amplamente indicado" para obesidade em adolescentes. Não é aprovado para essa finalidade e apresenta efeitos colaterais significativos (parestesias, alterações do paladar, distúrbios psicomotores) que limitam seu uso. Além disso, não atua diretamente na resistência insulínica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca apresenta mecanismos de ação corretos para fármacos diferentes, mas o candidato pode se confundir ao associar o mecanismo ao fármaco errado. O ponto-chave é identificar que a resistência insulínica é a comorbidade central, e a metformina é o fármaco que atua diretamente nesse mecanismo. As demais opções apresentam mecanismos corretos, mas não são a melhor escolha para o caso.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de tratamento farmacológico da obesidade, identifique primeiro a comorbidade associada (resistência insulínica, diabetes, dislipidemia) e depois relacione o mecanismo de ação do fármaco com essa comorbidade. A metformina é a primeira escolha para resistência insulínica, o orlistate para obesidade sem comorbidades metabólicas, e os análogos do GLP-1 para obesidade com diabetes ou como segunda linha.