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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg114330
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pediatria (Med Ins Ped, Neonatologia, Neurologia Pediátrica, Psiquiatria na Inf e Adolescência)
Recém-nascido (RN) de mãe Rh negativo e pai Rh positivo apresenta icterícia intensa nas primeiras 48 horas de vida. Exames laboratoriais mostram bilirrubina total elevada às custas da fração indireta. Há histórico materno de sensibilização prévia.Assinale a opção que apresenta corretamente o mecanismo responsável pela icterícia desse RN.
  1. AImaturidade transitória da conjugação hepática.
  2. BAumento da produção de hemoglobina medular.
  3. CObstrução parcial das vias biliares intra-hepáticas.
  4. DPassagem transplacentária de anticorpos anti-D maternos.
  5. EProdução aumentada de bilirrubina direta por lesão hepatocelular.
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GabaritoD — Passagem transplacentária de anticorpos anti-D maternos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença Hemolítica Perinatal por Incompatibilidade Rh

Gabarito: letra D. A icterícia intensa nas primeiras 48 horas de vida, com bilirrubina indireta elevada, em RN de mãe Rh negativo com histórico de sensibilização prévia, é a clássica doença hemolítica perinatal por incompatibilidade Rh: os anticorpos anti-D maternos (IgG) atravessam a placenta e hemolisam as hemácias fetais Rh positivas. O mecanismo é a passagem transplacentária de anticorpos anti-D maternos — não imaturidade hepática, não obstrução biliar, não aumento de produção medular.

A doença hemolítica perinatal (DHPN) é uma anemia hemolítica do feto e do recém-nascido causada pela destruição imunológica das hemácias fetais. O cenário clássico: mãe Rh negativo (não possui antígeno D), pai Rh positivo (possui antígeno D), feto Rh positivo (herdou o antígeno D do pai). Durante a gestação ou parto, hemácias fetais Rh positivas entram na circulação materna e estimulam a produção de anticorpos anti-D (IgG). Na primeira gestação incompatível, a sensibilização costuma ocorrer no parto, sem doença no primeiro filho. Nas gestações seguintes, os anticorpos IgG maternos já formados atravessam a placenta (a IgG é a única imunoglobulina que cruza a barreira placentária de forma eficiente) e se ligam às hemácias fetais Rh positivas, marcando-as para destruição pelo sistema reticuloendotelial fetal — hemólise extravascular.

A hemólise intensa leva a anemia fetal e hiperbilirrubinemia indireta (não conjugada) precoce, já nas primeiras 24–48 horas de vida — muito antes do pico da icterícia fisiológica (que ocorre entre o 2º e o 5º dia). O quadro descrito no enunciado é típico: icterícia precoce + fração indireta predominante + histórico de sensibilização prévia. O risco maior é o kernicterus (deposição de bilirrubina não conjugada nos núcleos da base), que pode causar dano neurológico permanente. O tratamento inclui fototerapia intensiva e, nos casos graves, exsanguinotransfusão.

A distinção central que a questão explora é entre as causas de hiperbilirrubinemia indireta (pré-hepática/hemolítica e hepática por defeito de conjugação) e as causas de hiperbilirrubinemia direta (pós-hepática/obstrutiva e hepatocelular). A icterícia fisiológica do RN é causada por imaturidade da glicuroniltransferase (conjugação deficiente) — mas é tardia, leve e autolimitada. A DHPN por Rh é uma causa patológica, precoce e potencialmente grave de bilirrubina indireta. A obstrução biliar e a lesão hepatocelular cursam com predomínio de bilirrubina direta (conjugada), o que não se encaixa no quadro.

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que descrevem mecanismos de outras icterícias neonatais (fisiológica, colestática, hepatocelular) como se fossem a causa do quadro hemolítico. O termo-chave é "histórico materno de sensibilização prévia" — isso fecha o diagnóstico de DHPN por Rh e aponta diretamente para o mecanismo imunológico. Guarde a fronteira: icterícia precoce (< 24–48h) + fração indireta + mãe Rh negativo sensibilizada = hemólise por anticorpos maternos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A imaturidade transitória da conjugação hepática é o mecanismo da icterícia fisiológica do recém-nascido: a atividade deficiente da glicuroniltransferase leva a hiperbilirrubinemia indireta leve a moderada, que surge entre o 2º e o 5º dia de vida e se resolve espontaneamente. No caso descrito, a icterícia é intensa, surge nas primeiras 48 horas e há histórico de sensibilização prévia — tudo aponta para hemólise imunológica, não para imaturidade fisiológica. A imaturidade pode até contribuir para a gravidade (conjugação deficiente + hemólise), mas não é o mecanismo responsável pela icterícia deste RN.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Não há "aumento da produção de hemoglobina medular" como mecanismo de icterícia neonatal. O que existe é aumento da produção de bilirrubina por hemólise (destruição de hemácias) ou por diseritropoiese (eritropoese ineficaz na medula). A hemoglobina é a fonte do heme que gera bilirrubina, mas o problema na DHPN não é a produção de hemoglobina e sim a destruição acelerada das hemácias pelos anticorpos maternos. A alternativa troca o mecanismo (hemólise) por um termo sem correspondência fisiopatológica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A obstrução parcial das vias biliares intra-hepáticas causa colestase e hiperbilirrubinemia conjugada (direta), não indireta. O enunciado é explícito: bilirrubina total elevada "às custas da fração indireta". Obstrução biliar (intra ou extra-hepática) cursa com predomínio de bilirrubina direta, colúria e, frequentemente, fezes acólicas — quadro totalmente diverso do apresentado. Além disso, a obstrução biliar não tem relação com incompatibilidade Rh.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A passagem transplacentária de anticorpos anti-D maternos é exatamente o mecanismo da doença hemolítica perinatal por Rh. A mãe Rh negativo, sensibilizada em gestação anterior (histórico de sensibilização prévia), produz IgG anti-D que atravessa a placenta e se liga às hemácias Rh positivas do feto, causando hemólise. A hemólise libera grande quantidade de bilirrubina indireta, que o fígado imaturo do RN não consegue conjugar rapidamente, resultando em icterícia precoce e intensa. Todos os elementos do enunciado — mãe Rh negativo, pai Rh positivo, icterícia nas primeiras 48 horas, fração indireta elevada, sensibilização prévia — convergem para esta alternativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A produção aumentada de bilirrubina direta por lesão hepatocelular descreve a icterícia por dano hepatocelular (hepatites, cirrose, leptospirose), em que há prejuízo de todas as etapas do metabolismo da bilirrubina, com aumento das duas frações e predomínio variável. No entanto, o quadro do enunciado tem predomínio claro de bilirrubina indireta, e a lesão hepatocelular não explica o histórico de sensibilização Rh. Além disso, a "produção aumentada de bilirrubina direta" é um conceito fisiologicamente impreciso: a bilirrubina direta é formada no fígado por conjugação, e seu aumento se deve a defeitos de excreção ou obstrução, não a "produção aumentada".

Gabarito: letra D — a doença hemolítica perinatal por incompatibilidade Rh é causada pela passagem transplacentária de anticorpos anti-D maternos, que hemolisam as hemácias fetais e elevam a bilirrubina indireta precocemente.

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